O Santander registrou lucro líquido recorrente de R$ 2,7 bilhões no 3º trimestre de 2023 (3T23), uma queda de 12,6% em relação ao mesmo período do ano passado (3T22). A rentabilidade (retorno sobre o patrimônio do banco –ROE) ficou em 13,1%, o que representou decréscimo de 7,4 pontos percentuais (p.p.) em 12 meses. Esse indicador é particularmente importante porque reflete a rentabilidade dos fundos geridos pela própria instituição financeira.
Para o dirigente do Sindibancários/ES e da Federação dos Bancários do Rio de Janeiro e Espírito Santo (Fetraf RJ/ES) Claudio Merçon (Cacau), a queda nos resultados está longe de ser considerada ruim. “No acumulado dos nove primeiros do ano, o lucro chegou a R$ 7,2 bilhões e os analistas de mercado apontam que o banco deve melhorar os resultados no 4º trimestre do ano”. Importante registrar também que o lucro apurado até setembro na unidade brasileira do banco representou 17,5% do lucro global do Santander, que foi de € 8,143 bilhões, com alta de 11,3% em 12 meses.
Cacau também destaca que essa queda do lucro em 2023 foi provocada pelo próprio banco. Os analistas apontam que os resultados do Santander recuaram principalmente em razão do aumento da inadimplência. “Quem incentiva o aumento da inadimplência é a própria instituição, que cobra juros muito acima do razoável e joga o spread bancário para a estratosfera”, assinala.
O dirigente da Fetraf lembra que o último levantamento da Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio, de Bens, Serviços e Turismo (CNC), aponta que 77% das famílias brasileiras estão endividadas, e que os bancos são os principais credores dessa dívida. “Temos que considerar que o spread bancário acompanha a taxa básica de juros. A Selic caiu meio ponto percentual agora em outubro, é verdade, ficando em 12,75%, mas ainda é uma taxa muito alta, que torna a dívida para quem toma empréstimo impagável. O resultado, não podia ser diferente, é o aumento da inadimplência”.
Cacau acrescenta também que o governo Lula tem alcançado resultados satisfatórios na economia que não justificam uma Selic tão elevada. As projeções do PIB em 3% para este ano superam as expectativas do mercado; a taxa de desemprego vem caindo mês a mês, em outubro o país atingiu o estoque recorde de 42.9 milhões de empregos com carteira assinada; a inflação também segue controlada [4,63% para 2023] e sendo corrigida sempre para baixo. Apesar disso, os juros continuam nas alturas”, critica.
O Santander, mesmo com a taxa de inadimplência recuando de 3,3% (2T23) para 3%, decidiu aumentar a provisão para créditos de liquidação duvidosa (PDD). O aumento tem impacto diretamente no resultado do banco, que é puxado para baixo. No acumulado dos nove primeiros meses do ano, o Santander aumentou 23,8% a provisão para créditos de liquidação duvidosa.
Maquiagem
A coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (Coe) do Santander, Wanessa Queiros, chamou atenção para os dados divulgados pelo banco em relação à criação de empregos. A holding do Santander informou ter encerrado o 3º trimestre com 55.739 empregados, 4.525 postos de trabalho a mais do que tinha no final de setembro de 2022 e 568 a mais do que tinha em julho deste ano. “É preciso observar que estes números se referem ao grupo Santander. Ou seja, inclui os bancários que trabalham nas outras empresas do grupo, que o banco insiste em falar que não são bancários. Mas, na hora do balanço, para dizer que está criando novas vagas, estes trabalhadores são incluídos no total. O banco deveria divulgar quem ele considera bancário separado de quem ele não considera bancário”, enfatiza a coordenadora da Coe. “Estes trabalhadores são precarizados e a Justiça vem dando decisões contra as terceirizações ilegais promovidas pelo Santander”, completou.
Demissões continuam
O resultado do Santander é bastante satisfatório, diz Cacau. No acumulado dos últimos anos, o Santander vinha batendo recorde de lucro em cima de recorde. Não há justificativa para as demissões. “Os trabalhadores não podem ser sacrificados em nome do lucro. Temos hoje um adoecimento em massa causado principalmente pela cobrança abusiva de metas. Não bastasse, o funcionário trabalha de maneira muito mais intensa em decorrência das demissões, que reduzem os quadros de pessoal, provocando sobrecarga de trabalho. Mais um fator do adoecimento, sobretudo mental”, aponta o dirigente.

