Mil mulheres do MST ocupam área da Suzano em Aracruz

13/03/2025 10:02

A ação integra a Jornada de Lutas das Mulheres Sem Terra – cujo lema é “Agronegócio é violência e crime ambiental, a luta das mulheres é contra o Capital”

Cerca de mil mulheres do Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocupam desde a madrugada desta quinta-feira, 13, uma área da empresa Suzano Papel e Celulose no município de Aracruz, na entrada da Vila do Riacho. A ação integra a Jornada de Lutas das Mulheres Sem Terra – cujo lema é “Agronegócio é violência e crime ambiental, a luta das mulheres é contra o Capital” – e denuncia as práticas criminosas da Suzano.

“Além da grilagem de terra, a monocultura de eucalipto e os impactos ambientais provocados pela empresa com a grande utilização de agrotóxicos são algumas dessas práticas”, afirma Eró Silva, da direção nacional do MST. Ela destaca que essas terras poderiam ser usadas para plantação de alimentos, mas são destinadas à monocultura de eucalipto, colaborando para a crise climática.

As Sem Terra defendem a reforma agrária popular como caminho para o enfrentamento à fome, à violência no campo e à crise ambiental. “Defendemos a estratégia de pensar uma outra sociedade, com organização social e coletiva dos trabalhadores do campo. A reforma agrária popular não é só distribuição de terra”, diz Eró.

O MST afirma que, “para alcançar justiça social e ambiental no campo e na cidade, é preciso o assentamento das famílias que querem produzir comida e não commodities”.

Segundo o movimento, são 22 áreas em conflito com a Suzano no Espírito Santo, extremo-sul da Bahia e Minas Gerais. No restante do país, outras terras são reivindicadas pelo MST. “São áreas que foram griladas pela empresa e já estavam em negociação com Incra [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária] para criação de assentamentos para os sem terra. Há um grupo nacional discutindo com a Suzano, mas nenhum avanço houve até o momento”, diz a dirigente do MST.

Tempo indeterminado

A ocupação das terras da Suzano começou na madrugada desta quinta-feira. Segundo Eró, o acampamento é por tempo indeterminado, até que a Suzano dê resposta positiva sobre as 22 áreas reivindicadas. “Estamos na fase de organização do assentamento, das barracas. Essa ação Sudeste fortalece a luta em reivindicação das áreas que a Suzano precisa destinar para os assentamentos”, reforçou Eró Silva.

O clima no acampamento é de tranquilidade até o momento. A Polícia Militar esteve no local observando o movimento, assim como trabalhadores da segurança privada da empresa.

Em nível nacional, as conversas com o Incra já estão acontecendo nesta manhã, ainda sem informações dos resultados.

 

Fotos: Sérgio Cardoso