A maioria dos empregados do Banestes rejeitou a proposta de Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) do banco. A assembleia de votação iniciada às 20h00 de ontem (12) e encerrada às 10h00 desta sexta-feira (13) confirmou a insatisfação dos empregados com a proposta. Participaram da votação virtual 960 empregados e empregadas. Foram registrados 522 (54,3%) pela rejeição da proposta e 430 votos (44,7%) pela aprovação, além de oito (0,83%) abstenções. Com a decisão da maioria, o Sindicato dos Bancários/ES está autorizado a retomar as negociações e encaminhar outros procedimentos legais a partir de agora.
Com a rejeição da proposta, o Sindicato já encaminhou ofício ao governo do Estado e à direção do Banestes para que as negociações sejam retomadas. “Como sempre enfatizamos, a categoria é soberana para decidir e a decisão foi pela rejeição da proposta. Orientamos na plenária pela rejeição porque entendemos que a proposta está muito aquém das reivindicações dos empregados e há margem para o banco avançar bem mais”, assinala o dirigente do Sindicato Jonas Freire.
O dirigente do Sindicato e membro do Comando Nacional dos Bancários, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), acredita que o banco sinalize pela retomada das negociações. “O Sindicato já tomou a primeira ação que é provocar a retomada das negociações. É importante que a direção do Banestes tenha sensibilidade para ouvir o clamor dos empregados, que estão insatisfeitos com a proposta”. Carlão destaca que a mobilização dos trabalhadores tem sido fundamental para a conquista de uma proposta melhor.
“A decisão da assembleia de rejeitar a proposta mostra a união e a força dos empregados, que deixam um recado para o banco: ‘não aceitamos essa proposta e queremos voltar a negociar’. Vamos manter a mobilização e engajar mais colegas. Uma outra proposta é possível. A luta continua”, completa Jonas.
Plenária
Na noite dessa quinta-feira (12) os banestianos voltaram a se reunir em plenária para analisar a proposta do Banestes. Os dirigentes reafirmaram a posição do Sindicato pela rejeição da proposta e apontaram os principais motivos. Jonas fez um resumo das negociações e lembrou que o banco ouvia as reivindicações, mas, rodada a rodada, não apresentava proposta. “A direção do Banestes adotou a estratégia de cozinhar o galo. Esperamos dez rodadas para finalmente ouvir a primeira proposta do banco, e ela veio rebaixada”, criticou Carlão. O dirigente disse que reivindicações centrais como o plano de cargos e salários, regulamentação do home office simplesmente ficaram fora da proposta. “E as que entraram, deixaram a desejar”. Ele acrescentou que a intransigência da direção do banco em seguir à risca a proposta de reajuste salarial da Fenaban está causando muita indignação nos empregados porque entendem que o banco não reconhece as perdas históricas.
O dirigente Marcelo Giacomin também chamou a atenção para as perdas históricas. Ele lembrou que o banco vem acumulando resultados recordes nos últimos anos. “A marca Banestes está consolidada no mercado capixaba. O banco está bastante sólido e se expandindo em áreas como cartão de crédito e financiamento imobiliário. Os funcionários sentem que o momento é propício para que o Banestes valorize seus empregados repondo as perdas históricas. Há espaço para o banco avançar na proposta”, assinalou.
O dirigente Paulo Soares destacou o plano de cargos e salário, solução para a Banescaixa e o ganho real para repor as perdas históricas como pontos que precisam ser renegociados com o Banestes. A também dirigente Vanessa Espíndula, que está na coordenação da comissão de negociações do Sindicato, disse que a questão econômica está no foco porque as perdas históricas são incontestáveis, mas lembrou que há outras críticas à atual gestão do banco. Ela afirmou que o Banestes tem se afastado da sua vocação social de banco público. Para Vanessa, a atual gestão se afastou do social e direcionou o banco para o mercado e isso se reflete na relação com os empregados. “A direção trata seus empregados como trabalhadores de bancos privados. O ambiente de trabalho, como não poderia ser diferente, é de insegurança e insatisfação”. Ela deu como exemplo a paralisação do processo de seleção interna. “Sem um plano de carreira, o único caminho para o empregado conseguir ascender dentro do banco é a seleção interna, que está parada”. Ela também apontou o adoecimento dos banestianos, especialmente o mental, como outro eixo discutido durante as negociações que não despertou interesse do Banestes.
Prática antissindical
O dirigente Fabrício Coelho chamou a atenção sobre a verdadeira blitz que a direção do Banestes fez para induzir os empregados a votarem a favor da proposta do banco. “A empresa não pode coibir a prática sindical. No meu entendimento, cabe dano moral coletivo. O Banestes claramente deliberou contra os interesses dos empregados”.
O assessor jurídico do Sindicato André Moreira, que acompanhava a plenária, confirmou que os elementos iniciais relatados apontam que houve assédio por parte do banco. O advogado afirmou que o Banestes pode ter violado a prática sindical. Moreira destacou que a Constituição Federal e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) proíbem práticas antissindicais no Brasil.
Claudio Merçon (Cacau), dirigente sindical que também participou de algumas rodadas de negociações com o Banestes, fez coro ao assédio do banco pela aprovação da proposta. “Esse posicionamento institucional do banco é inadmissível”. O dirigente afirmou ainda que o assédio do Banestes diz muita coisa. “Se o banco está precisando fazer campanha pela aprovação da proposta, é porque ela é ruim. Se a proposta fosse boa, o Sindicato seria o primeiro a orientar pela aprovação”, afirmou Cacau.

