Reunidos em assembleia virtual na noite dessa segunda-feira (26), bancários e bancárias capixabas disseram um basta para o desrespeito dos bancos que se repete a cada rodada de negociação. Por unanimidade, os bancários votaram a favor do início de estado de greve nesta quarta-feira (27) e da ação venda zero. Com isso, os bancários podem deflagrar o movimento paredista a qualquer momento. Além disso, a orientação é que todos parem de vender qualquer tipo de produto nos bancos até que a Fenaban apresente uma proposta que atenda a pauta da categoria.

Durante a assembleia, dirigentes do Sindibancários/ES deram os informes sobre as negociações específicas  com cada banco e a Fenaban. Os bancários e bancárias discutiram as ações de mobilização desta semana e as estratégias para pressionar os bancos a atender as reivindicações. Também foi aprovado que seja cobrado do Comando Nacional dos Bancários a apresentação urgente de um calendário de greve.

O autoritarismo da direção do Banestes também foi rechaçado na assembleia com a aprovação de uma nota de repúdio contra a censura da Justiça a pedido do Banestes do vídeo sobre o adoecimento dos bancários divulgado na última sexta-feira (23) pelo Sindicato.

Propostas indecentes

Ao longo de quase dois meses de negociação, a Fenaban apresentou apenas propostas de reajuste abaixo da inflação, com perdas para a categoria. Nas negociações com os bancos públicos também não há avanços e nem sinais de que as reivindicações dos trabalhadores serão atendidas.

“Os trabalhadores enfrentam um cenário econômico com altos juros e com custo de vida elevado. Enquanto isso, a lucratividade do setor financeiro é altíssima e mesmo assim os bancos negam reajuste decente aos bancários. Nas cláusulas sobre saúde, os bancos seguem ignorando qualquer possibilidade de reconhecer que os sistemas de gestão estão matando os bancários. Há comprovadamente um elevado grau de adoecimento dos trabalhadores por conta das metas, do assédio e da sobrecarga de trabalho. Temos que nos unir por valorização salarial e melhores condições de trabalho ou seremos cada dia mais uma legião de adoecidos. Vamos à luta para valer!”, enfatizou a coordenadora do Sindibancários/ES, Rita Lima.

Integrante da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE/Caixa), a dirigente do Sindicato Lizandre Borges reiterou a necessidade de mobilização dos bancários. “Não podemos ficar acuados, temos que reagir e dizer que vamos parar se não apresentarem um acordo decente. Precisamos de uma adesão ampla dos bancários e das bancárias para mostrar que não vamos aceitar que os bancos destruam nosso acordo. A proposta da Fenaban é fatiar nossa categoria. Por isso precisamos reagir e não ter medo”, disse.

Venda zero

Dentre as ações aprovadas na assembleia, está a de paralisação das vendas de qualquer produto nos bancos. Um bancário reforçou a necessidade de engajamento de toda a categoria nesta ação.

“Esse é o momento para refletirmos e nos mobilizarmos, pois estamos decidindo sobre nossa vida. É importante conversar com os colegas bancários sobre como as negociações estão emperradas e por isso não devemos vender nenhum produto. Enquanto não afetar o bolso dos banqueiros, eles não vão sentir. É vexatório ficar implorando por algo que são nossos direitos. Os bancos exploram os bancários diariamente, adoecem trabalhadores, muitos chegam ao suicídio. Por isso, vamos reagir, temos que parar.  É venda zero!”, convocou o trabalhador.

“Todo bancário tem que aderir à ação de venda zero. É absurdo que com o lucro que os bancos têm eles apresentarem uma proposta indecente, vergonhosa. É de causar indignação”, disse outro bancário.

Confira a nota de repúdio contra o governador Casagrande e o diretor-presidente do Banestes, Amarildo Casagrande

Nota de repúdio contra censura do Banestes à campanha salarial dos banestianos

Os bancários e as bancárias do Espírito Santo maifestam indignação e repúdio ao governador do Estado, Renato Casagrande, e ao diretor-presidente do Banestes, Amarildo Casagrande, que decidiu recorrer à Justiça para censurar um vídeo da campanha salarial dos banestianos. A censura sequestra um direito legítimo e legal do Sindicato de empreender ações relacionadas à campanha salarial das banestianas e dos banestianos no âmbito da renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).

O Banestes obteve na sexta-feira (23) uma medida liminar da 5ª Vara Cível de Vitória, que determinou que os veículos de TV, rádio e sites de notícias retirassem do ar o vídeo produzido pelo Sindicato exclusivamente para a campanha salarial dos banestianos. No vídeo censurado a pedido do Banestes, uma atriz dramatiza um caso real de adoecimento mental de uma funcionária do Banestes vítima de assédio e outra atriz apresenta os dados da pesquisa sobre adoecimento mental realizada pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) com bancários da base capixaba.

Não por acaso, na minuta de reivindicações da Campanha Salarial Nacional, os bancários reivindicam o fim da cobrança abusiva de metas, instrumento que motiva o assédio moral e é gatilho do adoecimento mental epidêmico da categoria. Pesquisas recentes sobre o tema feitas pela Universidade de Brasília (UnB) e a Universidade Federal Fluminense confirmam o agravamento do adoecimento mental da categoria. Esses dados, aliás, têm sido utilizados na mesa nacional para cobrar ações da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), da qual o Banestes é integrante.

Essa escalada assustadora do adoecimento motivou o Sindibancários/ES a apoiar pesquisa sobre a saúde do bancário capixaba realizada pelo Departamento de Psicologia Social e do Desenvolvimento da Ufes. O resultado da pesquisa, finalizada em junho deste ano, comprova que a saúde mental dos bancários capixabas espelha a situação da categoria país afora.

Na mesa de negociações com o Banestes, em duas rodadas específicas sobre o tema saúde e condições de trabalho, nossa expectativa era de que a direção do banco se sensibilizasse com o grave problema, acolhesse a pesquisa e se propusesse a buscar, em conjunto com o Sindicato, soluções para melhorar a saúde dos seus funcionários. Mas o Banestes optou por uma posição negacionista, primeiro tentando desqualificar os dados da pesquisa na mesa de negociações e, em seguida, recorrendo à Justiça para censurar os dados científicos do estudo.

 No vídeo censurado, o Sindicato critica o governador e o diretor-presidente do banco para registrar a inércia da direção da instituição nas negociações. A comissão de negociações do Sindicato, desde o início da campanha salarial, já se reuniu oito vezes com o banco e até agora a direção do Banestes não apresentou respostas efetivas às reivindicações dos empregados.

Reiteramos nosso repúdio à postura autoritária do governador e do diretor-presidente do Banestes. O expediente da censura para coibir uma manifestação legítima dos trabalhadores vai sempre nos trazer lembranças das páginas mais infelizes da nossa história. Inspirado nos instrumentos do autoritarismo da ditadura, Renato Casagrande e Amarildo Casagrande confirmam que são avessos ao diálogo e preferem calar os trabalhadores a debater ideias. O Sindicato dos Bancários/ES se manterá firme no caminho da democracia e lutará contra todas as formas de censura, especialmente as que ferem os direitos dos trabalhadores. Vamos seguir convictos no propósito de construir uma proposta digna, que coloque a saúde das empregadas e dos empregados do Banestes sempre acima do lucro.