
Representantes do Comando Nacional durante reunião com a Fenaban (Foto: Contraf)
A 7ª rodada de negociações entre o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) desta terça-feira (13) pode ser classificada como frustrante. Segundo Carlos Pereira de Araújo (Carlão), dirigente do Sindicato dos Bancários/ES e membro do Comando Nacional, a expectativa era de que os bancos apresentassem as devolutivas discutidas nos seis encontros anteriores no âmbito da Campanha Nacional dos Bancários 2024, para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria. “Podemos dizer que até agora a Fenaban só enrolou, porque ainda não apresentou respostas efetivas às nossas reivindicações globais”.
As cláusulas econômicas, destacou Carlão, que estão entre as pautas-chave da categoria, ficaram “no ar”. Ele afirmou que o Comando não recebeu retorno sobre aumento real dos salários, PLR maior e demais remunerações, incluindo vales alimentação/refeição (VA/VR).

Carlão: “Silêncio da Fenaban frustrou rodada”
“Os bancos não disseram nem sim nem não. Para nós que estamos na mesa de negociação, a expectativa é de que os bancos nos apresentem as devolutivas para que possamos discutir em cima de questões concretas. É a partir dessa devolutiva que avaliamos as propostas em diálogo com a categoria e decidimos os próximos passos da campanha salarial, da luta em si”. O dirigente afirmou que, ante a essa postura de enrolação dos bancos, os bancários vão fazer uma nova mobilização na próxima quinta-feira (15), cobrando respostas da Fenaban.
Cláusulas sociais
A Fenaban trouxe algumas devolutivas às reivindicações da categoria, em sua maioria, relacionadas às cláusulas sociais, são elas:
1 – Criação de cláusula de combate ao assédio moral, sexual e outras formas de violência no trabalho.
Já existe mecanismo de combate a esses tipos de violência, conquistado pela categoria na CCT. A novidade trazida pela Fenaban é a inclusão do termo “assédio moral”.
Pela primeira vez os bancos concordam em incluir o termo assédio moral, uma reivindicação da categoria. Os bancos sempre tiveram resistência em incluir o termo assédio moral na CCT.
Os trabalhadores destacaram que a cláusula sobre assédio deve estar atrelada à garantia de anonimato para as vítimas e denunciantes. E, ainda, que os bancos devem garantir prazos acelerados de apuração para pessoas que estiverem sob risco iminente. Os bancos concordaram também com o acompanhamento na negociação setorial sobre o tema.
Saúde mental dos bancários
A Fenaban não trouxe retorno efetivo sobre o tema, mas sinalizou propostas que foram criticadas pelos representantes dos trabalhadores. Por conta disso, ficou de remodelar o texto, que será entregue na próxima negociação.
Sobre saúde, os trabalhadores cobraram respostas na gestão por metas abusivas e sua relação com o aumento do adoecimento na categoria, que, atualmente, responde por 25% dos afastamentos acidentários por saúde mental no país.
- Contratação de mulheres na TI
Também atendendo ao pedido do Comando, os bancos apresentaram propostas de formação de mulheres para a área de Tecnologia da Informação (TI), a partir da contratação de duas entidades especializadas em trazer mulheres para este mercado.
Os trabalhadores e os bancos combinaram de marcar uma nova reunião para que essas empresas se apresentem e falem sobre o trabalho que realizam.
Sobre a proposta de requalificação às bancárias, os bancos ficaram de trazer uma proposta mais aprimorada.
- LGBTQIA+, com atenção especial às pessoas transexuais
– Criação de cláusulas de repúdio à discriminação, com canais de apoio.
– Respeito ao nome social, em todos os sistemas do banco, antes da obtenção do registro civil de retificação de nome para pessoas transexuais.
– Garantia do uso do banheiro conforme o gênero que a pessoa se reconhece.
Esse ponto inclui trabalho de letramento em toda a categoria para o combate à discriminação.
- Mudanças climáticas
Cláusula de garantia de criação de Comitê de Gestão de Crise, sempre que pedido pelo Comando Nacional dos Bancários, por meio da Contraf-CUT, em casos de calamidade.
O comitê terá autorização prévia para tomada de decisões necessárias aos bancários atingidos por calamidades, como as que foram necessárias nos casos recentes do Rio Grande do Sul e Petrópolis. Entre essas ações estão a liberação de teletrabalho e de banco de horas.
- Combate à violência contra a mulher
Outra reivindicação atendida é o reforço ao programa de apoio às bancárias vítimas de violência doméstica, previsto em cláusulas na CCT.
- Igualdade salarial entre gêneros
Para atender às obrigações da lei federal de igualdade salarial entre homens e mulheres, reivindicadas também pela categoria bancária, a Fenaban disse que irá melhorar a divulgação do relatório de transparência salarial do setor. Os representantes dos bancos também afirmaram que estão trabalhando em um plano de ação para alcançar a igualdade.
- Censo da Diversidade da categoria
Inicialmente, a Fenaban disse que não há necessidade da realização do censo, e que existem bancos que já levantam e compartilham dados sobre diversidade no setor.
Os bancários rebateram e cobraram a realização do censo, sendo que o último foi divulgado em 2019, além de ser um compromisso firmado na CCT.
Após essas ponderações, a Fenaban disse que irá reavaliar a realização do levantamento.
Sem respostas
O Comando Nacional cobrou outros pontos que os bancos não trouxeram retorno, como as reivindicações de pais de PcDs, o combate ao endividamento dos bancários, respeito ao direito à desconexão, combate à terceirização, garantia dos empregos, jornada de quatro dias, ampliação do teletrabalho, além do aumento real da remuneração.
Os trabalhadores exigiram que, na próxima reunião, em 20 de agosto, a Fenaban traga respostas.
A entidade sinalizou que irá trazer as propostas apresentadas na reunião desta terça, mas não garantiu que trará respostas sobre as demais reivindicações, e isso inclui as econômicas (aumento salarial real e melhorias nas demais verbas).
Um dia antes da próxima negociação, em 19 de agosto, a categoria também realizará um dia nacional de luta por proposta digna.
Calendário
Dias nacionais de luta:
– 15 de agosto
– 19 de agosto
Próximas mesas:
– 20 e 21 de agosto
O que já foi discutido até agora
1ª rodada: empregos;
2ª rodada: cláusulas sociais – em especial teletrabalho, tecnologia e jornada de 4 dias;
3ª rodada: igualdade de oportunidades;
4ª rodada: PcDs, neurodivergentes e segurança bancária;
5ª rodada: saúde e condições de trabalho;
6ª rodada: cláusulas econômicas
(Com informações da Contraf)
Fotos: Contraf

