Após a divulgação do lucro recorde de R$ 392 milhões em 2024, o Banestes anunciou o pagamento da Remuneração Estratégica Variável (REV), que é calculada a partir do resultado do banco. O atual modelo tornou a REV mais igualitária, favorecendo os bancários que não têm gratificação de função e ganham salários menores. A REV aprovada no Acordo Coletivo de Trabalho 2024-2026 começa a fazer a distribuição a partir de 80% do atingimento da meta (antes era 94%) e estende o limite até quatro rendas. A mudança favorece principalmente os empregados com os menores salários, que devem receber em média 3,3 rendas.
“Primeiramente é importante destacar que o atual modelo foi uma conquista do Sindicato dos Bancários e dos banestianos durante as negociações da campanha salarial do ano passado”, sublinha a dirigente do Sindicato Vanessa Espíndula. Ela explica que o Sindicato reivindicava na mesa de negociações o pagamento da REV linear e sem limite de renda para todos os empregados. “A REV cem por cento linear não veio, mas o modelo conquistado a partir da nossa reivindicação, representou um importante avanço para os empregados que ganham menos na cadeia de salários. Se o objetivo era uma REV mais justa, podemos dizer que avançamos. Acho que os banestianos comprovaram isso na prática na hora que abriram os contracheques”, afirma o dirigente Jonas Freire.
Entre as campanhas salariais de 2022 e 2024, os empregados tiveram três modelos diferentes de REV. O de 2022 era o pior entre os três. Para pagar 1,5 de renda ao empregado, o banco precisava atingir de 100 a 150% da meta orçada. Para chegar a 3 rendas, precisaria passar de 168%. O dirigente do Sindicato Marcelo Giacomin recorda que o resultado de 2022, que foi muito acima da média, acabou mascarando o quanto o modelo era ruim para os empregados. “De 2021 para 2022, o lucro do Banestes saltou de R$ 259 milhões para R$ 330 milhões. Esse aumento de mais de 27% de um ano para o outro acabou distribuindo uma REV de R$ 43,4 milhões, resultado bastante fora da curva, se considerarmos que o lucro recorde de R$ 392 milhões distribuiu R$ 48 milhões de REV”, afirma Marcelo.
No ano seguinte, porém, a própria direção do Banestes propôs um aditivo para reformar os parâmetros da REV. “Quando nos chamaram para assinar o aditivo, o próprio banco admitiu que os empregados ficariam sem REV se o modelo fosse mantido”, recorda Vanessa. De 2022 para 2023, o lucro cresceu apenas 12,4%. O resultado inviabilizaria a REV. O aditivo mudou o percentual de superação do lucro líquido orçado para 94%, mas manteve o teto de 3 rendas. “Esse modelo, questionado pelo Sindicato na mesa de negociações, acabava beneficiando os maiores salários e prejudicando os menores”, aponta Vanessa.
O modelo atual definiu em 80% a superação do lucro líquido orçado e a elevação do limite de renda de 3 para 4. Jonas destaca, mais uma vez, que o atual modelo faz mais justiça com quem ganha menos, mas lembra que a reivindicação do Sindicato, aprovada pelos banestianos na Conferência Estadual, propunha a REV cem por cento linear. “Se nosso pleito fosse aprovado, os 2.100 empregados do Banestes estariam recebendo agora cerca de R$ 23 mil cada de REV linear”, aponta o dirigente.
A tabela abaixo simula a comparação da REV a partir dos três últimos modelos. Para construir o exemplo, foram considerados o resultado de 2024 para um técnico bancário com remuneração de R$ 4.093,79. Confira!


