Dirigentes do Sindicato fixam faixas criticando a entrega do balcão do Banestes à Zurich e à Mapfre (Fotos: Sérgio Cardoso/Sindibancários/ES)

Uma das faixas fixadas na entrada do Sesc Praia Formosa, em Aracruz, advertia: “O balcão do Banestes é da seguradora da casa. Não à privatização disfarçada de parceria”. Em meio às faixas de protesto, um grupo de dirigentes do Sindicato dos Bancários/ES distribuía para os empregados que chegavam para participar do principal evento corporativo da instituição (“Encontro de Gigantes”), uma edição do jornal O Banestão com uma reportagem especial sobre a entrada da Mapfre e Zurich no balcão do Banestes para vender os mesmos produtos comercializados pela Banestes Seguros (Banseg). “É inaceitável que a gestão de Amarildo Casagrande promova o loteamento do balcão do Banestes para grandes empresas estrangeiras em detrimento da seguradora da casa. Essa política está desmontando a Banseg aos poucos. Não será surpresa que mais à frente Amarildo decida vendê-la a preço de banana”, criticou o coordenador-geral do Sindicato, Carlos Pereira de Araújo (Carlão). 

O dirigente Marcelo Giacomin acrescentou: “Durante a abordagem, explicando sobre o processo de desmonte da seguradora, percebemos que os empregados demonstraram preocupação. Muitos não sabiam que a entrada da Mapfre e Zurich no balcão estava desidratando as vendas da Banseg”, comentou. “Quem não quer ter um parceiro como o Banestes. Um banco confiável e sólido, garantido pelo governo do Estado, com agências nos 78 municípios capixabas e com mais de 2.100 empregados bem preparados. Entrar neste oásis é sonho de qualquer empresa”, completou Marcelo.

A reportagem do Banestão questiona as campanhas internas da Zurich e Mapfre para vender produtos de seguros que a Banseg também oferece em igualdade de condições. Com campanhas agressivas, que oferecem premiações que vão de viagens internacionais a mimos como Iphone de última geração, as duas gigantes têm conquistado os gerentes, que dão preferência aos produtos das concorrentes e deixam o da Banseg de lado. 

“A Banestes Seguros está sendo asfixiada por duas gigantes mundiais do ramo de seguros. É uma morte lenta, agonizante e calculada. Causa indignação ver que a direção do Banestes está cavando a cova de uma empresa do próprio grupo”, afirmou Carlão na reportagem. O dirigente recordou que Amarildo, na ocasião da parceria com a Zurich, justificou que a Banestes Seguros não tinha estrutura para atender algumas modalidades de seguro, e que a parceria solucionaria esse vácuo no atendimento. “Na prática, no entanto, Mapfre e Zurich estão vendendo os mesmos produtos que a Banestes Seguros já comercializa. O que estamos vendo é uma ação orquestrada pela direção do Banestes para desmontar a seguradora e vendê-la mais à frente”, advertiu o dirigente. 

Carlão ainda disse que a aproximação de Amarildo com as gigantes de seguro, especialmente a Mapfre, ficou patente na escolha do seleto grupo de oradores convidados a falar no evento, o governador Renato Casagrande (PSB); o vice Ricardo Ferraço (MDB), Amarildo Casagrande e o CEO da Mapfre Brasil Felipe Nascimento. “A parceria oficial é com a Zurich, com quem o Banestes tem contrato, mas é a Mapfre que teve lugar cativo no palco. Essa aproximação não é casual”, disse o coordenador-geral.

Casagrande promete manter Banestes público e estadual
O mais importante evento corporativo do banco foi também uma oportunidade para o governador dar palanque a Ferraço, que está em franca campanha pela corrida eleitoral de 2026 ao Palácio Anchieta. Como se estivesse respondendo a uma pergunta, Casagrande garantiu que o Banestes continuaria público e estadual sob sua gestão, e estendeu o compromisso ao vice, que pode assumir o comando do Estado em abril de 2026, data limite para Casagrande se descompatibilizar, caso pretenda disputar uma das duas cadeiras no Senado. 

“A promessa de Casagrande, fiquemos atentos, é válida até a página dois. O compromisso de manter o Banestes público e estadual pode mudar a partir do momento em que Ferraço estiver com a caneta na mão. O processo sucessório para a disputa eleitoral de 2026 também é bastante incerto. Nesta quadra de incertezas, o mais prudente é que os banestianos e as banestianas se mantenham atentos e mobilizados na defesa incondicional do Banestes e de suas subsidiárias. Privatizações disfarçadas de parcerias são ciladas e temos que evitá-las”, afirmou Carlão. 

Lucro caiu 20%
No “Encontro de Gigantes”, Amarildo subiu ao palco para explicar a queda do lucro do Banestes no primeiro trimestre de 2025 (1T25). O Banestes divulgou lucro líquido de R$ 55 milhões no 1º trimestre do ano. Esse é o pior resultado para um primeiro trimestre desde que Amarildo assumiu a gestão do banco em 2019. O resultado é 20,1% inferior na comparação com o mesmo período (1T24) do ano passado, quando o banco apurou R$ 68 milhões de lucro. A direção do banco atribuiu o revés aos seguintes fatores: aumento do custo de funding (custo total de um financiamento, incluindo juros, taxas, tarifas e outros encargos); as despesas relativas ao último PDV; a implantação da Resolução 4.966 do Banco Central, com imposições de provisionamento do crédito. 

Na semana passada, quando anunciou o lucro do Sistema Financeiro Banestes (SFB), Amarildo enalteceu o resultado da Banseg, que superou a meta em mais de um milhão de reais e fechou o trimestre com lucro de R$ 7,1 milhões. A mensagem interna destacou o resultado, dizendo que a “Banestes Seguros fez bonito”. É bem sintomático esse elogio, diz Marcelo. “Amarildo já sabia que o Sindicato estava preparando uma reportagem para criticar a entrada das concorrentes no balcão do Banestes, pois havíamos enviado as perguntas sobre as questões trazidas na reportagem à assessoria de comunicação do Banestes. Acho que ele se antecipou às críticas para tentar mostrar que reconhece o trabalho da seguradora. Ora, o lucro de R$ 7,1 milhões poderia ser bem maior se a Banseg não tivesse dividindo o balcão com as concorrentes. Quando seria o lucro da Banseg se a seguradora da casa estivesse operando a pleno vapor e o balcão em sintonia com ela? Essa é a pergunta que Amarildo precisa responder”, cobrou Marcelo.

Carlão acrescentou que o resultado 20% menor do Banestes tem impacto na população capixaba. “Os dividendos que retornam em forma de investimentos sociais do governo do Estado caem quando o lucro é menor. Por isso insistimos na pergunta: Amarildo, a quem interessa o enfraquecimento da seguradora? O povo capixaba e a comunidade banestiana só perdem quando os ativos do Banestes são rifados”. 

O coordenador-geral lembrou ainda que a redução do lucro também tem impacto na Remuneração Estratégica Variável (REV). “Sem contar que o plano de cargos e salários proposto pelo Banestes atrela a progressão ao resultado do banco, ou seja, num cenário de instabilidade, como ocorreu nesse primeiro trimestre, o plano de carreira do empregado ficaria comprometido. Por isso o Sindicato é contra à proposta de condicionar a progressão salarial ao lucro do banco”. 

A minuta do plano de cargos e salários estabelece que a progressão só será aplicada se o resultado econômico do banco for, no mínimo, 80% da média dos resultados dos três anos anteriores. A CLT permite que diferenças salariais sejam justificadas apenas por critérios objetivos. Como o lucro do banco depende de fatores externos, atrelar a progressão apenas a essa métrica pode ser considerado um critério abusivo.

Confira as fotos do ato
(Fotos: Sérgio Cardoso/Sindibancários/ES)