
Ronan Teixeira
A campanha de mobilização para a participação na pesquisa Nossa Saúde Importa chegou nesta terça-feira, 19, a Cariacica. Dirigentes do Sindicato percorreram as agências do Bradesco, Banco do Brasil e Caixa da Avenida Expedito Garcia e a agência da Caixa em Itacibá dialogando com os bancários e bancárias sobre o adoecimento mental na categoria. E foi por meio de um esquete teatral que o Sindicato iniciou a ação, com representação de como a gestão por metas impacta a vida dos trabalhadores, levando a diversos distúrbios psíquicos.
“Dormimos e acordamos pensando na empresa, asfixiados e provocados por metas inatingíveis, assediadoras e adoecedoras. Nós, bancários, saímos do banco estraçalhados, deixando no local de trabalho nossa saúde física e mental. Nesse contexto angustiante, que precisamos parar e provocar a mudança necessária. Por isso, o Sindicato procurou a Universidade Federal do Espírito Santo para registrar sistematicamente com método e lastro científico essa realidade. Precisamos produzir um documento que seja um retrato fiel daquilo que de fato tem acontecido com a gente. Será esse documento que vamos levar para a mesa de negociação para exigirmos que seja colocado um ponto final nesse modelo de gestão adoecedor que o sistema financeiro impõe para nós”, enfatizou o diretor do Sindibancários/ES Ronan Teixeira, durante a ação.
Participe da pesquisa
A pesquisa é um projeto dos professores do Departamento de Psicologia Social e Desenvolvimento da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em parceria com o Sindicato dos Bancários/ES, por meio da Secretaria de Saúde e Condições de Trabalho da entidade. É também uma ação da campanha Menos Metas Mais Saúde, com foco na saúde mental dos trabalhadores capixabas. O questionário está disponível on-line até o dia 31 de maio.
Em média, é necessário de 30 a 40 minutos para responder a pesquisa. Escolha um lugar tranquilo, acesse a pesquisa aqui e participe.
Dor da categoria
Nas quatro agências visitadas, bancários e bancárias assistiram atentos a esquete teatral, muitos chegaram a se emocionar. A dor do adoecimento tem atingido bancários e bancárias em larga extensão.
“Entrei na Caixa em 2005. Meu sonho era trabalhar aqui. Mas com o tempo ficou bem complicado trabalhar na Caixa. Sentimos o peso do excesso do adoecimento. A saúde mental acaba indo junto e temos que recorrer a medicamentos. Não é fácil lidar com essa ansiedade. Temos que estar com sorriso no rosto para atender os clientes, mas tem família, muita coisa por trás que precisamos dar conta, temos as metas absurdas. Nós que somos caixa temos que vender produtos. A gente tenta dar o melhor, mas tem hora que não conseguimos seguir essa meta e vamos para o remédio tarja preta para conseguir aliviar a tensão”, contou a bancária Penha Mara Gonçalves.
“Essa campanha veio na hora certa. Saímos do banco pensando nas metas. A vida pessoal, em família fica muito complicada. Ficamos estressadas, levamos trabalho para casa e acabamos brigando por qualquer coisa. Vivemos assim sob tensão e temos que ir ao médico direto”, relatou outra bancária que não quis se identificar.
Busque ajuda
As doenças da mente, assim como as dores e problemas físicos, são tratáveis. Por isso, é importante buscar ajuda profissional para receber o tratamento adequado. Bancários e bancárias que estejam sofrendo com qualquer tipo de adoecimento psíquico, pode buscar ajuda na Secretaria de Saúde e Condições de Trabalho, que funciona na sede do Sindicato, em Vitória. É possível agendar atendimento por meio dos telefones (27) 3331-9980 | 27 99961-4185 ou pelo e-mail: saude@bancarios-es.org.br.









