O Itaú fechou 2025 com lucro recorde de R$ 46,8 bilhões. O resultado histórico do banco não esconde um outro recorde: em setembro do ano passado o banco demitiu de uma só vez, sem justa causa, mil funcionários. A demissão em massa gerou muita polêmica não só pelo volume, mas pelo fato de o banco ter recorrido a informações geradas por Inteligência Artificial (IA) para fazer os desligamentos. O resultado de R$ 12,3 bilhões no quarto trimestre do ano passado (4T25), acima do que previam os analistas financeiros, levou o banco ao resultado recorde em 2025.
Para o dirigente do Sindicato Marcelo Dalarmelina, que também é integrante da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú, o lucro recorde do banco já não surpreende há muito tempo. “Se fizermos um recorte da última década, perceberemos que o Itaú liderou o ranking de lucro entre os bancos brasileiros de ponta a ponta. Também não é surpresa para ninguém que esses resultados recordes se acumulam à custa de demissões, fechamento de agências, metas abusivas e o consequente adoecimento dos trabalhadores e trabalhadoras”.
O quadro abaixo mostra a liderança isolada do Itaú no ranking de lucro dos bancos brasileiros de 2015 a 2025. Exceção para 2023, ano em que o Banco do Brasil praticamente empatou com o Itaú.

O dirigente diz que o banco deveria se envergonhar de ser o detentor do recorde de demissão imotivada em massa. “Não é por acaso que a luta em defesa do emprego bancário tem sido uma pauta central do movimento sindical nas últimas campanhas salariais. As demissões não foram pontuais com os mil desligamentos. Demitir faz parte do modelo de negócio do Itaú”.
Como aponta o diretor, as demissões não se restringiram aos mil funcionários. Ao todo, em 2025, o Itaú fechou 3.200 postos de trabalho e fechou mais de 240 agências bancárias.
Estimativas do mercado projetam lucro de R$ 51 bilhões para este ano
Junto com o resultado do 4T25, que fecha o resultado do ano, o Itaú publicou as estimativas para 2026. O chamado guidance (projeções) previa um crescimento de lucro de 9% em 2025, mas o Itaú entregou alta 13,1% em relação a 2024. Para este ano, alguns analistas financeiros apostam que o Itaú tem capacidade de crescer outros 9% e atravessar a casa inimaginável de R$ 50 bilhões de lucro.
“O banco sempre está jogando o sarrafo do lucro para cima. Se romper a marca dos R$ 50 bilhões, vai jogar a meta para R$ 60 bilhões e assim por diante. Não há limite. Em nenhum momento o banco fala em valorizar seus empregados, que são os responsáveis diretos por esse lucro astronômico. Tampouco a direção do banco se preocupa com as sequelas deixadas por essa política de lucro a qualquer custo, que é o adoecimento endêmico, sobretudo o mental. Obcecados pelo lucro, os dirigentes do banco enxergam os funcionários como peças que podem ser moídas e em seguida descartadas, ou seja, quando eles não conseguem tirar mais nada do funcionário, muitas vezes porque o modelo de negócio o adoeceu, ele é demitido e se busca uma peça nova para colocar no moedor”, critica Marcelo.

