A quinta-feira, 16 de janeiro, será um dia de luta e de luto dos funcionários do Banco do Brasil. Todos e todas devem vestir roupas na cor preta em protesto à reestruturação anunciada pelo BB no último dia 7, com medidas que estão gerando nos bancários insegurança sobre as movimentações.
A reestruturação atinge os caixas, assistentes e supervisores de atendimento. Com orientações desencontradas, o BB está gerando confusão, insatisfação e apreensão entre os funcionários. A diretora do Sindicato Goretti Barone diz que o processo de reestruturação não está claro. “O banco apregoa que é uma conquista, mas está deixando todo mundo estressado”, afirma.
Essa reestruturação está vinculada ao Programa Inova Varejo que o BB começou a implantar de forma experimental no Espírito Santo em meados de 2024. Uma das medidas do Inova foi a eliminação da função de caixa presencial nas agências da Reta da Penha e Ufes (Vitória), da Glória e de Itapoã (ambas em Vila Velha). O resultado dessa medida é o aumento da sobrecarga de trabalho nas agências que absorveram a demanda (agências da avenida Rio Branco e Jardim da Penha, em Vitória, e da Praia da Costa e do Centro, em Vila Velha), o que pode gerar queda na qualidade no atendimento à população.
Agora, com a reestruturação, não é segredo para ninguém que o banco está decidido a extinguir a função de caixa. A data-limite proposta do banco para o pagamento da gratificação de caixa é 31 de janeiro. Alguns funcionários terão a gratificação incorporada ao salário, outros não.
Triste notícia
Os bancários estão atormentados por todas essas mudanças.
“Hoje tive a triste notícia que não mais atuarei no caixa a partir de fevereiro. O caixa incorporado é quem deverá atuar e, na falta desse, será um assistente quem vai abrir [o caixa]. Foi dito que a minha agência necessita de apenas uma [pessoa] atuando [como caixa] e, nesse caso, deverá ser o incorporado. Sou caixa executivo nomeada há mais de doze anos, mas em 2017 só tinha cinco anos de caixa”, lamentou uma funcionária do BB.
Ela acrescentou: “Eu recebi um e-mail da Dipes falando que o fato de eu não ter sido incorporada não significa necessariamente que não poderei mais atuar no guichê. Já a orientação que o gestor recebeu foi diferente e me exclui dessa [possibilidade]”. A diretora Goretti Barone destaca que “isso mostra o desencontro de informações dos setores do Banco do Brasil”.
Outro bancário que entrou em contato com o Sindicato afirmou: “é um absurdo o que o banco está fazendo, principalmente com os caixas. No meu caso, recebi e-mail informando sobre a incorporação da gratificação, pois eu já tinha dez anos na função quando da reforma trabalhista. Porém, estou em um grupo com caixas de todo país e vários colegas que também já tinham mais de dez anos não tiveram a incorporação. Está uma confusão. Estou triste pelo que está acontecendo com o funcionalismo. O banco está extinguindo uma função que ainda é muito demandada”.
Dúvidas
O Sindicato orienta que, em caso de dúvidas, o funcionário acesse o serviço Fale com a Gepes. Também é importante enviar ao Sindicato as demandas e as dificuldades encontradas, assim como informações sobre pressão de gestores.

