Nesta quarta-feira (29), a Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae) completará 53 anos. O aniversário é amanhã, mas a sessão solene em homenagem à entidade aconteceu hoje (28) na Câmara dos Deputados. Antes da homenagem, uma iniciativa dos deputados Odair Cunha e Érika Kokay (ambos do PT), a Fenae lançou duas importantes publicações: o Caderno dos Estados e a Agenda Político-Institucional. A primeira, a partir das ações realizadas na Caixa estado por estado, mostra, em números, a importância do banco 100% público para a vida dos brasileiros; a segunda, faz o levantamento de 118 proposições que tramitam no Congresso Nacional (Câmara e Senado) que afetam positiva ou negativamente a classe trabalhadora. Alguns projetos têm impactos diretos nos bancos públicos e na categoria bancária.
“É uma honra termos, mais uma vez, a demonstração de respeito e valorização do trabalho da Fenae sendo celebrado na Casa do Povo. A nossa luta em defesa de um banco público, forte e social, bem como a atuação pela manutenção dos direitos dos trabalhadores da Caixa têm sido marcadas também pelo compromisso com a população, principalmente, no contexto da redução das desigualdades sociais no país, uma das principais bandeiras apresentadas pela Fenae”, destaca o presidente da entidade, Sergio Takemoto.
A coordenadora-geral do Sindicato dos Bancários-ES, que também é dirigente da Fenae, destacou a importância da entidade não só para os empregados e as empregadas da Caixa, mas para a categoria bancária e classe trabalhadora em geral. “Em nome do Sindibancários, parabenizamos a Fenae por mais de meio século de luta. Porque foi por meio da luta que a Fenae se fortaleceu, conquistou respeito, credibilidade e reconhecimento dos trabalhadores e de outras entidades que atuam no movimento sindical em todo o país. A luta central da entidade tem sido em defesa da Caixa 100% e dos direitos das empregadas e dos empregados da instituição. Mas a Fenae sempre esteve envolvida em diversas frentes de luta cujas pautas estão relacionadas à classe trabalhadora”.
Rita Lima acrescenta que a entidade aniversariante nunca perdeu de vista a defesa do bem-estar e da qualidade de vida dos trabalhadores. A dirigente diz ainda que nesses anos a Fenae tem sido importante para a classe trabalhadora e para o fortalecimento da democracia brasileira, especialmente no que diz respeito ao combate da desigualdade social. “O papel social da Caixa é decisivo para o povo brasileiro, sobretudo para os segmentos mais vulneráveis. Os programas sociais empreendidos pela Caixa ajudam a reduzir a miséria e a estreitar o fosso da desigualdade. Enquanto houver desigualdade social no Brasil, não teremos uma democracia plena”, destaca.
A dirigente afirma que a Fenae está pronta para os próximos desafios.“E não são poucos. A defesa da Caixa 100% pública é uma pauta permanente. Sempre estamos em alerta, mas essa ameaça é agora mais iminente com o comando da Caixa nas mãos do Centrão. Neste momento, lutamos para que as loterias da Caixa não sejam entregues à iniciativa privada. Em outra frente, não menos importante, estamos enfrentando as direções da Caixa e da Funcef, que tentam impor um pacote de ajustes para o equacionamento do nosso plano de previdência. Não vamos aceitar nenhuma mudança que represente perda de direitos. Como eu disse, os desafios não são poucos e vamos precisar contar com o engajamento e a mobilização de todos e de todas para vencermos essas batalhas que temos pela frente”, enfatiza Rita Lima.
Ela citou ainda como exemplo dos desafios da Fenae as 118 proposições levantadas pela entidade. “Muitas dessas proposições, infelizmente, estão relacionadas ao entulho legado por Bolsonaro, que passou quatro anos atacando os direitos do trabalhador. São propostas que pretendem retirar mais direitos da classe trabalhadora e precarizar ainda mais as relações de trabalho. O levantamento é importante porque tem o propósito de informar o trabalhador sobre essas ameaças, mobilizá-lo e prepará-lo para a luta”, explica Rita Lima.
Caderno dos Estados
O Caderno dos Estados 2024 apresenta o desempenho da Caixa em 2023, com dados dos principais serviços sociais e das políticas públicas do governo que são operadas pelo banco público em cada estado do país. O conteúdo pode subsidiar administrações municipais e estaduais, parlamentares e pesquisadores e imprensa sobre o papel essencial da Caixa no Brasil.
A Fenae fez um resumo das ações da Caixa em 2023. A instituição registrou recorde de financiamento imobiliário e de transferência de renda mínima à população em situação de vulnerabilidade social, por meio do Bolsa Família, retomado no ano passado em substituição ao Auxílio Brasil, criado pelo governo anterior. Na habitação, a Caixa elevou seu saldo de crédito imobiliário: 69% dos financiamentos no Brasil pertencem à Caixa. São R$ 826 bilhões de operações ativas. Os bancos privados são responsáveis por 25,1% do total de R$ 1,2 trilhão do financiamento imobiliário no país. Segundo a Fenae, em 2023, a Caixa financiou 694,3 mil imóveis, beneficiando mais de 2,7 milhões de pessoas com acesso à moradia própria, gerando mais de 1,3 milhão de empregos. Isso vem reforçar o papel social e anticíclico de um banco público que gera emprego e renda, e contribui com o desenvolvimento regional, estando presente em localidades onde a iniciativa privada não tem interesse em atuar, porque prioriza o rentismo.
Do total de agências bancárias em dezembro de 2023, aponta o documento, 8.710 eram de bancos públicos (52,1%). Em quase todas as regiões, mais da metade das agências eram de bancos públicos, com destaque para o Norte (66,4%) e Nordeste (62,9%). A única exceção foi a região Sudeste, onde 41,9% das agências pertenciam a bancos públicos. O número de agências da Caixa Econômica Federal (3.371) representou 20,2% do total no Brasil. O Bolsa Família atingiu, no ano passado, um marco inédito desde a sua criação. Com o repasse do benefício a 21,06 milhões de famílias, o valor médio de R$ 680,61 e o investimento de R$ 14,25 bilhões, 2023 foi o ano em que o programa teve maior patamar de famílias atendidas.
O Caderno Estados destaca a importância de reforçar o papel social das Loterias da Caixa. Em 2023, o segmento arrecadou R$ 23,4 bilhões. Desse total, foram destinados R$ 9,2 bilhões, o equivalente a 39,2% do total arrecadado, aos programas sociais nas áreas de seguridade social, esporte, cultura, segurança pública, educação e saúde, valor este 1,9% superior ao destinado em 2022.
A Caixa encerrou o ano de 2023 com 86.962 empregados, com estabilidade em relação ao ano anterior. Em compensação, o banco ganhou 1,9 milhão de novos clientes. Com isso, estabeleceu-se uma relação de 1.753,4 clientes por empregado. A Fenae e entidades sindicais buscam, de forma permanente, mais trabalhadores para a empresa, assegurando condições de trabalho dignas.
“Os números são inequívocos, confirmam a importância da Caixa no dia a dia dos brasileiros, que não tenho dúvida, reconhecem a importância de um banco 100% público. Temos sempre que lembrar o empenho das empregadas e dos empregados da Caixa durante a pandemia da covid-19. Quando não havia vacina, os funcionários da linha de frente encararam o vírus para garantir o pagamento do auxílio emergencial e outros benefícios sociais que estavam sob responsabilidade da Caixa. Como eu disse há pouco, a Caixa tem sido decisiva para ajudar a reduzir as desigualdades sociais no Brasil”, afirma Rita Lima.
Espírito Santo
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