Carlão ampara a urna para votação (Fotos: Lorraine Paixão/Sindibancários/ES)

O Sindicato dos Bancários/ES lançou nesta quarta-feira (30) o Plebiscito Popular pelo fim da escala 6X1 e da isenção do Imposto de Renda (IR) na categoria bancária. Nas próximas semanas os dirigentes do Sindicato passam a percorrer agências e departamentos administrativos para que a categoria possa expressar sua opinião sobre o fim da escala 6X1, a isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil e a taxação dos mais ricos. Segundo o coordenador-geral do Sindicato, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), a votação itinerante é uma oportunidade para conscientizar a categoria sobre a importância do plebiscito. 

“As duas pautas em questão afetam diretamente a vida das pessoas. A isenção do IR é um passo enorme no sentido de reduzirmos a desigualdade: quem ganha mais, tem de pagar mais; quem ganha até R$ 5 mil fica isento. É uma questão de justiça”. Carlão acrescenta que o fim da 6X1 representa mais qualidade de vida para a classe trabalhadora. Ele lembrou que a redução da jornada é uma pauta que já vem sendo discutida na categoria bancária. “O plebiscito também é uma forma de fortalecermos a proposta da escala 4X3 com os bancos na mesa de negociação. O trabalhador quer viver mais e trabalhar menos”.

Ação no Palas Center
O edifício do Banestes (Palas Center), no Centro de Vitória, foi o local escolhido para o lançamento do plebiscito.  Na manhã desta quarta-feira (30), diretoras e diretores do Sindicato dialogaram com os bancários que chegavam ao Departamento Geral do Banestes. Após tirar dúvidas sobre o plebiscito, alguns bancários puderam votar nas urnas itinerantes. O resultado do plebiscito será entregue ao Congresso Nacional, ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao presidente Lula. A votação se encerra no dia 7 de setembro. 

Congresso contra a redução de jornada
Pesquisa da Quaest (julho/2025) apontou que 70% dos deputados federais são contra a redução de jornada. O resultado confirma que a maioria dos parlamentares está a serviço das elites empresariais, que movimentam um forte lobby no Congresso para derrubar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 8/2025, de autoria da deputada Érika Hilton (PSOL-SP). 

Do lado dos empresários a luta de classe é tratada como um “nós contra eles” que divide o país. As elites fazem ecoar na mídia corporativa e nas redes sociais que a redução da jornada deve gerar demissões em massa, aumento da inflação e redução do Produto Interno Bruto (PIB). O cenário caótico é replicado pela imprensa corporativa. “Essa aliança imprensa-empresariado sempre se levanta ante a mobilizações populares que ameaçam os interesses do andar de cima da pirâmide. Foi assim em 26 de abril de 1962, na ocasião da instituição do 13º salário no Brasil”. Carlão aponta que a manchete de capa do jornal carioca O Globo advertia: “Considerado desastroso para o país um 13º mês de salário”. 

Bancada capixaba
A bancada capixaba reflete o resultado da pesquisa da Quaest, que aponta a rejeição da proposta por 70% dos deputados. Em novembro do ano passado, na ocasião da coleta de assinaturas para a PEC do fim da escala 6X1, apenas dois dos 10 deputados da bancada capixaba apoiaram a proposta: os petistas Helder Salomão e Jack Rocha. Não concordaram em assinar a PEC, Amaro Neto, Messias Donato (Republicanos), Evair de Melo, Da Vitória (PP), Victor Linhalis e Gilson Daniel (Pode), Paulo Folleto (PSB) e Gilvan da Federal (PL, atualmente afastado).

Os dirigentes Carlão e Vanessa colhem assinatura da trabalhadora

“O bancário e a bancária, e a classe trabalhadora capixaba de maneira geral, precisam ficar atentos aos deputados que votam invariavelmente contra os trabalhadores. O voto é o nosso principal instrumento de mudança política. É por meio dele que podemos manifestar nosso apoio ao plebiscito e exercer pressão no Congresso para a aprovação dessas duas importantes pautas para os trabalhadores. Nas eleições de 2026 voltaremos a usar o voto para eleger deputados estaduais, federais, senadores e governadores. Se as eleições fossem hoje, creio, muitos trabalhadores não reelegeriam esses oito deputados que se colocam contra os interesses da classe trabalhadora”, afirma Carlão. 

Isenção do IR
Se a PEC do fim da 6X1 encontra resistência no Congresso, o Projeto de Lei (PL) Nº 1.087/2025, que isenta de imposto os trabalhadores que recebem até R$ 5 mil, parece mais próximo de ser aprovado. No dia 16 de julho último, o PL foi aprovado em votação simbólica na Comissão Especial da Câmara dos Deputados que analisa o texto. 

Os deputados aprovaram o parecer do relator, Arthur Lira (PP-AL), que ampliou de R$ 7 mil para R$ 7.350,00 o valor para a redução parcial do imposto. O projeto prevê também a cobrança de uma alíquota extra progressiva de até 10% para quem ganha acima de R$ 600 mil por ano, ou R$ 50 mil por mês. A alíquota máxima, de 10%, passará a ser cobrada das pessoas que ganham a partir de R$ 1,2 milhão por ano. O texto pode ser votado no plenário da Casa durante o mês de agosto.

“A classe trabalhadora precisa manter a mobilização para conseguirmos o maior número possível de votos no plebiscito. O PL da isenção do IR andou na Câmara, mas não tem absolutamente nada ganho. Não podemos baixar a guarda, mesmo porque, a PEC do fim da 6X1 é uma pauta central para os trabalhadores e enfrenta grande resistência nos lobbies empresariais que controlam o Congresso. Repito, o plebiscito é um instrumento de mudança e uma arma poderosa nas democracias. A luta só começou. Vamos em frente!”, conclama Carlão.