Estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta que entre 2023 e 2024, 74% dos afastamentos acidentários (B91) dos empregados e empregadas da Caixa Econômica Federal foram motivados por transtornos mentais e comportamentais. Os dados superam o índice de afastamentos do setor bancário, que é de 57% no mesmo período analisado. A média de afastamentos por doenças mentais da classe trabalhadora em geral gira em torno de 6%. O estudo foi uma demanda da Fenae para marcar o Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho e Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho, ambos lembrados em 28 de abril.
Para a coordenadora-geral do Sindicato dos Bancários/ES e dirigente da Fenae, Rita Lima, o adoecimento mental da categoria bancária é um assunto central para o movimento sindical, sobretudo por causa da dimensão dos números. “O adoecimento mental afeta toda a classe trabalhadora, mas em algumas categorias a situação é ainda mais grave, é o caso da bancária. Esse modelo de gestão dos bancos baseado em metas é uma das causas da escalada das doenças mentais e comportamentais da categoria. Causa mais preocupação saber que o quadro de adoecimento mental das empregadas e dos empregados da Caixa é ainda mais alarmante. A pesquisa do Dieese apontou que de cada 10 afastamentos acidentários e previdenciários, sete estão classificados como doenças mentais. Esse dado é perturbador”, diz Rita.
Outro dado do estudo que chama atenção e gera mais preocupação com a saúde mental dos empregados da Caixa é o somatório das licenças por acidente de trabalho (B91) e por tratamento de saúde (B31) por doenças mentais e comportamentais, que cresceu quase 50% nos últimos dois anos, saltando de 1.629 casos em 2022 para 2.417 em 2024 (veja quadro abaixo).

A comparação histórica expõe a gravidade do cenário – em 2014, o banco registrava 749 afastamentos acidentários e previdenciários (B91 + B31) por doenças ligadas à saúde mental. Em 2024, o somatório dos afastamentos pelo mesmo motivo subiu para 2.417, representando um aumento de cerca de 223% em 10 anos.
Segundo o levantamento, as principais causas dos afastamentos por saúde mental na Caixa, em 2023 e 2024, foram: reações ao stress grave e transtornos de adaptação, que somaram 12,3%; episódios depressivos, que corresponderam a 24% dos afastamentos e outros transtornos ansiosos, representando 31,9% dos casos.

