O Bradesco registrou lucro líquido de R$ 11,9 bilhões nos seis primeiros meses do ano. O resultado, 33,7% no comparativo com o mesmo período do ano passado, superou as estimativas dos analistas de mercado. No segundo trimestre, o lucro foi de R$ 6,1 bilhões, quase 30% maior ao resultado de 2024 (2T24). Apesar do lucro expressivo, o Bradesco segue com a política de fechamento de postos de trabalho e agências. “O Bradesco aumenta suas margens de lucro à custa das demissões e do fechamento de agências”, critica o dirigente do Sindicato dos Bancários/ES Fabrício Coelho.
Os números confirmam as críticas do dirigente. Ao mesmo tempo que o lucro escala, o Bradesco intensifica os cortes de pessoal. Nos últimos 12 meses o Bradesco eliminou 2.564 postos de trabalho. 1.218 somente no segundo trimestre deste ano. “Esse dado é estarrecedor porque mostra que os desligamentos estão se intensificando este ano. As demissões do último trimestre representam quase a metade dos desligamentos dos últimos 12 meses”, aponta. Segundo Fabrício, a luta em defesa do emprego bancário continua no centro da pauta do movimento sindical.
Correspondente bancário
O dirigente acrescenta que o Bradesco segue expandindo os serviços de correspondente bancário na rede de atendimento voltado para o varejo. “O banco fecha agências e postos de trabalho porque deslocou uma parte significativa do atendimento para os correspondentes bancários. O Bradesco Expresso oferece praticamente todos os produtos de uma agência tradicional. De abertura de conta, a empréstimo pessoal, passando por pagamento de boleto, consórcio e até crédito imobiliário. A demanda que estava nas agências se deslocou para as franjas no sistema financeiro com o objetivo de reduzir custos com pessoal e estrutura e ampliar as margens de lucro. O resultado é a baixa qualidade dos serviços, o desconforto e os riscos que esse cliente corre, uma vez que os correspondentes bancários não contam com vigilantes, portas giratórias e outros dispositivos de segurança”, afirma Fabrício.
Os números do Bradesco
Além do lucro de R$ 6,1 bilhões no semestre, o Bradesco registrou Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) 14,6%, com aumento de 3,5 pontos percentuais em 12 meses. De acordo com o relatório divulgado pelo próprio banco, a principal razão para essa melhora da rentabilidade foi o desempenho das receitas, que chegaram a R$ 34 bilhões no trimestre – alta de 15,1% em relação ao ano anterior.
Entre os principais destaques estão o crescimento da margem financeira total (+15,8%), das receitas com serviços (+5,3%) e dos resultados com seguros, que subiram 33,4% e registraram um ROE de 21,4%.
A Carteira de Crédito Expandida do Bradesco superou a marca de R$ 1 trilhão em junho de 2025, com crescimento de 11,7% em doze meses e 1,3% no trimestre. A carteira de pessoa física cresceu 15,9% no período, somando R$ 442,4 bilhões, com destaque para o crédito pessoal (+17,5%), crédito imobiliário (+17,6%) e crédito rural (+89,1%).
Já o segmento de pessoa jurídica cresceu 8,6%, chegando a R$ 576,0 bilhões. O saldo da carteira para grandes empresas ficou estável (-0,2%), enquanto houve alta expressiva de 25,2% nas micro, pequenas e médias empresas.
A inadimplência acima de 90 dias recuou para 4,1%, queda de 0,2 ponto percentual em relação a junho de 2024.

