Representantes do Sindicato dos Bancários/ES, do Banestes, da Banescaixa e da Fundação Baneses se reuniram na manhã desta quarta-feira (08), no edifício-sede do banco, para discutir a pauta de reivindicação entregue à direção da instituição no dia 10 de outubro último – ocasião do lançamento da campanha Primavera Banestiana, em Vitória. Os pontos de pauta – construção de um Plano de Cargos e Salários (PCS), instalação de um Grupo de Trabalho (GT) para discutir a sustentabilidade da Banescaixa, saúde e condições de trabalho, solução para a Fundação Baneses e a manutenção do Banestes público e estadual – foram repassados um a um pelos dirigentes do Sindicato.
O secretário-geral do Sindibancários/ES, Jonas Freire, explicou que esse primeiro encontro formalizou a abertura da mesa permanente de negociações com o Banestes. “Nessa primeira rodada, foi importante repassarmos integralmente a pauta e o Banestes reconhecê-la. A partir de agora vamos construir uma agenda para discutir cada um dos pontos. Sabemos que são pautas complexas que irão exigir muitas discussões por parte de todos os envolvidos”, adiantou Jonas.
Banescaixa
Apesar das pautas serem complexas, nessa primeira reunião já ficou definido que o Grupo de Trabalho (GT) para discutir a Banescaixa será retomado. “Essa era uma reivindicação recorrente dos funcionários que estava consignada, inclusive, nos últimos acordos coletivos de trabalho, mas o banco vinha adiando essa discussão”, lembrou Jonas. Ele afirmou que o Sindicato pediu informações detalhadas sobre a Banescaixa para que se possa entender quais são os principais gargalos do plano hoje.
“Tomar pé das informações é imprescindível para avançarmos. Com as informações em mãos, o Sindicato poderá contratar uma consultoria para nos auxiliar a buscar soluções para a Banescaixa. Garantir a transparência neste momento é o primeiro passo”, completou o dirigente do Sindibancários Carlos Pereira de Araújo (Carlão).
Os representantes do Banestes se comprometeram a levantar as informações da Banescaixa e repassá-las ao Sindicato. Carlão acrescentou que uma nova reunião será agendada com o Banestes a partir do momento que o Sindicato se apropriar dos dados do plano.
O superintendente da Banescaixa, Benedito de Jesus Pimentel, também participou da reunião.
Plano de Cargos e Salários (PCS)
A representação sindical cobrou da direção do Banestes informações sobre o Plano de Cargos e Salários (PCS). No ano passado, circulou a informação de que o Banestes contratou uma consultoria para desenhar um PCS, mas esse projeto acabou sendo abortado pelo banco. “Eles nos informaram que há um grupo dentro do próprio Banestes construindo um outro plano, mas disseram que ainda não há prazo para conclusão desse estudo. O Sindicato reivindicou representação nesse grupo de trabalho que está discutindo o novo PCS”, afirmou a dirigente do Sindicato Vanessa Espíndula.
Durante a campanha Primavera Banestiana, que vem percorrendo as agências do Banestes da Grande Vitória e do interior do Estado, debatendo a pauta de reivindicações com os funcionários , o Plano de Cargos e Salários é um dos pontos de maior destaque para os banestianos.
Baneses
Na reunião, a superintendente da Baneses, Carla Barreto, explicou a atual situação da fundação de seguridade social dos funcionários do Banestes. “Essa é mais uma pauta extremamente técnica que exigirá uma discussão bastante aprofundada para solucionarmos os problemas que estão impactando os funcionários da ativa e principalmente os aposentados”, disse Jonas.
Carla Barreto afirmou que a fundação está com um estudo em andamento para fazer as troca dos índices, ou seja, usar o IPCA na correção do Plano 1. Ela ponderou, porém, que esse processo de troca de índice é demorado. Segundo a superintendente, a fundação está correndo contra o tempo para fazer a mudança antes do próximo reajuste. Carla alertou ainda que não é possível garantir que a mudança para o IPCA não possa representar perdas mais à frente. Ela destacou que esses índices estão sujeitos a volatilidade e pode ocorrer que, num dado momento, o IPCA também imponha perdas, como as que aconteceram agora com os aposentados do Plano 1, que tiveram reajuste zero.
Jonas acrescentou que os problemas da fundação vão além da equalização dos índices de reajuste dos planos 1 e 2. Ele citou como exemplo o fim da participação da contribuição do banco. “O Banestes decidiu que não iria mais continuar contribuindo com os funcionários que se aposentam pelo INSS, mas que seguem trabalhando no banco. Uma das nossas reivindicações é que o Banestes volte a manter a contribuição do banestiano e da banestiana que continuam na ativa”, pontuou Jonas.
Saúde e condições de trabalho
A campanha nacional da categoria bancária “Menos Metas, Mais Saúde” está dentro da pauta saúde e condições de trabalho da Primavera Banestiana. O adoecimento do bancário e da bancária hoje é geral é motivo de grande preocupação para toda a categoria e para o movimento sindical. “No Banestes, o adoecimento também está escalando e se tornando epidêmico. Um dos principais gatilhos do adoecimento, especialmente o mental, é a cobrança de metas cada dia mais abusivas e intangíveis. Essa opressão tem como consequência o adoecimento em massa do bancário”, adverte Jonas.
Vanessa acrescentou que um dos pleitos sobre o tema levados ao Banestes nessa primeira reunião, além do fim das metas abusivas, é a inclusão dos gerentes nos grupos que constroem as metas. “Não faz sentido um grupo fechado do banco construir um programa de metas e impor de cima para baixo para os funcionários cumprí-las. Ao assegurar que o funcionário que está no cargo de gerência participe da formulação, a tendência é que esse gestor alerte o banco sobre a imposição de metas que muitas vezes são intangíveis”, apontou Vanessa.
Na ordem das pautas da Primavera Banestiana, os dirigentes reforçaram uma reivindicação-chave presente em todas as campanhas do Sindicato desde de meados de 1980: a manutenção do Banestes público e estadual. O gerente-geral de Recursos Humanos, Alexandre Carlquist, que representou a direção do Banestes na reunião, garantiu que esse ponto de pauta foi garantido quando o governador Renato Casagrande, na ocasião da disputa à reeleição ao governo no ano passado, assinou o termo proposto pelo Sindicato se comprometendo a manter o Banestes público e estadual.









