Circula não oficialmente entre os empregados e as empregadas da Caixa Econômica a informação de que o banco estaria realizando “Ação consultiva-ReprogAME Sua Trajetória” para que caixas e tesoureiros possam replanejar suas carreiras. Ainda sem o posicionamento oficial da Caixa saber se é fato ou boato, a informação vem gerando apreensão na categoria. Em razão do clima de incerteza criado em torno da informação, a Contraf enviou um ofício para a Caixa pedindo a confirmação se de fato existe uma reestruturação em curso das funções de caixa e tesoureiro executivos (CAEX e TEX).

A informação de bastidores indica que há um treinamento presencial para empregados (indicados por seus gestores), que manifestem a necessidade de repensar sua trajetória profissional. “Pelas informações que nos foram passadas, o ‘treinamento’ é, na verdade, uma forma de fazer com que caixas e tesoureiros reflitam sobre sua carreira”, disse o coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, Felipe Pacheco.

Na avaliação de Ronan Teixeira, que representa o Sindicato dos Bancários/ES na CEE-Caixa, esse tipo de ruído na comunicação gera um grande estresse para os empregados. “Os colegas acabam ficando em dúvida e passam a questionar o Sindicato sobre a veracidade da informação. Nossa posição na CEE é sempre em defesa da transparência na comunicação entre a instituição e a representação dos trabalhadores para que os bancários não sejam surpreendidos com mudanças sem aviso prévio que lhes afetem diretamente”, pontuou Ronan. 

Segundo Ronan, a expectativa é de que a informação seja apenas boataria. “Causaria grandes surpresa na representação dos empregados se descobríssemos que a Caixa está com um processo de reestruturação em andamento à margem do que está sendo discutido na mesa de negociações. É importante destacar que essa pauta dos caixas e tesoureiros está na mesa de negociação desde a campanha salarial do ano passado”, diz o dirigente do Sindibancários.

Na mesa de negociação da campanha ficou acordado que a questão dos caixas e tesoureiros seria solucionado em até 50 dias após a assinatura do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) específico dos empregados. O prazo acabou há meses e as tratativas não avançaram, recordou Ronan, porque o banco insiste em uma proposta que não esclarece que o acordo deve apenas prevenir litígios futuros, e isso dá abertura para o banco usar o acordo em disputas já em andamento, o que não condiz com o que foi negociado durante campanha de 2024.

O coordenador da CEE acrescentou: “Agora, que temos uma previsão de que haja uma mesa de negociações até o final deste mês, surgiu esse boato. Mas, se são apenas boatos, eles passam bastante credibilidade pois já circulam informações até sobre os novos nomes dos cargos, onde os caixas passariam a ser assistentes e os tesoureiros passariam a gerentes de operações”, completou.