O Itaú pode fechar o ano de 2024 com lucro acima dos R$ 40 bilhões. O retrospecto do ano vai apontando para esse novo recorde. O resultado do 3º trimestre atingiu R$ 10,6 bilhões. No acumulado de janeiro a setembro, o banco soma R$ 30,5 bilhões de lucro. Nos últimos três anos, o lucro do Itaú se manteve acima dos R$ 30 bilhões. Os lucros recordes foram impulsionados pela alta da Selic – aliada de primeira hora dos bancos. A gestão de Roberto Campos Neto à frente do Banco Central tem sido marcada pela manutenção da Selic em patamares acima de dois dígitos. “A Selic alta deixa o crédito mais caro. Excelente notícia para os acionistas dos bancos, que festejam a farra dos juros altos com dividendos cada vez mais generosos (veja gráfico abaixo). Enquanto uma minoria comemora a escalada dos juros, a classe trabalhadora sente os impactos no bolso”, afirma o dirigente do Sindicato dos Bancários/ES Carlos Pereira de Araújo (Carlão). 

A taxa Selic, que estava em 10,75%, subiu meio ponto nesta quarta-feira (06), passando para 11,25%.  BC deve anunciar a nova taxa. Com a Selic em 11,25%,  a taxa real de juros no Brasil fica na casa dos 7% – a segunda maior do mundo, atrás apenas da Rússia.

O dirigente diz que o mercado credita os resultados recordes do Itaú à eficiência do banco. “O pessoal da Faria Lima não conta que por trás dessas marcas recordes há um contingente cada vez maior de empregados adoecidos, muitos sofrendo de doenças mentais. As metas são as grandes vilãs desse modelo de gestão que adoece”, diz Carlão. 

Fechamento de postos de trabalho
Os lucros recordes não têm impedido o banco de fechar postos de trabalho e agências. No final de setembro, o Grupo Itaú contava com 86.863 empregados no país, ou seja, 334 postos de trabalho a menos em doze meses. Neste mesmo período, foram fechadas 207 agências físicas no Brasil. O objetivo é um só: reduzir custos para aumentar ainda mais as margens de lucro. Com menos pessoal, há uma sobrecarga de trabalho sobre os empregados. 

Nesse modelo de gestão do lucro pelo lucro, a tecnologia se tornou uma grande aliada dos bancos. Em 10 anos, os bancos mais que dobraram os investimentos em tecnologia. Segundo dados da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), há dez anos os bancos investiam aproximadamente R$ 20 bilhões em tecnologia. A expectativa é de que este ano os investimentos superem os R$ 47 bilhões. 

“Toda essa modernização, no entanto, não vem para melhorar as condições de trabalho do empregado. Ao contrário, a tecnologia tem sido usada como ferramenta de controle das metas. É o chicote virtual desse modelo neoliberal de gestão. Os avanços tecnológicos tornaram as relações de trabalho mais opressoras e hostis. O resultado, repito, é o adoecimento mental epidêmico da categoria bancária. O Itaú, como senhor absoluto do ranking dos que mais lucram, tem imposto esse modelo opressor de gestão com requintes de crueldade. Não é por acaso que o banco acumula resultados tão pungentes”, critica Carlão.  

Confira abaixo os resultados completos do Itaú do 3º trimestre de 2024