O Bradesco apurou lucro de R$ 4,2 bilhões no 1º trimestre de 2024 (1T24). O resultado é 46,3% superior ao último trimestre (4T23). No comparativo com o mesmo período de 2023, o resultado é 1,6% menor. O lucro, no entanto, supera as estimativas dos analistas de mercado, que projetaram resultados menos expressivos. Esses mesmos analistas têm expectativa de que o Bradesco tenha crescimento de até 7% em 2024. O Bradesco, assim como o Santander – que registrou lucro de R$ 3 bilhões no primeiro trimestre – são os dois grandes bancos privados que mais sentiram os impactos do calote da Americanas. O impacto sobre o lucro líquido chegou a quase 5% para o Bradesco e ainda um pouco maior que isso no Santander.
“Não podemos falar em queda quando o assunto é lucro dos bancos. O que ocorre são oscilações na margem de lucro, que é sempre muito elevada. Banco não tem prejuízo. No caso do Bradesco, o calote da Americanas impactou um pouquinho para baixo essa margem que sempre costuma ser ascendente. Chega a ser irônico que o banco tenha sido vítima de uma outra gigante do capitalismo. Faz parte do canibalismo financeiro que eles mesmos impõem. O que não tem justificativa é o Bradesco continuar fechando postos de trabalho e agências. A oscilação do resultado não é motivo para mais demissões”, critica o dirigente do Sindicato dos Bancários/ES Iracélio Lomes.
No final do primeiro trimestre de 2024, a holding do Bradesco contava com 85.634 empregados, registrando uma queda de 578 postos de trabalho em 12 meses e 588 postos fechados na comparação com o trimestre imediatamente anterior. Nesse período, foram encerradas 151 agências e abertas três unidades de negócio, totalizando 2.704 agências e 802 unidades de negócios. O banco tem atualmente mais de 72 milhões de clientes.
Para o dirigente, o desligamento de trabalhadores e o fechamento de agências apontam que o propósito é reduzir custos para o banco aumentar suas margens de lucro. “O resultado dessa política perversa é o adoecimento bancário. Menos trabalhadores são obrigados a acumular tarefas e funções e ainda cumprir metas cada vez mais abusivas. Temos um número crescente de bancários e bancárias adoecendo, uma grande parte desses trabalhadores sofrendo de doenças mentais. Não por acaso, durante a Conferência Estadual dos Bancários [nos dias 3, 4 5, em Guarapari] o tema saúde mental foi um dos que mais sensibilizou e envolveu os bancários. Nos debates ficou claro que a ganância dos bancos passa obrigatoriamente pela cobrança de metas cada vez mais intangíveis e tem como consequência o adoecimento em escala da categoria. Para acabar com as metas, é preciso acabar antes com o capitalismo. Não haverá trabalho saudável dentro desse modelo”, afirma Iracélio.
Acompanhe abaixo os resultados completos do Bradesco (1T24):


