Banestes não substitui empregados que saíram no PDV e suspende seleção interna

25/06/2026 09:17

O Sindicato vê essa atitude do banco com muita preocupação, pois os PSIs são uma conquista dos banestianos e banestianas no Acordo Coletivo e a única forma de promoção democrática dos funcionários

A sobrecarga de trabalho nas agências e departamentos do Banestes é grave, e a direção do banco não adota as medidas cabíveis. Além de não chamar os aprovados no último concurso público para substituir os bancários que saíram no Programa de Desligamento Voluntário (PDV), lançado sem nenhum planejamento de reposição do quadro, o banco está nomeando para as funções empregados sem cumprir o Acordo Coletivo que prevê Processo de Seleção Interna (PSI). Em comunicado enviado aos funcionários em fevereiro, por exemplo, o gerente-geral de Recursos Humanos, Alexandre Carlquist, comunicou a suspensão por tempo indeterminado do PSI para a função de Assistente de Controles Internos.

“O Sindicato vê essa atitude do banco com muita preocupação, pois os PSIs são uma conquista dos banestianos e banestianas no Acordo Coletivo e a única forma de promoção democrática dos funcionários – mesmo com todos os problemas de tentativa de direcionamento de vagas, uma prática muito comum dentro do banco. O funcionário que recebe uma promoção, mesmo que interina, fica refém do seu gestor, diferente de um selecionado, que tem mais autonomia para desenvolver seu trabalho”, afirma a diretora do Sindicato Vanessa Espíndula.

Em janeiro, o Sindicato enviou ofício ao Banestes pedindo reunião urgente para tratar de dotação e condições de trabalho nas agências. O pedido só foi atendido depois da paralisação da Agência Central, onde a situação estava insustentável. A ação visou denunciar a falta de funcionários em várias agências da Grande Vitória e interior do Estado e em departamentos da Direção Geral. “Antes, logo no segundo dia do ano, o Sindicato teve que fechar a agência Maruípe, porque cinco funcionários saíram no PDV e a unidade estava abrindo com apenas quatro funcionários”, lembra Espíndula.

Ela conta que na reunião com o Sindicato, a direção do banco não demonstrou nenhum interesse em repor o quadro desligado no PDV. “Mesmo assim, conseguimos acordar de enviar uma lista com os locais onde havia mais urgência de reposição de funcionários. O banco ficou de fazer ajustes internos para os funcionários envolvidos no Projeto de Implantação da 4966 [norma 4966 do Banco Central] voltarem para suas funções e convocar os bancários aprovados em seleção interna para gerente de Relacionamento, Administrativo e de Expediente. Após esse acordo, o Sindicato recebeu denúncias de várias transferências unilaterais, sem considerar as condições de deslocamento dos empregados. Essas transferências foram em regime de substituição, ou seja, não houve a reposição do quadro de fato. A implantação da 4966 já foi concluída e o banco não resolveu o problema”.

Em fevereiro, novo ofício foi enviado ao gerente-geral de RH, solicitando novamente providências sobre a dotação e as condições de trabalho nas agências. Em março, mais uma manifestação do Sindicato para Carlquist afim de tratar da reposição dos bancários que saíram no PDV, mas nada efetivamente foi feito pelo banco.

“A rede de agências é a mais afetada pela falta de funcionários. Há reclamações de que os bancários não podem se afastar para tratamento de saúde, abonos ou férias devido à escassez de funcionários. Percebemos uma forte solidariedade entre os empregados para tentar não sobrecarregar seus colegas, porém, mesmo assim, são muitas as demandas, tanto dos clientes presenciais, que ficam esperando na agência várias horas para serem atendidos, quanto das que chegam por canais eletrônicos, como chats, e-mails, WhatsApp e telefone”, diz a diretora do Sindicato.

PCS

Não bastasse tudo isso, o Banestes apresentou em 31 de janeiro ao Sindicato um Plano de Cargos e Salários (PCS) muito aquém do esperado pelos empregados. “O PCS, além de abrir portas para a terceirização das funções gerenciais e de gestão do banco, impõe metas individuais, ainda não detalhadas, e ainda prevê a demissão sem justa causa de funcionários concursados, prática que tem se tornado recorrente na atual gestão de Amarildo Casagrande [presidente do Banestes]”, destaca Espíndula.

Para a diretora do Sindicato, “todos esses problemas fazem parte de um novo modelo de gestão que o banco vem impondo aos funcionários desde o início de 2019. Com a pandemia e os avanços tecnológicos produzidos nesse período, ficou mais fácil para o banco criar ferramentas de controle e medir, mesmo que subjetivamente, a performance dos funcionários. Sistemas de metas condicionadas a lucro recorrente e crescente é o carro-chefe dos banqueiros. E o Banestes, mesmo sendo um banco majoritariamente público, vem adotando com força as práticas gestão para o lucro utilizadas pela iniciativa privada. O problema é que essas práticas não levam em consideração as condições de saúde e o desenvolvimento pleno e humano dos funcionários, nem a responsabilidade social do banco para com toda a sociedade, pilares fundamentais de um banco público”.

Na avaliação de Espíndula, “a gestão autoritária de Amarildo é um desafio para nós, banestianos e banestianas. Precisamos unir nossas forças e fazer o enfrentamento necessário para que o Banestes não seja só mais um banco preparado para a privatização. A precarização do trabalho, facilitada pelas reformas trabalhistas e previdenciária, é um prato cheio para governos privatistas. Nesse pacote está incluído evitar o diálogo com o Sindicato, que é representação formal de todos os funcionários do banco”.