O banco Itaú registrou lucro líquido recorrente gerencial de R$ 9,8 bilhões no 1º trimestre de 2024 (1T24). O resultado representa alta de 15,8% em relação ao mesmo período de 2023 (1T23) e alta de 3,9% em relação ao trimestre anterior, que foi de R$ 9,4 bilhões. No Brasil, o retorno recorrente consolidado sobre o Patrimônio Líquido médio anualizado do banco (ROE) foi de 22,7% no período, com alta de 1,6 p.p. em 12 meses. “O crescimento da margem financeira gerencial (8,9%), das receitas com prestação de seguros (8,7%) associada a queda do custo de crédito (- 3,2%), levou ao crescimento do resultado do banco nesse período”, aponta o Dieese ( Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

“O anúncio de novo recorde de lucro do Itaú virou uma notícia corriqueira. Incomum seria o banco anunciar queda no lucro, mas essa notícia nós não veremos. Ao mesmo que apura mais um resultado recorde, o banco segue fechando postos de trabalho e agências”, afirma Carlos Pereira de Araújo (Carlão), dirigente do Sindicato dos Bancários/ES e membro do Comando Nacional dos Bancários. 

Ao final do primeiro trimestre de 2024, a holding do Itaú contava com 85.936 empregados em todo o país, registrando o fechamento de 3.561 postos de trabalho e 256 agências nos últimos 12 meses.

De acordo com relatório do próprio Itaú, o fechamento de postos de trabalho resultou na redução de 5,1% dos seus empregados no Brasil em um ano. Mas as demissões do Itaú não se restringiram ao território brasileiro. O banco também mantém operações em outros países da América Latina. Houve cortes, por exemplo, na Argentina, em função da venda do Itaú no país vizinho, que resultou na demissão de 1,5 mil trabalhadores a partir de agosto de 2023.

“A raiz do adoecimento bancário está nessa obsessão insana dos bancos em quebrar novos recordes. Nunca é o bastante. Após atingir o estratosférico lucro de R$ 10 bilhões em 90 dias, o Itaú vai querer mais. Certamente irá estabelecer metas ainda mais ousadas para superar seu próprio recorde no próximo trimestre. Enquanto festeja seus resultados recordes, o banco vai deixando pelo caminho trabalhadores sequelados por doenças físicas e mentais, num processo cruel de seleção natural no qual os mais fortes sobrevivem, não se sabe por quanto tempo, é os que adoecem são simplesmente descartados como uma peça que se tornou obsoleta”, critica Carlão. 

O dirigente enfatizou que a questão do adoecimento da categoria, que está diretamente relacionado às metas, foi um dos temas de maior destaque na Conferência Estadual das Bancárias e dos Bancários 2024, que aconteceu nos dias 3, 4 e 5 de maio em Guarapari”, afirma Carlão. O adoecimento bancário é um dos temas que estará em pauta na Conferência Nacional deste ano, que ocorre em São Paulo nos dias 4, 5 e 6 de junho. 

Feito de futuro, para quem?
O Itaú foi um dos principais patrocinadores do show da Madonna no último sábado (04) em Copacabana. O banco produziu uma peça publicitária com a pop star, associando a carreira de glória da cantora que se estende por mais de quatro décadas. Em certo momento Madonna diz: “Nem todo mundo está vindo para o futuro. Eu vou continuar. Hoje, amanhã e nos próximos 100 anos. Nós somos feitos de futuro”, fazendo um link com o bordão publicitário do banco: “Itaú, feito de futuro”. 

O Sindicato dos Bancários de São Paulo fez uma paródia à peça publicitária da rainha do pop para criticar o lucro estratosférico do banco e a onda de demissões e terceirizações do Itaú. O vídeo dos bancários paulistas, que faz parte da campanha em defesa dos empregos no Itaú “O Futuro Não Pode Ser Terceirizado”, critica o banco que ameaça demitir 350 bancários e acelerar o processo de terceirização da empresa. 

Um trecho do vídeo protesta: “[…] A consciência do banqueiro nunca pesará. Nem todo mundo está indo para o futuro. Eles não têm dó de ninguém. E vão continuar justificando, hoje, amanhã e nos próximos 100 balanços aos acionistas. O Itaú é feito do passado”, diz a atriz que faz cosplay da Madonna.