Nesta quarta-feira (14) a comissão de negociações do Sindicato dos Bancários/ES se reuniu com os representantes do Banestes para cobrar respostas efetivas às propostas apresentadas nas seis rodadas anteriores. Antes da reunião, os dirigentes do Sindicato fizeram um ato em frente ao Edifício Palas Center para exigir do diretor-presidente do Banestes, Amarildo Casagrande, uma posição sobre as reivindicações da categoria. Na avaliação da comissão do Sindicato, as negociações praticamente não avançaram após mais de 40 dias depois da primeira reunião. A comissão de negociações decidiu convocar uma assembleia presencial para o dia 22 (quinta-feira), a partir das 18h, no Centro Sindical (Rua Ithobal Rodrigues dos Campos 125 – Ilha de Santa Maria – Vitória/ES), para apresentar aos banestianos um balanço das negociações.
Cláusulas econômicas
Na rodada desta quarta, a sétima, a comissão do Sindicato ouviu do gerente-geral do banco, Alexandre Carlquist, que a diretoria vai aguardar a definição das negociações da mesa nacional com a Fenaban, principalmente em relação às pautas econômicas. “Já falamos isso das outras vezes: não vamos discutir nada das cláusulas econômicas agora. Vamos aguardar para ver se eventualmente poderemos trazer alguma coisa para a mesa”, disse Carlquist. Com relação às cláusulas econômicas, os banestianos reivindicam reposição da inflação mais aumento real de 10% sobre salários, vale refeição/alimentação e demais verbas remuneratórias.
REV
A comissão cobrou respostas sobre a Remuneração Estratégica Variável (REV). Na minuta, os empregados reivindicam a REV linear para todos e sem limite de renda. A posição do banco foi manter o aditivo atual. A comissão argumentou que a redação atual não atende mais às expectativas dos bancários. A dirigente do Sindicato Vanessa Espíndula, que coordena a comissão, afirmou que atualmente nem mesmo os 25% são pagos de maneira linear. “Hoje é tudo pago proporcionalmente”.
Jonas Freire completou: “Num primeiro momento, a REV funcionou nesse formato, mas agora não atende mais. Eu sei que não é possível prever todas as variáveis quando estamos construindo as cláusulas do Acordo, mas agora é preciso mexer na cláusula da REV. O também dirigente do Sindicato e membro da comissão, Claudio Merçon (Cacau), insistiu que a proposta aprovada pelos empregados prevê reduzir as diferenças entre a base e o topo da pirâmide. “Queremos continuar discutindo soluções para a REV”, enfatizou Cacau.
Carlquist ficou de estudar a proposta da REV linear e apresentar uma devolutiva para a comissão.
PCS
A discussão sobre o plano de cargos e salários (PCS), tema de uma das rodadas, voltou à mesa. A comissão do Sindicato cobrou participação para acompanhar o processo de construção do PCS, como previsto na minuta. Os interlocutores do banco, porém, alegaram que a diretoria não autorizou incluir o PCS no Acordo Coletivo de Trabalho. Carlquist reafirmou que o banco está desenhando um plano de carreira. “Neste momento, estamos definindo qual o modelo que vamos usar”. Ele disse que essa discussão é interna porque envolve questões de impacto financeiro para o Banestes. O gerente-geral disse ainda que não há data prevista para implantação do PCS tampouco garantiu se de fato o plano de carreira será consolidado.
Cacau e Jonas enfatizaram que a criação do PCS é uma ferramenta importante de valorização dos empregados. Cacau lembrou que participou da mesa de negociação que definiu a criação do PCS do Bandes. “Houve vontade política do então presidente do Bandes para fazer um plano de carreira”, provocou. Carlquist disse que foi conhecer o PCS adotado no Bandes, mas alegou que o modelo não serviria para o Banestes em razão da grande diferença de funcionários: 130 no Bandes e 2,3 mil no Banestes.
Retorno ao trabalho
A comissão do Sindicato destacou o Parágrafo 4º da Cláusula 47ª da Minuta, que versa sobre o retorno ao trabalho: “O empregado tem o direito de manter todos os benefícios de que gozava anteriormente, sendo garantida a sua remuneração ou gratificação de função, mesmo quando não houver reconhecimento do Acidente de Trabalho e independentemente do tempo de afastamento para tratamento de saúde”. Os interlocutores do Banestes ficaram de estudar um prazo relativo ao período de estabilidade.
Assédio
O Parágrafo 2º da Cláusula 40ª da minuta pleiteia que “a pessoa assediada terá estabilidade a partir da denúncia e durante o período que perdurar a investigação, sendo que uma vez constatado o fato, a vítima terá sua estabilidade prorrogada por dois anos”. O banco se posicionou resistente a garantir a estabilidade às vítimas de assédio.
A dirigente Vanessa Espíndula também destacou a preocupação do Sindicato, consignada na minuta, com relação às vítimas que resistem a formalizar a denúncia, temendo sofrer retaliação do autor do assédio, em muitos casos, em posição hierarquicamente superior. Cacau completou: “Sabemos de casos de bancários que trabalham com o atestado de saúde na gaveta com medo de se afastar e sofrer retaliações”, advertiu.
“Muitas vezes as pessoas não procuram os canais de denúncia do banco. Para a vítima se sentir mais confiante para fazer a denúncia, insistiu Vanessa, ela precisa ter a estabilidade garantida. “O banco deveria melhorar esse processo de apuração das denúncias de assédio”, pontuou.
Mobilização
A comissão de negociações do Sindicato dos Bancários está convocando uma assembleia com as banestianas e os banestianos para avaliar as negociações com o Banestes após sete rodadas. É muito importante a participação de todas e de todos. “Toda negociação chega numa encruzilhada que costuma ser decisiva para as nossas conquistas avançarem. A negociação com o Banestes chegou neste ponto. O momento agora é de engajamento e mobilização. Vamos construir juntos um plano de lutas para nos mantermos firmes em defesa das nossas reivindicações. Se ousarmos lutar, venceremos!. Sigamos juntos!”, comissão de negociações do Sindibancários/ES
Assembleia presencial: balanço das negociações com o Banestes
Data: 22 de agosto – quinta-feira – a partir das 18h
Local: Centro Sindical – Rua Ithobal Rodrigues dos Campos 125 – Ilha de Santa Maria – Vitória/ES.
Atenção: há estacionamento disponível no local (gratuito)
(Foto capa: Sergio Cardoso/Sindibancários/ES)

