Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-geral da presidência, afirmou que o governo irá enviar, já nos próximos dias, para a Câmara dos Deputados um projeto de regime de urgência que põe fim à escala 6×1. A estratégia é fazer com que os parlamentares priorizem a pauta: “Um projeto em regime de urgência tem que ser votado em 60 dias. Se não votar, trava a pauta e não vota mais nada. Se a tática deles era não deixar votar, agora vai ter que votar”.
A fala de Boulos foi feita durante um encontro com movimentos sociais, dirigentes sindicais e lideranças políticas capixabas no Centro Sindical dos Bancários, em Vitória. O encontro fez parte da agenda do ministro que esteve no Espírito Santo na última sexta-feira (27) com o projeto Governo do Brasil na Rua, iniciativa com intuito de ampliar o acesso a serviços públicos e aproximar a população do governo federal.
“O fim da escala 6×1, além de ser uma questão humanitária, aumenta a produtividade. Há indícios de que países que adotaram a escala 5×2 e até alguns a 4×3 registraram melhora na produtividade do trabalhador e crescimento da economia”, argumentou Guilherme Boulos.
Mais que dá celeridade na tramitação do projeto que põe fim à atual jornada, o ministro declarou que a intenção com a urgência é também forçar os parlamentares a se posicionarem:
“Eles vão ter que dar a cara, colocar a digital no voto. Se os bolsonaristas são contra acabar com a escala 6×1, que coloquem os deputados deles para serem contra os trabalhadores, e o povo vai lembrar disso em outubro. Se não tiverem coragem, nós vamos aprovar o fim da escala 6×1 até maio neste país. É assim que vai ser”.
Taxa de juros
Durante o encontro no Centro sindical dos Bancários, Guilherme Boulos falou ainda sobre temas como redução da taxa de juros e a relevância dos sindicatos, temas essenciais para as entidades sindicais dos bancários de todo o país. Em sua fala, Boulos foi firme ao criticar as altas taxas de juros no Brasil e cobrou coerência do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. “Já passou da hora de o Galípolo fazer jus por ter sido indicado pelo presidente e começar a baixar essa taxa de juros, que é uma vergonha”, disse.
Sindicatos
O ministro defendeu a importância das entidades de classe e destacou a necessidade de discutir o financiamento sindical. “Esse debate tem sido feito no Congresso Nacional, tem sido dialogado com o Ministério do Trabalho, e as Centrais têm desenvolvido sua proposta para garantir a autonomia sindical e o financiamento das entidades sindicais”, disse.
Boulous defendeu o fortalecimento dos sindicatos e reforçou que estes são um dos principais instrumentos de garantia de direitos dos trabalhadores: “sindicato forte significa trabalhador com melhores condições de negociação para ter não só aumento salarial, mas garantir dignidade e trabalho decente. Nosso posicionamento é em defesa dos sindicatos, para que com mais força possam garantir uma classe trabalhadora com maior poder de negociação”.

