O que já estava anunciado se confirmou: a direção da Caixa decidiu rifar três dirigentes mulheres de seu alto escalão. Em comunicado ao mercado divulgado pela instituição na manhã desta quarta-feira (24), foram confirmados os nomes de Laercio Roberto Lemos de Souza, para a Vice-Presidência de Tecnologia e Digital, em substituição à Adriana Salgueiro; Marcelo Campos Prata, para a Vice-Presidência de Logística, em substituição à Mônica Monteiro; e Pedro Ermírio de Almeida Freitas Filho, para Vice-Presidência de Agente Operador, em substituição à Lucíola Vasconcelos.

Desde outubro, quando a presidenta da instituição, Rita Serrano, foi substituída por Carlos Antônio Vieira Fernandes, a notícia que circulava em Brasília indicava que o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), exigia a Caixa de “porteira fechada”, ou seja, além do comando da instituição, ele exigiu as 12 Vice-Presidências para distribuí-las a aliados políticos. No total, a Caixa tem 12 Vice-Presidências. Sete delas devem ser loteadas entre PP, PL e Republicanos. Há a previsão ainda de que seja criada uma nova Vice-Presidência, a de Sustentabilidade.

Rita Serrano trazia uma perspectiva otimista em relação à valorização dos empregados e empregadas da Caixa. Três meses após sua saída, no entanto, as nomeações para as vice-presidências do banco são todas de homens, e o alto escalão do banco passa ater apenas duas mulheres vice-presidentes: Henriete Alexandra Sartori Bernabé, da vice-presidência de riscos, e Inês da Silva Magalhães, na de habitação.

A dirigente do Sindibancários/ES Lizandre Borges, que integra a Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE-Caixa), entende que a saída das mulheres é um retrocesso e pode significar uma vitória do machismo na instituição. “Infelizmente, saímos de uma quantidade equiparada de mulheres e homens no alto escalão da instituição para uma maioria esmagadora de homens aliados do centrão. Perdem o trabalhador e a trabalhadora”, lamenta Lizandre.