Na próxima quarta-feira, 22 de outubro, os funcionários e funcionárias do Banco do Brasil em todo o país realizarão um um dia de luta em defesa do BB com atuação pública e em protesto às metas exorbitantes, à sobrecarga de trabalho e à carência de pessoal nas unidades do banco. A orientação do Sindibancários/ES é o uso de roupas na cor amarela, símbolo do banco federal.

“Ninguém aguenta mais tanta pressão interna. A carência de pessoal intensifica o trabalho que já é exaustivo e adoecedor devido às metas de produção que só crescem. Precisamos dar um basta!”, afirma o diretor do Sindicato Igor Chagas.

Bethania Emerick, também dirigente sindical e funcionária do BB, reforça: “Há muitas agências com vagas recorrentes, é necessário ter concurso para suprir essa carência de pessoal”.

Segundo dados nacionais, hoje são cerca de 8 mil vagas recorrentes, ou seja, há falta de 8 mil bancários em todo o país. No ano passado no Espírito Santo, onze agências estavam em situação crítica, muitas delas com menos da metade do quadro efetivo de funcionários atuando.

Metas mais altas no ES

Outro sério problema nas unidades são as metas. No Espírito Santo, a situação é muito pior do que no restante do país.

“Mesmo com os sucessivos aumentos de metas nos últimos meses e nenhuma explicação para o fato de o Espírito Santo ter metas muito mais altas que o restante do país, o BB impôs mais um aumento na virada de junho para julho. A meta de operações de crédito não consignado da Superintendência ES subiu 49% e a meta do crédito consignado subiu 59%”, afirma Igor.

Segundo o dirigente, das 89 agências capixabas, incluindo as oito especializadas no atendimento a pessoas físicas e jurídicas, apenas 11 estão conseguindo bater as metas nesse segundo semestre de 2025. “Se o semestre terminasse hoje, os funcionários das outras 78 agências do Estado teriam descontos na Participação nos Lucros e Resultados (PLR), notas baixas na GDP [Gestão de Desempenho de Pessoal] e enfrentariam possibilidade de descomissionamento ”, diz ele.

Essa situação crítica dos funcionários capixabas vem se agravando ano a ano. “Entre 2021 e 2023, as metas para operações de crédito pessoal consignado do BB subiram 49% no país e 72% no Espírito Santo. Já as metas de crédito pessoal não consignado aumentaram 70% no Brasil e 115% no nosso Estado. Quem trabalha aqui vem sofrendo de modo desproporcional com as metas excessivas, uma vez que a direção do banco tem exigido dos funcionários muito mais do que a média do restante do país”, diz Bethania.

Desrespeito à jornada

A mobilização dos funcionários para esta quarta-feira, 22, inclui, ainda, o protesto contra o avanço das jornadas de oito horas no BB. Ao invés de fazer concurso público, o banco quer alterar a jornada de trabalho de 25% dos assessores, passando de 6 horas para 8 horas diárias, com adequação salarial. O banco diz que a “adesão é voluntária” por parte dos funcionários, mas já circulam informações de que aqueles e aquelas que não aderirem serão, num segundo momento, deslocados para cobrir a escassez de bancários em outros setores do banco.

“Com as metas impossíveis de serem alcançadas, a sobrecarga gerada pela falta de funcionários e o assédio institucional que existe no BB, os bancários e bancárias temem redução da PLR, descomissionamento e os consequentes impactos na renda familiar, aumentando os índices de adoecimento”, destaca Bethania.

O movimento sindical reforça que o Banco do Brasil é patrimônio do povo brasileiro e deve seguir cumprindo seu papel social, promovendo o desenvolvimento do país com atendimento de qualidade à população e valorização de seus trabalhadores. Para isso, é fundamental garantir concursos públicos, melhores condições de trabalho e respeito às conquistas históricas da categoria.