Na última quarta-feira (21), em reunião do Grupo de Trabalho (GT) do Saúde Caixa, composto por representantes do banco e dos trabalhadores, em conjunto com o Conselho de Usuários do plano, foram apresentados os dados da Pesquisa de Satisfação feita pela Caixa. O levantamento aponta que a avalição negativa dos usuários do Saúde Caixa em relação ao plano de saúde das empregadas e empregados da Caixa Econômica Federal cresceu em 2024.
“A avaliação negativa vem numa crescente, com destaque para a insatisfação com os valores pagos nas mensalidades e com a rede credenciada”, observou o diretor da Contraf-CUT, Rafael de Castro. “E isso reforça ainda mais nossa campanha pelo não reajuste das mensalidades pagas pelos usuários do plano e pela melhoria da rede. E a Caixa é a responsável por viabilizar estas duas reivindicações”, completou.
Para Ronan Teixeira, dirigente do Sindicato dos Bancários/ES e que também é membro do GT e da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, a pesquisa retrata exatamente o que o movimento sindical vem falando. “Desde a implantação do teto de custeio pela Caixa o valor do plano aumentou significativamente porque o teto engessa o 70/30 impossibilitando que esse princípio se efetive. A participação da Caixa não chega aos 70% por conta do teto e então o plano fica mais caro apenas para os usuários”, disse Ronan. E ressaltou, “por isso a principal reivindicação nossa é a derrubada do teto pra que a gente possa desonerar o plano para seus usuários. Além disso, aumentar a rede de credenciamento e qualificar a gestão, que é de responsabilidade da Caixa, é o que aponta os dados da pesquisa que mostra essa insatisfação, principalmente no interior, onde a rede credenciada é ainda mais deficitária”.
Números negativos
Segundo dados apresentados pela empresa contratada pela Caixa para fazer a pesquisa, 33,8% têm avaliação negativa com relação à solicitação de reembolso. Outros 11,43% têm avaliação neutra em relação a este ponto. Em 2023, na pesquisa anterior, as avaliações negativas e neutra de reembolso eram de 31,8% e 12,5%, respectivamente.
Percentuais semelhantes foram constatados em relação ao relacionamento (28,5% negativa) e à comunicação (32,5%).
Com relação à rede credenciada, 21,8% fizeram avaliação negativa e outros 26,6% neutra, quando a avaliação não é negativa, mas também não é positiva.
“Mais de um terço avaliaram negativamente o processo de solicitação de reembolso e percentuais semelhantes foram registrados em outros pontos. Mas, o mais grave é que 37,7% não conseguem ver a importância do nosso plano de saúde, que é uma das nossas principais conquistas, que sempre foi considerada como uma das ‘joias da coroa’ das empregadas e empregados”, apontou o coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, Felipe Pacheco. “Essa desvalorização do nosso plano faz com que 29,6% considerem, inclusive, a possibilidade de saída do Saúde Caixa”, observou.
Motivos apontados para a saída
Para 38,8%, o aumento do custo é o motivo que levaria à saída do Saúde Caixa. Outros 15,1% afirmaram que a rede credenciada de hospitais, clínicas e laboratórios é que os levariam a essa tomada de decisão. Já para 11,7%, os profissionais da rede seriam o motivo para deixar do plano.
“Isso comprova a importância de nossas reivindicações para que não ocorra o reajuste das mensalidades, para a melhoria urgente da rede credenciada, assim como para a rápida implementação dos comitês de credenciamento e descredenciamento, que podem ajudar a resolver mais rapidamente questões de relacionamento e operacionais, tanto com usuários quanto com prestadores de serviços”, ressaltou o coordenador da CEE/Caixa. “E é bom que fique claro, que estas constatações são de uma pesquisa feita pelo próprio banco”, completou.
Relatório administrativo 2024
Durante a reunião, a Caixa apresentou o Relatório Administrativo do Saúde Caixa. Os empregados ressaltaram a importância dos dados apresentados, mas avaliam que é fundamental que a Caixa disponibilize os dados dos últimos 10 anos, conforme reivindicação do movimento sindical.
“Não se faz uma análise atuarial de forma rápida e simples. Então esses dados do Relatório Administrativo de 2024 já estão relativamente defasados porque em 2025 a gente já tem uma realidade, consideravelmente, diferente. Por isso, é primordial que a Caixa libere aquilo que a CEE e o GT tem insistido, que são os dados dos últimos 10 anos e aí sim, vamos conseguir fazer, através da assessoria contratada, uma análise atuarial mais completa e assertiva”, defendeu Ronan.
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“A própria Caixa identificou cerca de R$ 170 milhões de custo com terapias e tratamentos ligados a doenças mentais e comportamentais e um expressivo aumento dos casos de internações entre 2022 e 2024”, observou o coordenador do GT do Saúde Caixa, Leonardo Quadros, que é diretor de Saúde e Previdência da Fenae. “E este é um debate que extrapola o relatório em si, pois se trata do adoecimento dos empregados da Caixa, que é uma consequência também da gestão comercial e de pessoas. Estamos falando da cobrança excessiva pelo cumprimento de metas, de metas abusivas, da falta de condições de trabalho, sobrecarga, enfim, é um problema que vai além do Saúde Caixa em si, mas que desemboca no plano de saúde e nos seus custos. Literalmente, os empregados pagam pela falência da política de gestão de pessoas na administração de Carlos Vieira. E pagam cada vez mais, já que a atual direção do banco manteve o teto para o custeio do plano na recente alteração estatutária”, completou.

