Quem entra na agência do Banco do Brasil em Afonso Cláudio (141 km da Capital) tem a sensação de estar num verdadeiro canteiro de obras. Não é exagero. Escombros para todos os lados, trabalhadores se equilibrando em andaimes, tapumes, materiais de construção e ferramentas espalhados pelo chão, instalações elétricas e hidráulicas penduradas no teto como móbiles ameaçam as cabeças de funcionários e clientes que transitam pela agência, ou melhor, no que restou dela. A reforma da agência vem se arrastando desde de outubro do ano passado, mas a situação ficou mais caótica nas últimas semanas, quando dirigentes do Sindicato dos Bancários/ES estiveram no local e fotografaram a unidade (fotos no final deste texto).

Assim que tomou conhecimento da situação, o Sindicato levou a denúncia à Dipes e à Gepes. As dirigentes do Sindicato, inclusive, estiveram reunidas com representantes da Gepes na semana passada. Na pauta, entre outras demandas, cobraram providências para solucionar os transtornos da reforma da agência e pediram um cronograma de obras para evitar que o problema se repita em outras unidades do banco.

Segundo a dirigente do Sindicato Bethania Emerick, o problema das reformas sem planejamento é recorrente no BB. Ela afirma que não é a primeira vez que o Sindicato recebe esse tipo de denúncia. O banco, continua a dirigente, não tem levado a sério essa situação e tem preferido tocar as reformas nas unidades sem o devido planejamento e a elaboração de protocolos para mitigar os impactos das obras. “Uma grande reforma estrutural como a de Afonso Cláudio, compromete não só as condições de trabalho, mas pode provocar impactos psicossociais nos trabalhadores”, adverte Bethania. 

A dirigente Goretti Barone acrescenta que a situação é mais grave em Afonso Cláudio porque a empresa que está fazendo a reforma não trabalha à noite e nos finais de semana. “Ou seja, o BB contratou a empresa ciente de que as obras seriam feitas com funcionários e clientes na agência. Quem vê as fotos entende a gravidade da situação. Não é uma mera reforminha passageira. É uma grande obra estrutural que praticamente pôs a agência abaixo com todo mundo dentro. É um acinte que o banco coloque em curso uma obra dessa proporção sem pensar nos funcionários e clientes que serão impactados”, protesta Goretti.

Históricos de obras
As dirigentes contam que já viram esse filme (de horror) antes. Em outubro do ano passado, devido às fortes chuvas, as unidades do BB de Aracruz e Santa Leopoldina foram danificadas e precisaram passar por reformadas. As obras também trouxeram impactos para os trabalhadores e o Sindicato precisou intervir para garantir condições de trabalho para os empregados.  No caso das duas agências, diz Bethania, o cronograma de obras não respeitou o horário de trabalho e os funcionários foram expostos aos transtornos da reforma.

Goretti recorda que em 2016 três empregados adoeceram devido à reforma da agência de Colatina que também não preservou o bem-estar dos empregados. Ela conta que, a exemplo de Afonso Cláudio, a reforma se prolongou por meses. “O resultado da inércia do banco recaiu nas costas de três trabalhadores, que foram afastados em função de problemas respiratórios. Havia gesso, cimento, tintas e solventes espalhados pelo ambiente de trabalho. O funcionário da limpeza de uma empresa terceirizada que prestava serviço ao banco foi intoxicado por um produto químico usado para selar a laje do prédio”. O funcionário terceirizado precisou ser internado na UTI devido à intoxicação. Os dois bancários também foram hospitalizados, mas outros que não chegaram a recorrer a atendimento médicos, também enfrentaram problemas de saúde. 

“Quando cobramos soluções do banco para o problema da reforma não estamos sendo simplesmente burocráticos ou implicantes. Nossa função, como representantes legítimos da categoria, é zelar pelo bem-estar e pela saúde dos empregados, garantindo que as condições de trabalho sejam dignas para o desenvolvimento seguro das atividades laborais”, sublinha Bethania. 

Confira as fotos das obras na agência do BB em Afonso Cláudio