
Na 6ª rodada de negociação da Campanha Nacional dos Bancários, que aconteceu nesta quarta-feira (7), o Comando Nacional cobrou da Federação Nacional do Bancos (Fenaban) aumento real nos salários, aumento na PLR e melhorias nas demais cláusulas econômicas, como nos vales-alimentação e refeição, diante dos significativos resultados financeiros dos bancos.
A Consulta Nacional dos Bancários deste ano, realizada com quase 47 mil trabalhadoras e trabalhadores em todo o país, aponta que o aumento real no salário está no topo (93%) das prioridades da categoria, seguida pelo aumento da PLR (63%), e dos vales alimentação e refeição (51%).

Carlos Pereira de Araújo (Carlão)
“Os bancos apontaram uma perspectiva de reajuste segmentado, que repudiamos na mesa. Os bancos têm lucros bilionários recorrentes no Brasil. Por isso não aceitaremos menos do que estamos reivindicando. É fundamental a categoria bancária estar atenta e mobilizada para as ações que vamos realizar nessa reta final das negociações. No dia 13 queremos que os bancos apresentem uma contraproposta global, atendendo as reivindicações das cláusulas econômicas, de melhores condições de trabalho e saúde, fim do assédio moral, mais contratações, enfim, que responda à altura nossa pauta”, enfatiza o diretor do Sindibancários/ES Carlos Pereira de Araújo (Carlão), que integra o Comando Nacional dos Bancários.
Juros altos. Lucro garantido
O porta-voz da Fenaban falou de aumento de concorrência no setor, diante do surgimento de novas instituições de pagamento. Disse ainda que essa concorrência coloca o setor bancário em risco no país e sugeriu propostas que poderiam precarizar direitos e rebaixar os salários.
No entanto, os lucros dos bancos escancaram a farra das instituições financeiras no Brasil: entre 2003 e 2023 o lucro líquido dos cinco maiores bancos no Brasil cresceu 169% acima da inflação. Mesmo em momentos de crise econômica, os bancos tiveram crescimento médio de 15% acima da inflação. A título de comparação, os bancos dos Estados Unidos têm rentabilidade média de 6,5% acima da inflação, na Espanha 10% e na Inglaterra 9%.
Queda no salário
Os trabalhadores ressaltaram ainda que, apesar de a Convenção Coletiva de Trabalho ter garantido aumento real de 21% na remuneração da categoria, entre 2003 e 2023, efetivamente, os ganhos reais no período foram de 16%, por causa da rotatividade no setor, uma vez que trabalhadores admitidos ingressam com salários menores que os admitidos. E, nos últimos oito anos, os bancários tiveram um déficit nos salários de 0,3%, abaixo da inflação.
Então, a realidade é que os bancos estão retirando os ganhos da categoria, obtidos em acordo coletivo, por meio da rotatividade e isso impacta também na qualidade dos serviços para os clientes, porque demitem trabalhadores mais experientes, novamente, colocando os ganhos financeiros acima dos direitos trabalhistas e do atendimento melhor”, completou Juvandia.
Com base nos dados do Dieese, entre 2003 a 2023, as receitas de tarifas dos bancos cresceram 120% acima da inflação. No mesmo período, as despesas com os empregados dos bancos cresceram 52%. Entre o período de 2017 até 2023, as despesas com pessoal dos bancos caíram 10% em termos reais.
Principais reivindicações da mesa
Recomposição salarial:
– Reajuste salarial: reposição da inflação, pelo INPC acumulado entre setembro de 2023 e agosto de 2024, acrescido do aumento real de 5%.
Participação nos Lucros e Resultados:
– Garantia de que todos os empregados, independentemente de faixa salarial e incluindo aposentados e afastados por motivos de saúde ou acidente, tenham participação nos lucros da empresa, a partir do pagamento de três salários-base, mais as verbas fixas de natureza salarial, reajustadas em setembro de 2024.
– Que as empresas paguem, a título de parcela adicional, o valor fixo de R$ 15.400,07, corrigido pelo INPC-IBGE, acumulado no período entre setembro de 2023 e agosto de 2024, acrescido de aumento real de 5%.
– Que os bancos não descontem da PLR (seja regra básica, seja parcela adicional) outros pagamentos feitos por planos próprios e de remuneração variável.
– Transparência nas regras usadas pelos bancos para calcular e pagar a PLR.
Auxílio alimentação e auxílio refeição:
– Aumento do VA dos atuais R$ 835,99, pagos mensalmente, para R$ 1.412,00, e aumento do VR dos atuais R$ 1.060,84, pagos sob a forma de 22 tickets de R$ 48,22, para R$ 1.412,00, pagos em 23 tickets de R$ 61,39.
Auxílios creche e babá:
– Pagos no valor de um salário-mínimo, R$ 1.412,00.
Endividamento entre os bancários
O Comando Nacional também levou à mesa resultados da pesquisa sobre a situação de endividamento da categoria: 71% estão com dívidas. Desses, 46% com cartão de crédito e 42% com crédito pessoal.
A título de comparação, a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio, aponta que 78,8% das famílias do país estão endividadas. Na população com renda acima de 10 salários mínimos, esse percentual é 71,4%.
Entre os bancários endividados, 10% estão com atrasos, enquanto a média das famílias com alguma dívida em atraso no país está em 28,6%. Entre os bancários, 66% são com cartão de crédito e 45% crédito pessoal.
O Comando Nacional dos Bancários lembrou que, até 2022, ocorreu um aumento nos níveis de endividamento do país, por conta de fatores como crise política e econômica e a covid-19. Esses níveis começaram a melhorar em 2023, com inflação sob controle, melhora na atividade econômica, programas de governo para famílias saírem do endividamento, como o Desenrola, e aumento nos níveis de emprego.
Dia de mobilização
O próximo encontro com a Fenaban será em 13 de agosto. O Comando cobrou que os bancos tragam, no dia, propostas já debatidas até o momento na campanha nacional.
No dia 12, a categoria realizará um dia nacional de lutas, para cobrar propostas decentes dos bancos.
Calendário das próximas negociações
13/08 – Cláusulas econômicas
20/08 – Em definição
27/08 – Em definição

