Mais um recorde histórico para a conta do Itaú-Unibanco. O banco registrou lucro líquido gerencial de R$ 11,1 bilhões no primeiro trimestre de 2025, um crescimento de 13,9% em relação ao mesmo período de 2024. Comparado ao trimestre anterior (4T24), o aumento foi de 2,2%. É a primeira vez que um banco brasileiro atinge a marca de mais de R$ 11 bilhões em um único trimestre.
De acordo com relatório divulgado pelo próprio Itaú, o desempenho foi impulsionado pela expansão de 13,9% na margem financeira com clientes, reflexo do crescimento da carteira de crédito, da maior margem com passivos e da remuneração do capital de giro próprio. O resultado também foi beneficiado pelo aumento das receitas com prestação de serviços, expansão no setor de seguros e redução nas despesas não relacionadas a juros.
Apesar do aumento no lucro e na rentabilidade, a instituição financeira segue fechando agências e postos de trabalho. Em 12 meses, o Itaú fechou 222 agências no Brasil e promoveu a segmentação das contas bancárias, excluindo 1,4 milhão de clientes, encerrando março de 2025 com 99,2 milhões de correntistas. “A lógica aqui é encerrar as contas de clientes que não interessam mais ao banco e fazer foco nas contas graúdas. É processo de elitização da clientela”, explica Carlos Pereira de Araújo (Carlão), diretor do Sindicato dos Bancários/ES e membro do Comando Nacional dos Bancários.
Hiperexploração e desvalorização dos empregados
Para Carlão, o banco alcança lucros recordes à custa da hiperexploração e desvalorização de seus empregados. “A essência desse lucro é construída em cima do adoecimento mental dos trabalhadores, das metas abusivas e demissões. Essa é a estratégia agressiva do banco para alcançar resultados recordes seguidos. Os salários dos trabalhadores são baixos, desproporcionais à rentabilidade do banco. Os empregados não têm perspectiva profissional, de carreira e aposentadoria”, critica.
O dirigente avalia ainda que o resultado extraordinário e histórico do primeiro trimestre do banco é reflexo das altas taxas de juros no país e do endividamento das famílias brasileiras. “O Itaú, como um dos principais compradores de títulos públicos, beneficia-se diretamente da especulação e festeja a ciranda dos juros altos da economia. Com A Selic a 14,75%, temos a maior taxa real de juros do mundo. Isso é causa direta do endividamento das famílias. Uma verdadeira armadilha financeira que sufoca e endivida o povo. É isso que garante o lucro do Itaú”, pontua Carlão.
PCR: proposta indecorosa e distante do lucro bilionário
Em abril deste ano, a Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú se reuniu com representantes do Banco Itaú para negociar o Programa Complementar de Resultados (PCR) – programa de remuneração variável voltado para os funcionários que permite a “distribuição” dos lucros. No primeiro encontro, o banco ofereceu a seguinte proposta para o reajuste do PCR:
• 2025 – Reajuste do INPC (4,17% em janeiro)
• Até 23% de ROE: R$ 3.831,48
• Acima de 23% de ROE: R$ 4.016,15
• 2026: Reajuste conforme a categoria.
Diante da proposta indecorosa, a COE prontamente rejeitou a proposta e convocou nova reunião. “É inaceitável que um banco que vem acumulando resultados recordes de lucro ano após ano, apresente uma proposta tão rebaixada. No ano passado, o Itaú rompeu a casa dos R$ 40 bilhões de lucro, um recorde histórico. Apesar da pungência dos números, a valorização do empregado não é uma prioridade para o banco”, criticou, à época, o dirigente do Sindicato dos Bancários/ES e membro suplente da COE, Alcendino Anderson dos Santos (Sãozinho).
Com a rejeição, foi convocada nova rodada de negociação que ocorreu em 25 de abril. Na mesa, o banco propôs o reajuste de 6,25% (inflação de março mais 1%) e ROE de 22,1%. Os valores propostos por faixa ficaram assim:
• Primeira faixa (ROE até 22,1): R$ 3.908,05
• Segunda faixa (ROE acima de 22,1): R$ 4.096,42
O banco também apresentou uma alternativa: aplicar o reajuste da categoria, negociado para setembro, no valor da PCR pelos próximos dois anos, mantendo o ROE em 22,1. “Apesar da proposta não ser a que queríamos, os representantes da COE avaliaram que houve um aumento significativo em relação à primeira proposta apresentada pelo banco. Fruto da pressão dos sindicatos, conseguimos avançar na negociação”, afirmou Valeska Pincovai, coordenadora da COE Itaú.

