O Bradesco fechou 2024 com lucro líquido de R$ 19,6 bilhões. O resultado é 20% maior em comparação ao lucro de 2023. No quarto trimestre de 2024, o lucro foi de R$ 5,4 bilhões, o que representa um um crescimento 3,4% em relação ao trimestre imediatamente anterior. O retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) do banco ficou em 11,7%, com acréscimo de 1,7 p.p. em 12 meses. Embora o lucro tenha crescido 20%, o Bradesco intensificou as demissões e o fechamento de agências no ano passado. Foram desligados 2,2 mil empregados nos últimos 12 meses. Além das demissões, o Bradesco fechou 390 agências, 903 postos de atendimento e 92 unidades de negócios.
Sobre o fechamento de postos de trabalho, o dirigente do Sindicato dos Bancários/ES Fabrício Coelho lembra que o banco tem atualmente cerca de 72 mil bancários. Incluindo as empresas do holding, são 84 mil funcionários. “Independentemente das oscilações dos resultados, o Bradesco e os demais bancos, de maneira geral, seguem a tônica de alta lucratividade e rentabilidade. Esses resultados são demasiadamente díspares à realidade da maioria da população brasileira. Mesmo com lucro 20% maior em comparação a 2023, o banco mantém seu processo de reestruturação, onde o trabalhador, o ser humano, não é prioridade. O banco segue demitindo e fechando agências, precarizando as relações de trabalho dos seus funcionários e especialmente dos correspondentes bancários”, critica Fabrício.
Antecipação de PLR
O dirigente cobra do banco a antecipação do pagamento da PLR. “Esperamos que o Bradesco pelo menos antecipe o pagamento da PLR e não faço jogo com o dinheiro dos bancários, esperando a data limite do Acordo Coletivo de Trabalho para fazer o pagamento. O debate que nós fazemos com os trabalhadores é que o limite da lucratividade do banco não seja a PLR – a distribuição desse diminuto naco do lucro do banco que é paga aos funcionários. Mas o debate que nós fazemos é o que isso representa para a sociedade. É inaceitável que uma instituição com dezenas de milhares de trabalhadores, que há alguns anos chegou a ter mais de 100 mil funcionários, simplesmente feche postos de trabalho sem dialogar com a sociedade, com o governo ou com o movimento sindical”, afirma o dirigente.
Fabrício acrescenta que além da irresponsabilidade social do banco em relação às demissões em massa, o Bradesco articulou, juntamente com outras instituições parceiras da Fenaban, ações políticas para alterar a legislação com intuito de retirar direitos dos trabalhadores. “Caso da reforma trabalhista, que foi fortemente apoiada pelas grandes instituições financeiras do país. Com a reforma, por exemplo, os trabalhadores perderam o amparo que tinham na legislação contra a demissão em massa”.
Para o diretor do Sindibancários, a sociedade tem de debater a taxação das grandes fortunas e a redução das desigualdades sociais. “É preciso pôr limite na farra do lucro das empresas que fazem parte do sistema financeiro nacional em detrimento das prioridades mais básicas da população brasileira”, sublinha.
Confira a demonstração financeira do Bradesco elaborada pelo Dieese


