O Bradesco divulgou na última semana seus resultados do primeiro trimestre de 2025 e surpreendeu as expectativas do mercado – mas não as do movimento sindical, que tem denunciado continuamente o modelo de gestão que intensifica demissões e fechamento de agências. O banco registrou lucro líquido de R$ 5,8 bilhões, o que representa um crescimento de 39,3% em relação ao mesmo período de 2024 e de 8,6% em comparação ao trimestre anterior.
Segundo o relatório, o desempenho positivo foi impulsionado pelo aumento do resultado operacional em 51,5% no ano, com destaque para o crescimento da receita (+15,3%), da margem financeira (+13,7%) e da margem com clientes (+15%), alimentado em parte pela expansão da carteira de crédito.
Por outro lado, a instituição demitiu 657 trabalhadores apenas no primeiro trimestre do ano. Nos últimos 12 meses, o banco eliminou 2.269 postos de trabalho, justificando os cortes como uma estratégia de “ajuste no custo de servir” e “reforço nas áreas de tecnologia, operações e negócios”. Além disso, foram fechadas 420 agências, 891 postos de atendimento e 81 unidades de negócios.
“Essa justificativa do banco é, em outras palavras, descaso com a economia, com o emprego e com o atendimento à população em relação aos serviços financeiros. O banco aposta na terceirização, precarizando cada vez mais o trabalho, expande as demissões e o fechamento de agências e direciona clientes para o autoatendimento virtual e para os correspondentes bancários. Aperta cada vez mais os poucos bancários que restam, obrigando-os a bater metas e transformando-os em vendedores”, critica Fabrício Coelho, dirigente do Sindicato dos Bancários/ES.
Virtualização do sistema financeiro
Para o sindicalista, ao adotar a redução de pessoal com as demissões em massa e investir na virtualização, o banco prioriza o lucro em detrimento das pessoas: “Esses números mostram a dessintonia do banco com a população e com o mundo do trabalho – e, ao mesmo tempo, revelam sua sintonia com a lógica do mercado financeiro, que busca cada vez mais lucros com cada vez menos custos”, afirma.
Fabrício também refuta a ideia de que o serviço bancário se tornou totalmente virtual: “Essa ideia de que ‘agora tudo se resolve pelo aplicativo’ e que ‘não há mais trabalho humano’ é falsa. Há muitos trabalhadores envolvidos – em call centers, terceirizados, correspondentes bancários e até autônomos no sistema financeiro. Esse ‘ajuste’ do Bradesco é uma tentativa de competir com bancos que têm rentabilidade similar, mas com menos funcionários. É uma tentativa de competir ombro a ombro com essas outras instituições”, conclui.

