Fotos: Sérgio Cardoso
Defesa do emprego bancário, fim das metas, aumento real de 10%, PLR linear, melhores condições de trabalho e mais saúde estão entre as reivindicações prioritárias aprovadas pelos bancários e as bancárias capixabas no encerramento da Conferência Estadual da categoria, na noite deste sábado (25). Foram dois dias de intensos debates sobre o adoecimento mental da categoria, os desafios das conjunturas estadual, nacional e internacional, a inteligência artificial e os impactos na vida dos trabalhadores e a luta pelo fim do machismo e da violência contra as mulheres.
Durante o evento, também foram aprovados os eixos específicos de luta dos bancários da Caixa e do Banco do Brasil, que serão levados para debate e aprovação na etapa nacional de organização da campanha. Bancários e bancárias do Banestes também aprovaram a minuta da campanha específica dos empregados.

Carlão defendeu uma data limite para as negociações
O coordenador-geral do Sindibancários/ES e integrante do Comando Nacional dos Bancários, Carlos Pereira de Araújo (Carlão) defendeu a aprovação de um calendário de negociações com data limite para as rodadas.
“Tudo o que temos hoje é resultado de décadas de luta. No entanto, apesar do campo dos embates ser o mesmo, o ator principal não tem sido a categoria, mas sim o Comando Nacional dos Bancários. Por isso é fundamental que o Comando apresente um calendário para que possamos submeter as propostas em assembleias e até mesmo fazer greve se for necessário. Com o fim da ultratividade, não podemos ficar nas mãos dos banqueiros que empurram as negociações até o limite da nossa data base”, apontou Carlão.
A pauta de reivindicações aprovada será submetida à aprovação na Conferência Interestadual dos Bancários do Espírito Santo e do Rio de Janeiro, que acontece em 30 de maio. Carlão destacou ainda que a defesa do emprego bancário e a garantia de melhores condições de trabalho com respeito à vida dos trabalhadores são questões estruturantes da Campanha Salarial deste ano.
“Precisamos avançar nas cláusulas econômicas, com reajuste salarial acima da inflação correspondente à alta lucratividade dos bancos, piso de acordo com o salário do Dieese e PLR linear. Mas a questão da saúde é tema central da nossa campanha, pois diz respeito diretamente à vida dos trabalhadores. Por isso, vamos à luta pelo fim das metas, pela redução da jornada semanal para 4×3 sem redução salarial e por condições dignas de trabalho”, enfatiza Carlão.
Confira os eixos políticos e de reivindicações aprovados
EIXOS ESPECÍFICOS DA CAMPANHA SALARIAL:
- Aumento real – índice de reajuste composto por inflação mais 10%;
- Aumento do piso da categoria;
- PLR linear a todos os bancários;
- Promoção de igualdade de oportunidades;
- Defesa da jornada de 6 horas;
- Redução da jornada de trabalho – adoção da escala 4X3 na categoria;
- Fim das metas;
- Constituição das Organizações no Local de Trabalho (OLT)
- Defesa do emprego bancário frente às novas tecnologias;
- Saúde e bem-estar do trabalhador (combate ao ado ecimento);
- Segurança bancária;
- Condições do trabalho (home office);
- Isonomia;
- Estatização do sistema financeiro;
- Manutenção das homologações no sindicato.
EIXOS DE LUTA ESTADUAIS
- Em defesa do Banestes Público e Estadual e das demais empresas públicas do Espírito Santo.
- Eleição para a Assembleia, Câmara e Senado de candidatos e candidatas que estejam alinhados com a classe trabalhadora capixaba e dispostos a defender as empresas e os servidores públicos e o Banestes Público e Estadual.
- Mobilizar e engajar a comunidade banestiana em torno da campanha salarial deste ano.
- Seguir denunciando as parcerias que permitiram o arrendamento do balcão do Banestes para as empresas privadas. Processo que está minando a Banseg e comprometendo os resultados globais do Banestes.
- Saúde e condições de trabalho, com contratações de mais concursados pelo Banestes.
- Reforçar a denúncia de que o Banestes não deve em prestar sua reputação e credibilidade para ludibriar a população capixaba com mais uma bet. Destacar as bets têm sido uma das principais causas do endivida mento da população brasileira.
- Manter o posicionamento crítico e recorrer aos meios judiciais para reverter as demissões arbitrárias que estão virando uma prática da direção do Banestes.
EIXO POLÍTICO DA CAMPANHA SALARIAL: DERROTAR A EXTREMA DIREITA E AVANÇAR COM POVO EM MOVIMENTO:
- Derrotar a extrema direita e o fascismo em todas as frentes, com unidade de ação, trabalho de base e mobilização permanente, articulando a disputa elei toral de 2026 à organização popular nos territórios e locais de trabalho;
- Reeleger Lula, ampliar a bancada progressista no Congresso Nacional, sobretudo no Senado, e intensificar a mobilização popular para impedir o bloqueio institucional e a reorganização conservadora do Estado;
- Construir unidade estadual e nacional pela redução da jornada e pelo fim da escala 6×1, afirmando a redução geral da jornada sem redução salarial como eixo catalisador da luta de massas.
- Enfrentar o rentismo e os juros altos, disputando política econômica voltada ao desenvolvimento, ao investimento público e ao emprego, com defesa do fundo público para políticas sociais.
- Defender o SUS e ampliar o acesso: financiamento adequado, redução de filas de especialidades, valorização dos trabalhadores da saúde e combate à privatização disfarçada;
- Defender a educação pública: investimento, valorização de trabalhadores da educação, expansão com qualidade do tempo integral, políticas de permanência e combate à precarização curricular e as escolas cívico-militares;
- Defender a agenda climática popular e defesa dos territórios, com combate ao desmatamento, proteção de povos e comunidades tradicionais e rejeição ao “capitalismo verde” predatório;
- Defender a soberania digital e combate à guerra híbrida, com regulação das big techs, transparência algorítmica, proteção de dados e enfrentamento sistemático à desinformação, bem como investir na infraestrutura digital de caráter nacional.
- Valorização do serviço público e das empresas públicas, contra reformas administrativas, privatizações e pela garantia de pisos constitucionais e ampliação das políticas públicas;
- Estatização do sistema financeiro, garantindo que o sistema bancário passe a direcionar o crédito a juros baixos para setores produtivos, pequenas empresas e habitação, em vez de focar no lucro dos acionistas que vivem do rentismo.

