
Dirigentes do Sindibancários/ES durante ação em Vitória, no final de junho, contra as demissões no Bradesco (Foto: Sergio Cardoso/Sindibancários/ES)
O Bradesco fechou o 2º trimestre (2T24) com lucro de R$ 4,7 bilhões. O lucro supera em 12% o resultado do 1º trimestre (1T24) e em 4,4% o apurado no mesmo período de 2023. A rentabilidade sobre o patrimônio líquido médio (ROAE, na sigla em inglês) ficou em 10,8%, 0,6% acima do 1º trimestre do ano. As receitas com prestação de serviços somaram R$ 9,31 bilhões — alta de 6,4% em relação ao 2º trimestre de 2023. No 1º semestre do ano, o Bradesco obteve lucro de R$ 8,9 bilhões. O lucro pujante, no entanto, não tem impedido o banco de seguir com sua política de reestruturação, fechando postos de trabalho e agências.
Um levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base nos dados do Banco Central e do próprio Bradesco, apontou que no final de 2016 o banco empregava 108.793 bancárias e bancários, em dezembro de 2023 esse número caiu para 86.222. Foram desligados no período de sete anos (2016 – 2023), 22.571 funcionários, uma queda de 44,5%. O dirigente do Sindicato dos Bancários/ES Fabrício Coelho afirma que a demissão em massa é resultado do processo de reestruturação do Bradesco, que não é de agora. Ele explica que houve uma grande reestruturação entre o final de 2018 e 2019, na ocasião sob o comando de Octavio de Lazari Junior, hoje no conselho da instituição.
Reestruturação
O processo de reestruturação de Lazari, diz Fabrício, basicamente se resumiu ao fechamento de postos de trabalho e agências. O dirigente afirma que entre 2019 e 2023, o Bradesco fechou 1.783 agências e 703 postos de atendimento. “Em cinco anos são 2.486 unidades. Mais de uma agência por dia”. Ele aponta que os números das demissões impressionam ainda mais. “Foram 22.571 demissões em sete anos. Se considerarmos que um ano tem, em média, 250 dias úteis, estamos falando em cerca de 13 demissões por dia. A perversidade dos números não param por aí”, sublinha Fabrício. Ele diz que em 2016 havia a proporção de um bancário para cada 849 clientes. “Hoje são 1.227 clientes para cada bancário. O resultado dessa sobrecarga de trabalho já conhecemos: adoecimento em massa e bancários trabalhando à base de medicamentos controlados”.
O dirigente acrescenta que a reestruturação precariza o trabalho e o atendimento. “Não é à toa que o Bradesco liderou isolado o ranking de reclamações no Banco Central durante quase todo o ano de 2023”. Fabrício afirma que com a saída de Lazari do comando do Bradesco e a entrada de Marcelo Noronha, no final de 2023, não muda em nada a política de reestruturação do banco, que segue fechando postos de trabalho e agências. “O movimento sindical tem feito protestos em todo o país contra as demissões. Na base capixaba, que é pequena, já foram demitidos mais de 100 empregados nos seis primeiros meses do ano”.
Com poucos funcionários para atender e com um número reduzido de agências, prossegue Fabrício, o intuito é empurrar os clientes que não interessam ao banco para os canais digitais ou para os correspondentes bancários (Bradesco Expresso). “Como muitos clientes não têm celulares atuais e muitas vezes acesso à internet, restam a esses clientes recorrerem ao Bradesco Expresso, que conta com trabalhadores precarizados, geralmente em ambientes inadequados, oferecendo, como não podia ser diferente, um atendimento também precário”.
O dirigente tem razão quando aponta que uma parcela importante de clientes não têm acesso à internet e acaba excluído dos canais digitais de atendimento. Uma pesquisa sobre Tecnologias de Informação e Comunicação nos Domicílios Brasileiros (Comitê Gestor Internet Brasil), feita no final do ano passado, apontou que 29 milhões de pessoas no Brasil não tiveram acesso à internet no intervalo de três meses, em 2023. O perfil médio do brasileiro alijado desse processo de inclusão digital é homem, preto ou pardo, com mais de 60 anos e com formação escolar até o ensino fundamental.
Nas franjas do atendimento
As demissões em massa, adverte Fabrício, vêm agudizando essa precarização dentro do banco e nas franjas do atendimento. “O cliente não desapareceu. Ele existe, mas a política de autenticação zero o expulsou das agências.
O resultado dessa política é a redução do número de bancários e bancárias do Bradesco. “O número de trabalhadores nas unidades do Bradesco Expresso já passa de 700 no Espírito Santo, superando o total de bancários do banco, que gira em torno de 650 trabalhadores. A política do Bradesco contra o trabalhador está cada vez mais agressiva”. O dirigente diz que os trabalhadores devem se solidarizar uns com os outros. “A política do banco é muita clara: eliminar paulatinamente o contingente de bancários e bancárias, jogando esses serviços para fora das agências”.
O diretor destaca que o papel do Sindicato é fazer a luta em defesa do emprego com qualidade e dos direitos. “Nossa Convenção Coletiva de Trabalho é uma conquista histórica da categoria. Os direitos garantidos em lei também são conquistas da nossa luta. Estamos em plena campanha salarial e temos que seguir criticando essa política perversa do Bradesco que ataca o bancário, o correspondente bancário e precariza o atendimento a clientes e usuários. O único que sai ganhando nessa equação capitalista é o banco, que segue aumentando suas margens de lucro por meio da exploração da classe trabalhadora”, finaliza.

