Diretora do Sindicato Bethânia Emerick abrindo o ato

A direção do Banco do Brasil anunciou o encerramento das atividades nos guichês de caixa da agência Jucutuquara, em Vitória, a partir da próxima sexta-feira, dia 1º de agosto. Em protesto à medida e para mobilizar os clientes contra tal decisão, os bancários suspenderam os trabalhos nesta terça-feira, 29, por uma hora (das 10h às 11h). Foi servido um café da manhã e apresentado um esquete teatral. 

A agência Jucutuquara conta hoje com doze bancários e bancárias, sendo três vinculados à Plataforma de Suporte Operacional (PSO), responsável pelo serviço de caixa. A partir de sexta-feira, dois dos funcionários da PSO serão designados para outras agências e um permanecerá em Jucutuquara – ainda não se sabe se vai auxiliar no autoatendimento ou se será remanejado para outro setor da agência. 

Segundo a direção do BB em comunicado colado nas paredes do autoatendimento da agência, Jucutuquara passará a realizar “atendimento exclusivamente negocial”. Quem quiser ser atendido por um caixa humano, o BB orienta que procure a agência Pio XII, no Centro.

Essa não é a primeira agência a perder os caixas no Espírito Santo. Em 2024, uma das medidas do Programa Inova Varejo foi a eliminação do serviço de caixa nas agências da Reta da Penha e Ufes, em Vitória, e da Glória e de Itapoã, em Vila Velha. 

Reação dos clientes

José Ferreira dos Reis, cliente

Maria das Graças Meireles, 75 anos, cliente do BB desde 2016, não gostou das notícias ao chegar à agência Jucutuquara. “Moro em Joana D’Arc e vir aqui fica perto para mim. Tenho dificuldade de subir no ônibus para ir a uma agência no Centro, por conta de cinco cirurgias que fiz no pé. O bom é manter os caixas, porque quando não der para resolver no autoatendimento, como a gente vai fazer?”, questiona ela. 

Para Edimar Bruno, 72 anos, que trabalha com vendas e é cliente do BB desde 1984 na agência Campo Grande, “muita gente não sabe usar as máquinas [de autoatendimento] e vai precisar de ajuda. Fechar os guichês de caixas é totalmente errado, vai aumentar mais a fila. Vamos brigar para isso não acontecer”, afirmou. 

Vania Silva, 64 anos, aposentada, cliente do BB desde 1982, foi à agência e se decepcionou. “Eu fico triste porque estão cortando os caixas. Muitas pessoas não conseguem lidar com informática e, além disso, hoje temos o atendimento personalizado; o bancário está ali para acolher e resolver o problema do cliente. No autoatendimento, os mais idosos e os de baixa escolaridade vão ter mais dificuldade. E vai afunilando, começa com essa coisa de tirar os caixas; e depois a agência acaba fechando”. 

José Ferreira dos Reis, 85 anos, há quase 30 anos cliente do BB, há cerca de dez anos em Jucutuquara, é vizinho da agência. “Vai ser muito ruim [ficar só com autoatendimento]; o bancário  presta informação de melhor forma; sem o caixa, o banco não funciona. Essa é uma manobra deles para o povo não sentir muito. Primeiro acaba com o caixa, fica só o autoatendimento, depois encerra tudo [fechando a agência]. E o Banco do Brasil é o melhor banco do país. Ele e a Caixa, em confiança, em tudo”. 

Venda de produtos

Igor Chagas: BB está sendo transformado em um banco privado

Para o diretor do Sindicato Igor Chagas, o Banco do Brasil, por meio da sua direção, “está abrindo mão da função de instrumento da política creditícia e financeira do governo federal prevista em lei para se transformar num banco de mercado, semelhante a qualquer instituição privada”. Segundo ele, “o efeito dessa decisão estratégica irresponsável [da direção do BB] é o corte no atendimento e na prestação de serviços essenciais à população”. 

Com essa política, “o BB”, afirma o dirigente sindical, “concentra toda a sua atuação na venda de produtos e serviços financeiros; aufere lucros exorbitantes e distribui quase metade aos acionistas, enquanto corta e precariza a prestação de serviços essenciais como são os caixas”. 

Chagas destacou que “o BB abandonou sua tradição e se tornou uma empresa esquizofrênica: depois de mais de 200 anos sendo o banco dos brasileiros, hoje sonha em ser o Itaú; só pensa em distribuir lucros para os acionistas, adoece seus funcionários com metas absurdas e deixa a população desassistida”.  

Esquete teatral

Esquete mostra a realidade vivida por clientes e bancários

Durante o protesto, um esquete teatral foi apresentado por três atrizes representando uma bancária, que é obrigada pela política do banco a direcionar a cliente para o autoatendimento, aplicativo ou outra agência; a cliente, que quer ser atendida no caixa, não é afeita à tecnologia e acaba caindo num golpe cibernético; e outra bancária, que tenta bater sua meta de venda de produtos e serviços enquanto a cliente só quer ser atendida adequadamente para resolver sua demanda.

Fotos: Sérgio Cardoso