O clima de festa junina deu o tom do protesto dos bancários e bancárias do Banestes nesta quarta-feira (20), no hall do edifício Palas Center, onde fica a diretoria do banco, no Centro de Vitória. A manifestação foi motivada pelo descontentamento dos banestianos com o Plano de Cargos e Salários (PCS) proposto pelo banco e o silêncio da direção do Banestes diante das propostas de ajustes apresentadas pelo Sindicato.
No Arraiá do PCS tinha de tudo: cordel, comidas típicas, bandeirolas, fogueira, pau de sebo do PCS – sem ninguém conseguir chegar ao topo – e uma barraca de brindes simbolizando o balcão de negócios de empresas privadas de seguros que operam dentro do Banestes. A Zurich e a Mapfre são concorrentes da Banestes Seguros, mas a direção do Banestes incentiva a venda de produtos das empresas privadas ao invés daqueles do Banestes.
“O resultado do banco no segundo trimestre deste ano deixa evidente que a seguradora está estagnando, enquanto a corretora está com lucro. Os banestianos que estão nas agências são incentivados a só vender Zurich e Mapfre, deixando de lado a nossa marca capixaba”, denunciou Vanessa Espíndula, diretora do Sindicato, durante a manifestação.
Em relação ao PCS, ela destacou, entre outros pontos, “que é um plano discriminatório”, pois, no enquadramento inicial, a proposta é que os funcionários com mais tempo de banco avancem apenas um nível para cada cinco anos trabalhados.
“Não há condições para quem tem dez ou quinze anos de banco chegar ao topo do PCS. Os mais jovens só conseguirão chegar lá em cima se baterem metas individuais a cada ano. Se o seu gestor não for com sua cara, você não vai conseguir. Esse pau de sebo representa isso”, disse.
O que pensam bancários e bancárias?
No ato, diretores do Sindicato distribuíram uma nova edição do jornal O Banestão, que traz depoimentos de bancários e bancárias do Banestes sobre o PCS. Os entrevistados pediram para não serem identificados, temendo retaliação do banco. Veja abaixo o que dizem os funcionários quando têm a oportunidade de falar sobre o plano:
“O PCS proposto pelo Banestes é muito aquém do que esperávamos, mas a cláusula que prevê demissão sem justa causa chega a ser obscena. Não vou fazer adesão a um plano que prevê a demissão.”
“Mesmo que o PCS garantisse a minha ascensão financeira no banco, o que não é o caso, a cláusula [da demissão sem justa causa] permite que o banco me demita a qualquer momento e contrate um novo funcionário para ganhar a metade do meu salário.”
“A demissão sem justa causa é uma maneira que a diretoria encontrou de se livrar dos funcionários indesejáveis, aqueles que questionam o banco e lutam por seus direitos.”
“Este critério de enquadramento [progressão de um nível para cada cinco anos de tempo de serviço] penaliza especialmente os funcionários com 20 ou mais anos de banco. Esperamos décadas para ter um plano e quando ele finalmente chega, não valoriza os funcionários que se dedicaram todos esses anos ao Banestes.”
“Além da progressão ilusória, o valor nível a nível é quase insignificante. Fiz a conta, meu enquadramento não chega a R$ 300 de aumento.”
“Para mim, a relação que o funcionário cria com a empresa é parecida com casamento: tem momentos bons e ruins. Não dá para penalizar o funcionário se o lucro do banco cair um pouco. O Banestes é um banco sólido. Se por algum motivo o lucro cair 50%, o Banestes tem plena condição e obrigação de bancar a progressão. É inaceitável vincular a progressão ao lucro.”
“Estão nos empurrando para o plano e nos deixando sem saída para cairmos numa cilada. Alguns colegas defendem que é melhor aderir ao plano, mesmo essa versão ruim, e tentar reivindicar melhorias depois da implantação. Eu, particularmente, considero uma tremenda fria. Depois que eles implantarem, não alteram nenhuma vírgula.”
Histórico do PCS
Após a apresentação da proposta de PCS pelo Banestes, em janeiro deste ano, o Sindicato contratou uma consultoria, que fez a análise técnica do plano. Em maio, durante uma reunião com a Gerência de Gente e Gestão do Banestes, o Sindicato destacou 17 pontos problemáticos e pediu reunião com a diretoria do banco para tentar avançar na negociação.
Diante do silêncio do presidente do Banestes, Amarildo Casagrande, em junho, por meio da deputada Camila Valadão (PSOL), o Sindicato solicitou uma audiência com o governador Renato Casagrande. O secretário da Casa Civil, Júnior Abreu, foi escalado para atender os dirigentes sindicais.
A entidade apontou três demandas urgentes ao governo: a agenda de negociação para discutir o PCS; o plano em curso de desmonte da Banestes Seguros e sua entrega para a iniciativa privada; e o não cumprimento do compromisso de manter diálogo sistemático com o Sindicato assumido pelo governador quando da campanha eleitoral de 2022.
Até agora, nada foi encaminhado pela dupla Amarildo e Renato Casagrande.
Fotos: Sérgio Cardoso

