As mudanças implementadas pela Caixa no regulamento do programa de comissionamento Super Caixa 2026 acenderam um alerta entre as entidades representativas dos empregados, já que as alterações ampliam condicionantes para o pagamento da comissão, aumentam a complexidade do sistema de metas e dificultam o acesso dos trabalhadores aos valores previstos no programa.

Entre as principais mudanças está a inclusão de uma nova condição para o comissionamento: o pagamento passa a depender também do lucro líquido contábil da Caixa no semestre. Outro ponto é a adoção de um novo modelo de avaliação baseado em múltiplas dimensões de desempenho, ampliando o número de indicadores utilizados para medir resultados. Também foi introduzido um modelo escalonado de comissionamento, com cinco níveis de pagamento, o que pode reduzir o valor final recebido pelos trabalhadores quando os níveis mais altos não são atingidos. Além disso, o regulamento altera critérios operacionais importantes, como o aumento do tempo mínimo considerado para apuração do resultado em uma unidade e mudanças na forma de cálculo do teto da comissão.

Na última reunião realizada no início de abril com representantes da Caixa, as entidades reforçaram as críticas à forma como o programa vem sendo executado, apresentando reivindicações para tornar o programa mais transparente e equilibrado como a retirada da condicionante de lucro para pagamento da comissão; a simplificação dos critérios e indicadores utilizados na avaliação; a manutenção de regras que não prejudiquem trabalhadores que mudam de função ou unidade durante o período e maior transparência sobre o orçamento total destinado ao comissionamento.

Para Rita Lima, diretora do Sindibancários/ES a insatisfação dos empregados com o programa é crescente e é inadmissível que a Caixa implemente um programa de remuneração variável e depois não queira pagar. “Aqui no Espírito Santo, inclusive, a gente já tem conhecimento de vários casos onde as pessoas realmente têm prejuízo efetivo pelo fato de vender, mas os critérios terem sido modificados ao longo do processo. Isso é uma irresponsabilidade da Caixa com os empregados. Se você vendeu, você precisa receber. Então, precisamos estar mobilizados, agora e na Campanha Salarial para mudar esses critérios”, avalia Rita.