Mais uma proposta indecorosa dos bancos e mais um não da categoria

30/08/2024 07:50

Na rodada desta quinta (29), a Fenaban manteve a proposta rebaixada e ofereceu migalhas à categoria. Como resposta, recebeu mais um NÃO do Comando Nacional dos Bancários. As negociações entram nesta sexta-feira (30) como começaram: sem acordo

A rodada dessa quinta-feira (29) não avançou. Os bancos apresentaram mais uma proposta rebaixada e ouviram mais um sonoro NÃO do Comando Nacional dos Bancários. Desde terça-feira (27), quando se iniciaram essas rodadas mais decisivas, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) mantém a proposta rebaixada, muito aquém do ganho real de 5% que a categoria reivindica sobre os salários, vales refeição/alimentação e demais verbas remuneratórias. As negociações serão retomadas na manhã desta sexta-feira (30), último dia para a Fenaban sair desta posição de intransigência e buscar um acordo com os bancários na mesa de negociações.

O dirigente do Sindicatos dos Bancários/ES e um dos representantes do Comando na mesa de negociações, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), afirma que a intransigência dos bancos impede que as negociações avancem. “Rodada após rodada os bancos tentam nos enrolar e não respondem às nossas reivindicações. Quando vem uma resposta, é rebaixada. Eles iniciaram essas rodadas econômicas propondo 90% do INPC. É uma afronta, relutam para repor a inflação, que é obrigação. A indignação aumenta porque sabemos que a proposta rebaixada vem de um dos setores que mais lucram no país. Só em 2023 foram R$ 145 bilhões”. 

O dirigente diz que a cada nova rodada os bancos aumentam algumas migalhas, testando se a categoria vai aceitar a proposta. Na opinião de Carlão, a Fenaban não respeita a categoria na mesa de negociações ao apresentar propostas que impõem perdas ao trabalhador. “Se a rodada desta sexta-feira não avançar, é sinal de que os bancos não querem chegar a um acordo pela mesa de negociações. Se permanecer o impasse, a greve vai se materializando naturalmente como alternativa à intransigência dos bancos”, avaliou Carlão. 

Um dos piores reajustes
Segundo levantamento do Dieese, dos 9.604 setores no país que já firmaram acordos ou convenções, em 2024, apenas 12,8% foram escalonados, ou seja, por faixa salarial, como a Fenaban propôs. Além disso, mais de 85% tiveram aumento real médio de 1,54%, enquanto os bancos querem impor ganhos reais entre 0,09% e 0,23%.

A proposta que a Fenaban apresenta está entre as piores firmadas este ano no país. “Uma proposta mesquinha vindo de um setor gigante e lucrativo como o bancário”, af 

Não à proposta escalonada
O Comando reafirmou em mesa que não aceita qualquer proposta que divida a categoria, porque todos merecem um reajuste decente, se referindo ao reajuste escalonado por faixas salariais.

Os trabalhadores também seguem cobrando a entrega de respostas sobre demais reivindicações, entre elas aumento maior nos vales, melhoria da PLR, combate à terceirização, proteção do emprego bancário, direito à desconexão, suporte aos pais e mães de filhos com deficiência e aos funcionários com deficiência.

O Comando orientou a continuidade das mobilizações nas agências, escritórios e redes sociais. A assembleia segue agendada para a próxima quarta-feira (4) nas bases de todo o país.

Estado de greve
Durante toda a semana, a categoria em todo o país vem intensificando ações nas ruas e nas redes sociais para pressionar os bancos. Na última segunda (26), os bancários da base capixaba se reuniram em assembleia para avaliar as negociações com a Fenaban. A categoria no Espírito Santo aprovou o estado de greve. Isso significa que a partir de agora, a qualquer momento, a categoria está pronta para deflagrar uma greve geral.

Os bancários capixabas aprovaram também a estratégia de venda zero. A orientação é suspender a venda de todos os produtos bancários até que a Fenaban apresente uma proposta que valorize a categoria. Outro encaminhamento da assembleia foi cobrar do Comando Nacional um calendário com indicativo de greve nacional para a categoria.

Foto de capa: Henrique Guilherme/Contraf