Representantes da COE durante reunião com interlocutores do Santander (Foto: Contraf)

As discussões em torno da saúde do trabalhador bancário finalmente vêm ganhando o destaque que o tema merece. O adoecimento em massa da categoria, sobretudo o mental, colocou a saúde no centro dos debates tanto na pauta nacional quanto nas mesas específicas dos bancos públicos e privados. Com o Santander não está sendo diferente. A Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander, que está à frente das negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), se reuniu nesta sexta-feira (2) com a direção do banco, em São Paulo, para discutir saúde e condições de trabalho. Essa terceira rodada de negociações discutiu plano de saúde, retorno ao trabalho, assistência a portadores de doenças crônicas e teletrabalho. 

Plano de saúde
Um dos pontos de destaque foi o plano de saúde. O integrante da COE do Santander Claudio Merçon (Cacau), que também é dirigente do Sindicato dos Bancários/ES e da Fetraf RJ/ES, afirmou que um plano de saúde de qualidade é fundamental para os empregados da ativa e, especialmente, para os aposentados. “Por isso cobramos na mesa a manutenção da assistência médica aos aposentados, com mais de cinco anos de contrato com o banco, nas mesmas condições da ativa”, explicou.

Os integrantes da COE lembraram que o lucro do banco permite atender tranquilamente essa demanda. Cacau afirmou que o Santander fechou o resultado do segundo trimestre (R$ 3,3 bilhões) com alta de 44,3% em relação ao mesmo período de 2023. “Depois do tombo que tomou das Americanas, os últimos resultados do Santander e as previsões para o segundo semestre apontam que o banco está em franca ascensão. Mais um motivo para atender às nossas reivindicações. Não é aceitável que a empresa vire as costas para o empregado justamente no momento em que ele fica com a saúde mais vulnerável, que é na aposentadoria”, assinalou o dirigente. 

A representação dos empregados também reivindicou melhorias no plano para os funcionários da ativa. “Como têm apontado as pesquisas, o adoecimento mental hoje na categoria é epidêmico”. Cacau citou números da pesquisa “Nossa Saúde Importa”, concluída em junho último, que o Sindibancários/ES fez em parceria com o Departamento de Psicologia da Universidade Federal dos Espírito Santo (Ufes). A pesquisa apontou que 57% dos bancários capixabas se afastaram do trabalho por questões de saúde; desse total, 34% se afastaram em decorrência de saúde mental; 31,5% encontram-se em acompanhamento psiquiátrico e 32,7% tomam medicamento psiquiátrico. “Outras pesquisas nacionais feitas com a categoria têm apresentado resultados bastante semelhantes aos nossos”, observou.

O dirigente também fez menção a um levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base nos dados do INSS e da RAIS, que mostrou que a categoria bancária foi responsável por 25% de todos afastamentos acidentários, relacionados à saúde mental, em 2022.  Os dados também apontaram que o afastamento bancário é três vezes maior que a média geral dos trabalhadores. 

“O cenário é assustador, como mostram os números do adoecimento. Por isso é urgente que o plano ganhe em qualidade, amplie sua rede credenciada e possa oferecer um atendimento digno para os empregados da ativa e aposentados”, reforçou Cacau. 

Mais assistência
A COE pediu ao banco a não cobrança da coparticipação aos portadores de doenças crônicas, degenerativas, Aids, para pessoas com deficiência (PCDs) e neurodivergentes. Reivindicou também o limite de 10% sobre os salários na cobrança para todos os trabalhadores e mais transparência das informações do contrato.

Metas
Quando o tema é saúde, pontua Cacau, é impossível não esbarrar nas metas. Segundo ele, as pesquisas também têm confirmado que as metas estão entre os principais gatilhos do adoecimento mental do bancário. Uma outra pesquisa da Universidade de Brasília (UnB) apontou que 76,5% dos bancários relataram pelo menos um problema de saúde relacionado ao trabalho, no último ano, e 40,2% estavam em acompanhamento psiquiátrico. 

“Quando vemos esse dado ‘relacionado ao trabalho’, pensamos imediatamente na cobrança de metas. A pesquisa que fizemos no Espírito Santo revelou um dado impressionante: 80% dos bancários concordaram que não atingir as metas impostas causa ansiedade”. Na mesa, afirmou Cacau, a COE pediu a suspensão de metas após o retorno de licença saúde por um período de no mínimo de 60 dias, sem que haja prejuízo financeiro para o empregado. 

A COE Santander reivindicou também melhores condições de trabalho e o fornecimento de aparelhos de telefones aos empregados que estão em teletrabalho e trabalho externo, essenciais à execução de suas atividades.

O Santander se comprometeu a trazer uma resposta das cláusulas sociais na próxima reunião, agendada para 9 de agosto. Foi marcada ainda outra reunião (16/08) para discutir as cláusulas financeiras.