A Controladoria Geral da União (CGU) decidiu pela demissão por justa causa do ex-vice da Presidência de Estratégia e Pessoas (VIEPE) e de Logística e Operações (VILOP) da Caixa Econômica Federal, Antônio Carlos Ferreira de Sousa. A CGU tomou a decisão, publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira (22),  após confirmar diversas práticas vexatórias de humilhação, constrangimento e insinuação às vítimas entre os anos de 2021 e 2022, período em que a Caixa esteve sob a gestão de Pedro Guimarães, que também deixou a Presidência do banco pelo mesmo crime. Em 2023, Guimarães virou réu por sete acusações de assédio sexual e oito de importunação.

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Empregado de carreira desde 1989, Antônio Carlos era um fiel aliado da gestão assediadora de Guimarães. Após as denúncias contra Guimarães virem à tona em 2022, o ex-vice-presidente foi afastado do cargo em julho do mesmo ano. Mesmo com o escândalo, Antônio Carlos permaneceu na Caixa por ser empregado de carreira. Com a demissão, o ex-presidente fica proibido de exercer cargo comissionado por 8 anos. 

Homem de confiança de Bolsonaro, Guimarães só deixou o cargo porque os conselheiros de campanha temiam que o escândalo respingasse sobre a candidatura de Bolsonaro, principalmente no eleitorado feminino

Entulhos do governo Bolsonaro
A coordenadora-geral do Sindicato dos Bancários/ES, Rita Lima, afirmou que a demissão por justa causa de Antônio Carlos é um passo importante para responsabilizar os autores dessa prática de crime na instituição. Esses casos de assédio na gestão Pedro Guimarães deixam para sempre na história da Caixa uma marca indelével. Bolsonaro passou quatro anos destruindo o país e todos os dias nos deparamos com essa destruição, que está por toda a parte. O escândalo culminou com a saída de Pedro Guimarães. Agora retiramos mais um entulho dos escombros legado pela gestão Bolsonaro-Guimarães. As saídas de Antônio Carlos e Guimarães eram necessárias, mas é preciso que a Justiça avance e os responsabilize com a prisão”, pede Rita. No Brasil, a pena de prisão para assédio moral e sexual é de um a dois anos, além de multa. 

Perseguição aos empregados
Antônio Carlos aderiu de cabeça ao modelo de gestão assediadora de Pedro Guimarães. Ele tinha a missão de fazer o papel de fiscal do presidente da Caixa. O então vice produzia dossiês que incluíam informações sobre a vida privada dos empregados. Com as informações em mãos, o empregado era confrontado sobre suas amizades e escolhas políticas, ideológicas e mesmo religiosas. Empregados com um perfil classificado à esquerda sofriam represálias e não conseguiam progredir na carreira.

O processo demissionário de Antônio Carlos, pela gravidade dos fatos e relevância do cargo que ocupava, foi conduzido diretamente pela própria CGU. A correição foi aberta com base em denúncias das empregadas e dos empregados por meio do canal Contato Seguro da Caixa. As denúncias relataram perseguições, desrespeito, humilhação, destituições de cargos sem justificativa, ameaças, constrangimentos e assédio sexual.

Na Caixa desde 1989, Antônio Carlos foi cedido em 2003 ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), onde permaneceu até 2018. Em 2021, foi alçado à Vice-Presidência da instituição, onde esteve até julho de 2022, quando foi afastado até a conclusão das investigações.