Nesta quarta-feira (16), a Caixa de Previdência das Funcionárias e Funcionários do Banco do Brasil (Previ) completou 121 anos e por todo o país foram realizados atos em defesa da entidade e protestando contra os ataques que o fundo de pensão vem recebendo nos últimos meses.

Desde o início desse ano, a Previ passou a sofrer uma série de ataques partindo de uma manobra via Tribunal de Contas da União (TCU). Em fevereiro, o ministro Walton Alencar Rodrigues conseguiu que os demais membros da Corte aprovassem uma auditoria do Plano 1 e da gestão da Previ, justamente num período de 2024 em que as aplicações da entidade sofreram o impacto do mercado financeiro.

Para esta auditoria, a Previ entregou mais de 2 mil documentos para a AudBanco, entidade responsável pelo TCU por fazer as análises técnicas. O resultado preliminar, divulgado no início deste mês de abril, foi de que os investimentos da Previ estão alinhados às políticas de investimento e em conformidade com a resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN). A AudBanco apontou ainda que, entre 2023 e 2024, não houve mudança abrupta nas estratégias de investimento do fundo, além de atribuir o déficit de 2024 à conjuntura econômica adversa e não a desvios de conduta.

Apesar desses resultados, o ministro Walton Alencar Rodrigues desconsiderou a base técnica do relatório preliminar da AudBanco e decidiu reverter o processo em auditoria plena, propondo ainda que as associadas e associados da Previ, que são os funcionários do BB, sejam retirados da gestão do fundo de pensão para dar lugar à iniciativa privada.

De acordo com Goretti Barone, diretora do Sindibancários/ES, ao longo de todos esses anos, a Previ sempre foi responsável em gerir o patrimônio que garante os benefícios do funcionalismo do BB, com muito zelo e aperfeiçoando sua atuação. “A Previ foi criada em 1904 por um grupo de bancários do BB, e assim deve permanecer, com o objetivo de cuidar dos interesses de seus associados. Sua história tem sido marcada pelo dinamismo e espírito coletivo, que desperta os olhares ambiciosos do mercado. Temos percebido nas últimas décadas que este processo vem se intensificando e transparece até nos processos eleitorais”, critica Barone.

A Previ segue como uma das instituições mais bem estruturadas e respeitadas do sistema de previdência complementar brasileiro. Possui governança reconhecida, mecanismos de controle rigorosos e um corpo técnico qualificado. Defender a Previ, hoje, é defender a autonomia dos fundos de pensão, a soberania dos trabalhadores sobre seu futuro e o direito à aposentadoria segura.

“Fiquemos atentas e atentos, busquemos informações precisas e de fontes confiáveis. É fundamental continuar cuidando de nossa Caixa de Previdência, e cada vez mais acompanhar a sua trajetória sem nos distanciar do seu princípio, que é o cuidado de todos nós, associados e associadas. E, para preservar este nosso patrimônio, é essencial que a gestão continue sendo feita por nós”, ressalta Barone.

Acesse a edição especial do jornal O Espelho, produzido pela Contraf, com mais informações sobre o que está em jogo nessa disputa pela gestão da Previ. Atualmente, a Previ gerencia mais de R$ 270 bilhões de 200 mil associados e associadas. O que está nítido, nesses ataques, é o interesse do setor privado de retirar os associados da gestão e controlar os recursos de trabalhadores do BB.

Portanto, nesses 121 anos da Previ, funcionárias e funcionários do BB resgatam a memória daqueles que a conceberam, e, parabenizam todas as gerações que, com muito empenho, dedicação e profissionalismo, souberam conduzi-la para que pudéssemos garantir e presenciar sua longevidade.