Em julho, os bancários levaram às ruas o fantasma dos juros altos – Foto: Sérgio Cardoso

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de elevar a taxa básica de juros (Selic) em 1 ponto percentual, passando de 11,25% para 12,25% ao ano, coloca o Brasil em segundo lugar entre os países com maiores taxas reais de juros do mundo, só perdendo para a Turquia. O ranking é da consultoria MoneYou e foi divulgado pela Carta Capital. A taxa real de juros é resultado da Selic menos a inflação projetada para os próximos doze meses.

Na última reunião do ano encerrada nesta quinta-feira, 11, o Copom também projetou aumentos de um ponto percentual para as próximas duas reuniões, que ocorrerão em janeiro e março de 2025. Se for confirmada essa proposta, a Selic chegaria, portanto, a 14,25%, o maior nível em mais de oito anos.

“Essa taxa de juros é absurda. Às vésperas do final de ano, o BC aumentar a taxa de juros em um ponto percentual e prever mais dois aumentos é realmente algo que vai levar a um aumento do custo de vida. Quem não tem dinheiro, apela para o crédito, e vai ficar mais endividado. Quem ganha sempre são os rentistas, os banqueiros”, afirma a coordenadora-geral do Sindicato, Rita Lima.

O diretor de Imprensa do Sindicato, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), critica a autonomia do Banco Central e destaca que “essa é a herança maldita deixada pelo Governo Bolsonaro”. Ele lembra que “as altas taxas de juros prejudicam a classe trabalhadora e o próprio governo, porque a miséria e a fome vão aumentar, por um lado, e as políticas macroeconômicas do governo ficam inviabilizadas, por outro lado”. Para Carlão, “juros altos são a expressão brutal da acumulação de capital”.

Justificativas

No comunicado sobre a decisão, o Copom apontou como justificativa a piora nas expectativas do mercado sobre a inflação e depreciação do câmbio (valorização do dólar frente ao real). Mas esses argumentos são questionados. Dados oficiais sobre a inflação, divulgados ontem (10), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) perdeu força e fechou novembro em 0,39%, enquanto no mês anterior havia sido de 0,56%.

Presidência

Essa foi a última reunião de Roberto Campos Neto à frente do Banco Central. Indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, ele deixa a presidência em 31 de dezembro. A partir de janeiro, quem assumirá o BC é Gabriel Galípolo, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em agosto. O economista já atua na entidade, como diretor de Política Monetária, desde o ano passado.