O edifício da Caixa, que já foi ocupado pelo Tribunal Regional do Trabalho, estava há quatro anos inativo (Fotos: Sérgio Cardoso/Sindipúblicos/ES)

O juiz Aylton Bonomo Júnior, do Tribunal Federal da 2º Região (TRF-2), 4ª Vara Cível de Vitória, determinou nessa quarta-feira (24) a suspensão do mandado de reintegração de posse que obrigava as famílias a desocuparem o edifício Castelo Branco, no Centro de Vitória, de propriedade da Caixa Econômica Federal. A decisão atendeu a uma demanda da própria Caixa. 

O magistrado determinou que o Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM) e a Caixa busquem um acordo para que a desocupação do prédio seja voluntária. Depois de 30 dias da decisão, ressaltou o juiz, a Caixa fica intimada “a requerer o que bem entender [sobre a destinação do imóvel]”. Em nota, a Caixa informou que já está em tratativas com as lideranças do MNLM para promover a desocupação pacífica do imóvel, ocupado por 72 famílias desde o dia 6 de setembro.

As famílias organizaram uma cozinha comunitária no prédio, que conta com infraestrutura de água e luz

De acordo com Valdeni Ferraz, coordenador do MNLM no Espírito Santo, lideranças nacionais do movimento estão em Brasília negociando diretamente com a direção da Caixa. “A expectativa é de que a Caixa ofereça uma alternativa de moradia para as famílias. Afinal, a Caixa é reconhecida há décadas como instituição referência nas políticas de habitação no país. Temos muita confiança de que o governo não vai querer jogar essas famílias na rua”, afirmou Valdeni. 

O coordenador do MNLM explicou que as pessoas que estão ocupando o prédio da Caixa, na sua maioria, estão trabalhando, mas recebem baixos salários. “O alto valor dos aluguéis não cabe no orçamento familiar. Eles precisam escolher se comem ou pagam aluguel”, disse Valdeni. As famílias, acrescentou, são oriundas de três bairros de Vitória: Grande Goiabeiras, São Pedro e Santo Antônio.