Os empregados do Banco do Estado do Pará (Banpará) já têm o que comemorar no Dia da Bancária e do Bancário. O presente chegou antecipado. Nessa terça-feira (27), a presidenta do banco, Ruth Mello, anunciou reajuste salarial de 4% de ganho real mais INPC ou Fenaban (o que for mais vantajoso para o empregado) ainda neste ano. Para 2025, o Banpará já garantiu 3% de ganho real mais INPC ou Fenaban. As negociações com o Banestes seguem na contramão das do Banpará. A direção do banco capixaba, após oito rodadas de negociações, se recusa a apresentar proposta às cláusulas econômicas da minuta do banestianos, alegando que irá aguardar a definição da mesa nacional com a Fenaban, que continua emperrada ante a proposta rebaixada apresentada pelos bancos. Mesmo as cláusulas sociais não avançaram nas tratativas com o Banestes.
Não bastasse a inércia na mesa, o diretor-presidente do Banestes, Amarildo Casagrande, com o aval do governador Renato Casagrande (PSB), ainda pediu à Justiça a censura de um vídeo da campanha salarial dos banestianos, que denuncia o caso de adoecimento mental de uma empregada do banco e traz dados da pesquisa da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) sobre a saúde mental dos banestianos.
Para Jonas Freire, da comissão de negociações do Sindibancários/ES, o avanço das negociações do Banpará mostram a dissonância entre as gestões dos dois bancos públicos estaduais. Segundo o dirigente, é a diferença entre uma gestão que valoriza seus empregados e outra que os ignora. “A mesa de negociações costuma ser o termômetro dessa relação entre direção e empregados. Se o Banestes reconhecesse e valorizasse o trabalho dos empregados, haveria um esforço político redobrado da direção do banco para negociar as propostas. A gestão do Amarildo, no entanto, demonstra zero vontade política de atender nossas demandas. Ao contrário, Amarildo, ao recorrer a um instrumento da ditadura para nos calar, confirma que é refratário ao diálogo”, afirma Jonas
Mais conquistas
A proposta do Banpará não se restringe ao aumento real de salário. O auxílio-alimentação sobe para R$ 3.000, com reajuste de 22,61%, estando garantidas as 13ª e 14ª (extra) cestas em 2024; e também para 2025.
O auxílio creche/babá terá o mesmo reajuste salarial: 4% de ganho real mais INPC ou Fenaban (o que for mais vantajoso) ainda neste ano. Para 2025 já fica garantido 3% de ganho real, na mesma regra. O auxílio de filhos e dependentes PcDs foi reajustado pelo banco em 6,68%, chegando em R$ 2.600. O banco apresentou percentual diferenciado para esta verba, embora acima da inflação projetada, pois alegou que em 2022 houve reajuste de 40%, alcançando média bem superior à do mercado.
Reajuste de 6% para 7% do lucro líquido a ser distribuído linearmente como PLR Social, para todo o funcionalismo, independente de função, ainda neste ano. Para 2025, o banco se comprometeu com o mesmo percentual, mas com a possibilidade de gatilho de mais 1%, chegando em 8% na PLR específica, desde que seja atingido o lucro de 70% maior do lucro a ser previsto para 2025. O pagamento da PLR será feito assim que fechar a regra nacional.
Já o anuênio vai aumentar para R$ 200, o que representa um reajuste de 34%. Com relação à promoção por merecimento – excepcional, todo funcionalismo salta um nível na tabela do PCCS em janeiro de 2025, adicionando mais 5% de ganho no salário base de todo o funcionalismo. O Acordo será submetido à categoria para aprovação. O Sindicato dos Bancários do Pará orienta os empregados pela aprovação.
Banestes e Banpará se equivalem
Alguns comparativos dos dois bancos apontam que as estruturas organizacionais são semelhantes, o que reforça a tese de que o Banpará tem uma política de gestão que valoriza mais seus empregados que o Banestes. No quadro abaixo, é possível comparar alguns indicadores.

Planos cargos e salários
O plano de cargos e salários (PCS) é uma das principais reivindicações do Banestes. A minuta apresentada ao banco propõe a construção de uma nova estrutura de cargos e remunerações visando corrigir distorções salariais e de mercado, que garantam a valorização do empregado por formação e tempo de serviço prestado. Uma condição inegociável para a criação de um novo PCS é a participação do Sindicato na construção da proposta. Entretanto, a diretoria afirma que já está desenhando um novo PCS, mas que não há previsão de término do projeto e tampouco de estimativa de implantação. O banco não admitiu a participação do Sindicato no processo de construção.
O Banpará, que respeita seus empregados, tem um plano de cargos e salários. Clique aqui e veja o PCS do Banpará e avalie se o Banestes está pagando a remuneração que você merece. Aliás, a comunicação do Banpará, ao contrário da do Banestes, é transparente e oferece todas as informações de pessoal. No site do Banpará é publicada a relação nominal dos empregados com os respectivas remunerações mês a mês, do técnico bancário à presidenta do banco. Clicando no link, é possível conferir a folha de pagamento mais recente.

