Banestianas e banestianos se reuniram em assembleia presencial nessa quinta-feira (22), no Centro Sindical dos Bancários, em Vitória, para fazer uma avaliação das negociações com a direção do Banestes e definir uma jornada de lutas para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Ao final da assembleia, os empregados do Banestes aprovaram estado de alerta. O dirigente do Sindibancários/ES Carlos Pereira de Araújo (Carlão) afirmou que as negociações entraram numa fase decisiva. “Esse é um momento de fortalecer a base e manter a mobilização permanente até o desfecho das negociações. Temos que nos manter prontos, inclusive, para uma greve, que é uma possibilidade que nunca podemos descartar em meio a uma negociação. Vamos reafirmar nossas reivindicações, avisando desde já para o presidente do Banestes [Amarildo Casagrande] que iremos rejeitar na mesa propostas rebaixadas”, enfatizou Carlão.

Na abertura da assembleia, o dirigente do Sindibancários/ES Jonas Freire fez um resumo das oito rodadas de negociações realizadas com o banco até aqui. Ele criticou a posição do Banestes, que enrola e não apresenta propostas às reivindicações. “Desde o início, a direção do Banestes usou a Fenaban como escudo, alegando que iria aguardar a definição das tratativas da mesa nacional para apresentar uma proposta para os empregados. Fizemos nossa parte e apresentamos ponto a ponto as nossas reivindicações, sempre cobrando respostas do banco que, efetivamente, não vieram. A conversa foi a mesma em todas essas rodadas: ‘Vamos levar para a direção do banco para avaliação’. Mas não sai disso e as negociações não avançam. O banco pode e deve ter autonomia para negociar conosco independentemente da mesa nacional. É por isso que temos um acordo específico”, sublinhou Jonas. 

Plano de cargos e salários

O dirigente destacou alguns pontos da proposta mais centrais para os banestianos. O plano de cargos e salários (PCS), apontou Jonas, é uma promessa antiga do banco aos empregados, mas que nunca saiu do papel. “Deixamos claro, na nossa minuta, que a construção de um novo PCS deveria ser feita em conjunto com o Sindicato, a partir da criação de um grupo de trabalho, que ouviria os empregados e apresentaria sugestões ao plano. Mas na mesa de negociação soubemos que o Banestes já está construindo um PCS, que pode ser bem aquém das expectativas dos banestianos, uma vez que desconhecemos as diretrizes desse novo plano de carreiras”, alertou. Carlão completou: “A direção está fazendo um plano de carreira ao modo dela, que não deve atender a maioria dos banestianos”, assinalou. 

Banescaixa

As discussões sobre a Banescaixa também não avançaram. A comissão de negociações cobrou do Banestes o acesso aos dados do plano de saúde para que a consultoria contratada pelo Sindicato possa fazer uma avaliação da situação da Banescaixa. A direção do Banestes, no entanto, se esconde atrás da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) para não fornecer dados sobre o plano.

Jonas criticou também a postura do banco, que efetivamente não implantou o Grupo de Trabalho (GT) que deveria discutir soluções para o plano. “Na prática, o GT não andou, embora esse seja um compromisso do Banestes firmado no atual acordo, mas que não vem sendo cumprido”.

Adoecimento

O adoecimento das empregadas e dos empregados do Banestes foi outro ponto destacado na mesa de negociações e compartilhado com os banestianos na assembleia. Carlão falou sobre as pesquisas científicas que comprovam o adoecimento da categoria, especialmente o mental. Ele destacou a pesquisa “Nossa Saúde Importa”, uma parceria do Sindicato, com o Departamento de Psicologia da Universidade Federal dos Espírito Santo (Ufes). O estudo apresentou à direção do banco dados sobre o adoecimento mental dos banestianos. Na mesa, o banco, porém, não reconheceu que há relação entre o trabalho bancário e o adoecimento mental. 

Denúncia de assédio

A saúde mental é um dos temas sensíveis à categoria que mais preocupam o Sindicato. Dentro das ações em defesa da pauta de reivindicações dos banestianos, os dirigentes sindicais exibiram em primeira mão aos banestianos que acompanhavam a assembleia o vídeo que passou a circular nesta sexta-feira (23) na TV, nos sites de notícias e nas redes sociais. O vídeo denuncia um caso real de assédio que levou a funcionária do Banestes ao adoecimento mental. A peça também tem uma versão em áudio que está sendo veiculada nas emissoras de rádios do Espírito Santo. 

https://youtu.be/HjWYOrpCWFE?si=HGfpe9O7hWo7GuaV

Gestão autoritária

Carlão criticou a atual direção do Banestes, comandada por Amarildo Casagrande. “Amarildo tem um perfil autoritário, avesso à transparência e ao diálogo. Nas negociações, ele está literalmente cozinhando o galo. Como destacou Jonas, nossa pauta não tem nada a ver com a da Fenaban. Temos que criticar essa gestão autoritária de Amarildo, que tem o apoio incondicional do governador Renato Casagrande. Não podemos nos esquecer disso”. 

Jonas lembrou que durante a corrida eleitoral ao Palácio Anchieta, em 2022, Casagrande, quando percebeu que sua reeleição estava em risco com o crescimento do candidato bolsonarista Carlos Manato, pediu apoio às centrais sindicais, aos sindicatos e movimentos sociais. O dirigente destacou que Casagrande, à ocasião, firmou um termo de compromisso com o Sindicato, que não vem sendo cumprido. “Acabou a eleição, Casagrande virou as costas para os sindicatos e movimentos sociais”, apontou. 

8ª rodada

Pouco antes da assembleia, a comissão de negociações do Sindicato se reuniu pela oitava vez com o Banestes. Na reunião, resumiu Jonas, os representantes do Banestes mantiveram o mesmo bordão das rodadas anteriores, ou seja, de que vão aguardar os desdobramentos da mesa nacional com a Fenaban para apresentar uma proposta às reivindicações dos banestianos. 

Carlão enfatizou novamente que as tratativas específicas deveriam estar desvinculadas da discussão nacional. O dirigente, que também é membro do Comando Nacional dos Bancários, insistiu que a diretoria apresentasse respostas para levar à categoria na assembleia que aconteceria horas depois. O gerente-geral de Recursos Humanos do Banestes, Alexandre Carlquist, que tem conduzido as negociações em nome do banco, reafirmou que o Banestes não apresentaria proposta antes da definição nacional. Ele, entretanto, deixou “no ar” a expectativa de que a direção teria novidades na próxima semana, sem especificar quais. 

Ficou acordado que na próxima semana, de terça a sexta (27 a 30), os representantes do Banestes e do Sindicato poderão se reunir a qualquer momento para retomar as negociações. 

Errata

Na assembleia, a comissão de negociações do Sindicato fez uma errata da tabela de simulação da Remuneração Estratégica Variável (REV) publicada na edição especial do Banestão de agosto. Havia um erro no valor (acima da meta) que é discriminado na tabela simulada. A tabela abaixo traz os valores recalculados. Entretanto, como na REV publicado, restou comprovado que há uma diferença na distribuição do rateio em desfavor da maioria dos funcionários que ganham os menores salários. Essa era exatamente a tese que o Sindicato queria comprovar com a tabela para justificar a reivindicação da minuta que defende a distribuição linear da REV para todos os empregados. Confira. 

A tabela a seguir propõe uma nova simulação com a distribuição da REV 50% linear. Nas duas tabelas fica evidente que os bancários que têm remunerações mais baixas são prejudicados pelo modelo em vigor, que o Banestes quer manter. Reparem que nas duas simulações os banestianos que ganham até R$ 8 mil serão limitados pelos tetos. Os exemplos simulados consideram a faixa de duas rendas. Por outro lado, os funcionários que ganham mais serão sempre beneficiados pelo atual modelo, que não privilegia a base da pirâmide salarial. Se a REV fosse 100% linear, com base nos dados simulados, cada funcionário receberia R$19.954,00;

Confira as fotos da assembleia:

Fotos: Sérgio Cardoso/Sindibancários/ES