“Mantemos o nosso compromisso em continuar elevando o nosso lucro nos próximos trimestres, passo a passo”, declarou o presidente-executivo do Bradesco, Marcelo Noronha, em nota à imprensa sobre o balanço financeiro do banco, que alcançou lucro líquido recorrente de R$ 18,136 bilhões nos nove primeiros meses de 2025. O que Noronha chama de passa a passo pode ser descrito como demissões em massa, estrangulamento da rede de atendimento e precarização do trabalho.
Em doze meses, o Bradesco eliminou 2.361 postos de trabalho, sendo 490 apenas no último trimestre. No mesmo período, o banco fechou 296 agências, 1.246 postos de atendimento e 61 unidades de negócios. Foi aprofundando esse modelo perverso de gestão que o Bradesco aumentou 28,2% em relação ao mesmo período de 2024.

Fabricio Coelho em ação sindical na agência do Bradesco
“O Bradesco segue obtendo altos lucros às custas de demissões em massa, fechamento de agências, piora do atendimento à população e aumento da sobrecarga de trabalho. A pressão por metas cada vez mais inatingíveis, a ameaça de demissões e o assédio institucionalizado têm provocado o adoecimento de empregados. O clima organizacional dentro das agências está cada vez pior. Por isso, seguiremos com nossas ações de protesto contra esse modelo de gestão desumano e exigimos que o Bradesco respeite seus empregados e clientes. A ganância por alta lucratividade não pode estar acima da vida dos trabalhadores”, denuncia o dirigente do Sindibancários/ES Fabricio Coelho.
A holding encerrou o 3º trimestre de 2025 com 81.657 funcionários (sendo 70.152 bancários). Já a base de clientes do Bradesco aumentou em 1,1 milhão, totalizando 74 milhões. As receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias atingiram R$ 23 bilhões, alta de 5,1% em doze meses. Já as despesas de pessoal, incluindo a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), cresceram 9%, chegando a R$ 19,8 bilhões. Com isso, a cobertura dessas despesas pelas receitas secundárias foi de 116,4% — o que significa que as tarifas cobradas dos clientes continuam superando com folga os gastos com o quadro de funcionários.
Com informações da Contraf

