Empregados e empregadas da Caixa no ES aderiram em peso a greve de 24h de 1985

O momento da Caixa é de turbulência com a saída de Rita Serrano. Em meio ao prenúncio de novas lutas, a Caixa celebra nesta segunda-feira (30) 38 anos da conquista da jornada das seis horas e pelo direito à sindicalização, com os empregados e as empregadas do banco público que deixaram de ser economiários para integrar a categoria bancária. A data marcou a greve histórica de 1985, quando as trabalhadoras e os trabalhadores da Caixa fizeram uma paralisação nacional de 24 horas. Na época, em muitos locais Brasil afora, a adesão chegou a 100%. 

Ao serem integrados à categoria bancária, os empregados da Caixa garantiram o direito à sindicalização, passaram a ter jornada de trabalho de 6 horas diárias e o acesso à Justiça do Trabalho, dentre outras conquistas. Com brados de “bancário, unido, jamais será vencido” e de “greve, greve, greve” durante a assembleia que deflagrou o movimento vitorioso, os bancários da Caixa reafirmavam a forte mobilização que marcou a reabertura à redemocratização do país depois de um interregno de mais de 20 anos sob a ditadura militar. Era o momento da transição democrática, de renovação dos sindicatos, com o surgimento do novo sindicalismo classista, independente e disposto a lutar pelos direitos da classe trabalhadora.

Bancários e bancárias capixabas na luta pela jornada de 6h

No Espírito Santo, o Sindibancários/ES se engajou de cabeça na mobilização de 30 de outubro de 1985 e viveu intensamente cada uma dessas conquistas. “Temos sempre que recordar esta data de maneira muito especial. Foi um marco para todos e todas que fizeram parte desta luta”, afirma a coordenadora-geral do Sindicato, Rita Lima. Ela diz a saída de Rita Serrano, que havia chegado para renovar as esperanças de reconstrução da Caixa, depois da hecatombe provocada por Bolsonaro e Pedro Guimarães, é um grande baque para as empregadas e os empregados da instituição e para o movimento sindical. “Saber que a Caixa está sendo entregue como moeda de troca política ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, é um enorme retrocesso. Mas temos que acreditar mais do que nunca que se ousarmos podemos vencer, como fizemos há 38 anos. Por isso é tão importante comemorar essa conquista para renovarmos nossas forças. Estamos prontas para as novas lutas que, sabemos, serão duríssimas nesta nova quadra que se desenha”, ressalta Rita Lima.