Banestianas e banestainos se reuniram em plenária virtual na noite dessa terça-feira (03) para fazer uma avaliação da campanha salarial para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) e definir ações de mobilização em protesto à morosidade da direção do Banestes, sob o comando de Amarildo Casagrande, de apresentar proposta para a categoria. A plenária decidiu alterar o atual estado de atenção para estado de greve. “Isso significa que a categoria pode deliberar por uma paralisação a qualquer momento”, explicou Carlos Pereira de Araújo (Carlão), dirigente do Sindicato dos Bancários/ES e membro do Comando Nacional dos Bancários. Além do estado de greve, os banestianos também definiram ações para intensificar a mobilização e o engajamento à campanha nesta fase decisiva. Na quinta-feira (05), a orientação é que os banestainos e as banestianas se vistam de preto em protesto à inércia do banco na mesa de negociações. Foi orientado também que os funcionários boicotem a venda de produtos do Banestes.

Fenaban como escudo
Durante as negociações, iniciadas há mais de dois meses, explicou o dirigente do Sindicato Jonas Freire, a direção do Banestes recorreu ao argumento de que esperaria a definição da mesa nacional com a Fenaban para apresentar uma proposta em relação às cláusulas econômicas. “A questão é que as negociações relacionadas a outros eixos da minuta também não avançaram. Afinal, estamos negociando para renovar o acordo específico. Não há argumento que justifique a posição do banco de se esconder atrás da Fenaban para protelar uma resposta”. Jonas lembrou que já foram nove rodadas de negociações sem a direção do banco apresentar respostas efetivas às reivindicações. 

O dirigente fez um resumo da rodada que aconteceu horas antes da plenária. Mais uma vez, disse Jonas, o banco não apresentou proposta, mesmo após a Fenaban já ter encerrado as negociações no âmbito nacional no último sábado. “A única proposta do Banestes foi manter uma mesa permanente até sexta-feira [06], que pode se reunir a qualquer momento”. Além da agenda permanente, o banco informou que está estudando um modelo de plano de saúde para contemplar os aposentados que não conseguem arcar com as mensalidades da Banescaixa e estão deixando o plano. “Essa promessa já havia sido ventilada na mesa que discutiu a Banescaixa. Mas essa proposta também não veio por escrito. Enquanto não tem proposta na mesa, não tem nada concreto”, afirmou Jonas.

Eixos prioritários
No balanço das negociações, foram apresentados aos banestianos os eixos centrais que estão represados na mesa aguardando um posicionamento do Banestes:

  • aumento real de 10% acima do INPC. O Sindicato defende que a reivindicação é justa porque os banestianos acumulam perdas históricas. O ganho real sobre salários, vales alimentação/refeição e demais verbas remuneratórias é a única solução para mitigar essas perdas (veja o quadro).
  • REV – Remuneração Estratégica Variável – Sindicato reivindica REV linear e o fim das travas salariais como forma de garantir uma distribuição mais justa e igualitária para os empregados que ganham menos. O atual modelo favorece os altos salários e prejudica quem está na base da pirâmide salarial. Hoje, dos 2.200 funcionários do banco, mais de 700 não têm gratificação de função. Esse é o segmento mais prejudicado pelo atual modelo.
  • Plano de cargos e salários (PCS). A minuta reivindica que a discussão para a elaboração de um PCS seja em conjunto com o Sindicato e que os funcionários participem desse processo de construção do plano de carreira. O banco admitiu durante as negociações que está elaborando um PCS, mas não considerou fazer a discussão do plano de carreira com o Sindicato e com os empregados.
  • Banescaixa. O Sindicato cobra na minuta uma saída para os aposentados do banco, que estão deixando o plano porque não conseguem pagá-lo após se desligarem do banco, quando perdem o subsídio do patrocinador (Banestes). O Banestes informou que está desenhando uma solução para os aposentados. Mas o banco ainda não apresentou essa proposta por escrito. Também não atendeu a outra reivindicação relacionada ao plano, que é a abertura dos dados para que uma consultoria contratada pelo Sindicato possa fazer os cálculos e apontar quais são os gargalos da Banescaixa. Até agora a direção do Banestes nega o acesso aos dados, alegando sigilo das informações, mas essa argumentação legalmente não se sustenta.
  • Adoecimento da categoria. O Sindicato cobra posição do banco sobre o adoecimento mental da categoria. O tema está entre os eixos prioritários da categoria, porque envolve a saúde dos trabalhadores.
  • O Sindicato pediu também a regulamentação do home office, que continua sem critérios, deixando os funcionários vulneráveis a decisões intempestivas do banco, como a ocorrida no mês passado, quando o banco decidiu que todos os funcionários deveriam voltar para o presencial de forma intempestiva.

Banpará bancou aumento real
Ainda sobre o reajuste acima da inflação, o Sindicato questionou o banco de que é possível atender à demanda dos trabalhadores do Banestes. Jonas citou o caso do Banco do Estado do Pará (Banpará), que tem porte equivalente ao do Banestes. Antes mesmo do fechamento das negociações com a Fenaban, o Banpará anunciou aumento real de 4% acima do INPC e ainda antecipou que manteria os 4% mais o índice definido na negociação nacional. Já antecipou também mais 3% de aumento real para 2025. Foi destacado na plenária que falta vontade política do governador Renato Casagrande para o Banestes apresentar uma proposta que valorize os empregados. 

Enquanto o Banestes se esconde atrás da Fenaban, Banpará dá aumento real de 4% – Sindibancários ES

Relatos em tom de desabafo
Durante a plenária, dirigentes do Sindicato e bancários do Banestes criticaram a direção do banco e a postura do governador Renato Casagrande, responsável pela manutenção de Amarildo à frente do Banestes e fiador da linha de gestão avessa ao diálogo que o diretor-presidente vem imprimindo como sua marca de governança. 

“Parecia que o banco estava na mesa de negociação por obrigação. O tratamento que nos deram na mesa foi difícil. O Banestes tem totais condições de avançar em relação à proposta da Fenaban. O Sindicato organiza a mobilização, mas é fundamental que a base participe e se engaje na luta. A censura ao vídeo que denunciava um caso de adoecimento mental de uma funcionária é inaceitável. Registro aqui meu repúdio à iniciativa do Banestes de recorrer à Justiça para censurar o vídeo”. Claudio Merçon (Cacau) – Sindicato. 

“Falta vontade política do governador Casagrande. Ele poderia soprar no ouvido do Amarildo para que o banco apresente uma proposta melhor para os empregados. O que falta para Casagrande cumprir o termo de compromisso firmado com o Sindicato? Não dialogou conosco no primeiro mandato, e quando viu sua reeleição ameaçada por um adversário fascista, pediu novamente apoio. Assinou outro termo de compromisso, mas não o cumpriu também. Casagrande perde para o governador do Pará, Helder Barbalho, que é dessa linhagem de coronéis, mas que tem sido mais sensível às reivindicações dos empregados do Banpará. Depois do Banpará, a gente tem de parar” (Fabrício Coelho – Sindicato).

“Casagrande não prioriza mais o social. Só se aproximou do movimento sindical quando se viu pressionado, correndo risco de perder a reeleição. O governador também fez força para aprovar o projeto de lei que permite ao Banestes constituir novas subsidiárias com a iniciativa privada. Isso mostra que o direcionamento da gestão dele é outro, fragilizando a proteção do Banestes público e Estadual, que já não conta com o dispositivo que havia na Constituição Estadual, lembrando que a Fundação e a Banescaixa já perderam o patrocínio pleno, ficando somente patrocinio parcial e subsídio para os empregados ativos. ” *Ricardo Gobbi — diretor de Seguridade da Baneses.

“Sou de uma época em que o Banestes fechava o patrimônio líquido em R$ 49 milhões negativo. Hoje ultrapassa R$ 2 bilhões. É inconcebível que o banco não atenda à nossa proposta. Talvez a direção atual não saiba sobre esse tempo [de patrimônio de R$ 49 milhões negativo]. O banco precisa minimamente apresentar uma proposta igual à do Banpará” (bancário do Banestes).

“Na rodada sobre cláusulas econômicas, levamos para a mesa de negociações a técnica do Dieese que justificou nossas perdas históricas. Ela até comentou sobre o crescimento do patrimônio líquido do banco com uma ironia: ‘Quando o banco vai olhar para o crescimento do patrimônio líquido dos funcionários?’” (Jonas Freire – Sindicato).

“É muito importante que conquistemos um ganho real acima do INPC. O banco sabe que temos perdas salariais históricas que devem ser repostas. Quando vemos a proposta do Banpará temos certeza de que é possível atender às nossas reivindicações. Vamos conversar com os colegas, conscientizá-los de que nossa demanda é justa. Vamos criar um clamor dentro do banco para que nossa proposta seja atendida” (Paulo Soares – Sindicato).

“Precisamos de uma proposta de REV que respeite os funcionários. Pelo atual modelo, que não garante nem os 25% linear, não temos nem a garantia de que teremos REV este ano. O banco precisa respeitar seus funcionários atendendo aos termos da nossa proposta de REV linear e sem travas. reivindicamos também a regulamentação do home office” (Marcelo Giacomin – Sindicato).