A reunião que negociaria a redução de jornada para empregadas e empregados da Caixa com deficiência e para aqueles que são pais, mães ou responsáveis pelos cuidados de pessoas com deficiência (PcD) foi encerrada de forma brusca pelo banco, na tarde da última quarta-feira (19). Assim que os membros da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa questionaram sobre “pontos sensíveis da proposta”, os representantes do banco se retiraram da sala e deram por encerrada a reunião virtual.

Omitindo informações, a Caixa divulgou uma circular interna nesta quinta-feira (20) anunciando um conjunto de propostas para atender pais, mães e responsáveis de pessoas desses grupos. No entanto, o banco omitiu que a negociação foi encerrada pela intransigência de seus representantes, que se retiraram da sala. Além disso, a Caixa também não informou na circular sobre o banco de horas negativas  que quer impor a todo custo para todos os empregados e empregadas.

“A Caixa perdeu uma grande oportunidade de chegarmos a uma solução para esta pendência que afeta as colegas e os colegas com deficiência, ou que têm filhos ou dependentes com deficiência sob seus cuidados”, disse o coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, Rafael de Castro. “Estes colegas, que já sofrem com a falta de condições de trabalho no banco, tiveram suas demandas relegadas a segundo plano pela Caixa, que queria usá-los como moeda de troca para tentar impor um banco de horas negativo aos seus quase 87 mil empregadas e empregados”, completou.

A diretora do Sindibancários/ES Lizandre Borges faz parte da CEE e fez duras críticas às propostas apresentadas pela Caixa. “O banco se nega a garantir o direito à redução de jornada para os próprios empregados e empregadas com deficiência ou neurodivergentes. Além disso, mesmo com envio de documentos comprobatórios, a Caixa quer impor barreiras para conceder o direito de reduzir até 25% da jornada diária, que pode ser até menor a depender de uma avaliação de uma equipe multidisciplinar da Caixa”, critica Lizandre.

De acordo com a proposta da Caixa, a redução, ou não, da jornada, assim como o percentual de redução, dependeria da avaliação desta equipe, que analisaria se a família, ou ‘grupo de apoio’, poderia ser acionado para ajudar nos cuidados do dependente.

Home office sem direito

Questionada, a Caixa disse que a redução de jornada não seria disponibilizada aos empregados que desempenham suas funções em home office. A alegação é a de que estes empregados têm horário de trabalho flexível e, por isso, não têm necessidade de ter a jornada reduzida.

Sem respostas

O coordenador da CEE,  Rafael de Castro, lembrou ainda que o brusco encerramento da mesa de negociações pela Caixa gerou outros problemas nas negociações. “A Caixa não nos respondeu sobre a proposta de calendário para as negociações, não respondeu sobre nossa proposta de retomada dos debates nos GTs específicos do Saúde Caixa, Condições de Trabalho, Promoção por Mérito, nem sobre a criação de um GT para debater o equacionamento dos déficits da Funcef. Também ficou sem explicações o plano de fechamento de agências que vem sendo planejado pelo banco”, observou. “Ou seja, com o encerramento da mesa de negociação, a Caixa deixou assuntos fundamentais sem resposta”, completou.

Com informações da Contraf