A denúncia sobre mais uma tentativa de fatiamento e privatização camuflada da Caixa, seguida da pronta reação e movimentação de bancários e bancárias, conseguiu fazer a direção do banco recuar da tentativa de jogar as lotéricas para serem geridas por uma subsidiária.

Desta vez, o centrão queria deslocar a operação das Lotéricas da vice-presidência para uma subsidiária, a Lotex. A manobra foi denunciada pelo atual representante dos empregados no Conselho de Administração da Caixa, Antônio Messias. Na prática, deslocar os ativos do banco serve aos interesses do capital. É mais fácil privatizar um banco quando ele tem menos ativos.

“A manobra é uma velha conhecida nossa, já foi feita na Petrobrás, já tentaram fazer isso na Caixa anteriormente e precisamos seguir mobilizados e atentos para que isso não aconteça agora”, aponta a dirigente do Sindibancários/ES Lizandre Borges. Ela denuncia que o recuo pode ser uma estratégia para que posteriormente, de maneira disfarçada, o fantasma da privatização volte a assombrar a Caixa.

Lizandre ainda lembra que foi a mobilização dos trabalhadores que barrou essa tentativa de privatização no governo Bolsonaro. A Lotex foi criada durante o governo Temer, em 2016, e vinha sendo desativada na gestão de Rita Serrano. Agora, tentam reativá-la com novo nome, mas, por conta de pedidos de informação de Messias e outro conselheiro, a questão do deslocamento das operações foi tirada da pauta do Conselho de Administração na reunião dessa segunda (18).

No ano passado, as Loterias da Caixa arrecadaram um total de R$ 23,4 bilhões. Dessa arrecadação, R$ 7,9 bilhões foram pagos aos apostadores, enquanto R$ 9,2 bilhões foram destinados a programas sociais do governo federal nas áreas de seguridade social, educação, saúde, cultura, esporte e segurança pública. Ou seja, cerca de 60% dos lucros da operação com as loterias volta, todo ano, para a sociedade, na forma de investimentos sociais.

“Os investimentos no bem-estar da população, nas políticas públicas e em benefícios só são possíveis porque a Caixa é pública. Temos que nos manter vigilantes para que ela continue assim, já que é um patrimônio nacional”, convoca Lizandre. Ainda que a expectativa seja boa em relação à representação dos empregados no Conselho de Administração da Caixa, com a eleição de Fabiana Uehara, o posicionamento do movimento sindical e dos trabalhadores como um todo deve ser fundamental para impedir novas tentativas de privatização, segundo Lizandre.

O movimento sindical vem há anos denunciando as tentativas de privatização da Caixa e de outros bancos públicos. “É fundamental que as empresas públicas continuem a serviço de seu papel social. Quando privatizadas, começam a seguir uma lógica que coloca o lucro acima da vida, e nós precisamos sempre valorizar a vida”, enfatiza.