O Itaú confirmou as previsões dos analistas de mercado e anunciou nessa segunda-feira (05) um lucro de R$ 9,4 bilhões no 3º trimestre do ano passado. Com o resultado, o banco fecha 2023 com um lucro recorde de R$ 35,6 bilhões, superando em 15,7% os R$ 30,8 bilhões apurados em 2022, que era a marca a ser batida pelo banco. Na avaliação de Idelmar Casagrande, dirigente do Sindibancários/ES e da Intersindical – Central da Classe Trabalhadora, a taxa Selic nas alturas ajudou a empurrar os resultados do Itaú para este patamar recorde.
“O Banco Central vem baixando a taxa de juros a conta-gotas. Não por acaso, a taxa real de juros do Brasil é uma das mais altas do mundo. Temos uma inflação acumulada em 12 meses de 4,62% e uma Selic de 11,25%, ou seja, são quase 8 pontos de diferença. Essa taxa indecente reprime a retomada do crescimento, impede a geração de emprego, causa o endividamento em massa da classe trabalhadora, aumenta a desigualdade social e a miséria. Quem sai ganhando com os juros nas alturas? Os bancos, que elevam seu lucro na ciranda de juros”, critica Idelmar.
Idelmar dá como exemplo comparativo o resultado dos bancos em 2020. Naquele ano, lembra o dirigente, a taxa Selic ficou na média de 2%. Não por coincidência, o lucro dos bancos caiu 21% em relação a 2019. “Para se ter uma ideia em valores, em 2022, Itaú, Bradesco e Santander, juntos, registraram R$ 52 bilhões de lucro. Já em 2023, com a taxa média da Selic em 13%, somente o lucro do Itaú representa quase 70% desse valor. A prova dos noves confirma que a Selic nas alturas é o paraíso para os bancos e o pesadelo para a classe trabalhadora e para os empresários sérios que querem produzir e gerar emprego, e não viver do rentismo”, afirma o dirigente.
O sindicalista ainda destaca que na esteira do lucro estratosférico do Itaú há um contingente crescente de funcionários adoecidos. “Para se atingir lucro recorde em cima de lucro recorde, o Itaú, e os bancos em geral, impõe metas cada vez mais abusivas. O trabalho bancário está cada dia mais intenso. O resultado é o adoecimento em massa, sobretudo o mental. É incomum o bancário ou a bancária que não se queixa de cansaço excessivo, físico e mental; dor de cabeça, insônia; dificuldades de concentração; fadiga; pressão alta; dores musculares; problemas gastrointestinais. Doenças como Burnout, estresse, síndrome de pânico, ansiedade e depressão são cada vez mais comuns. Nenhum trabalhador sai ileso desse ambiente desumano das metas”, aponta Idelmar.
A expectativa do Itaú, segundo os analistas, é de subir ainda mais o sarrafo dos resultados. O mercado projeta que o Itaú siga embalado em 2024, com previsão de cravar um novo lucro recorde acima da casa dos R$ 40 bilhões. “Isso significa que o banco vai arrochar ainda mais as metas. Porque, no final das contas, boa parte desse lucro é a mais-valia extraída do trabalhador e da trabalhadora no dia a dia”, afirma Idelmar.

