Bancários e bancárias do Bradesco, Itaú, Santander, Safra e Mercantil se reuniram no Encontro Estadual dos Bancários e Bancárias dos Bancos Privados na tarde desta sexta-feira (25). O aumento exponencial do fechamento de agências e de demissão de trabalhadores bancários atravessa a realidade de bancários de todos os bancos e foi amplamente discutido no encontro.

Os conferencistas também aprovaram os eixos de reivindicações para a Campanha Salarial da categoria. Entre eles estão: aumento real com índice de reajuste composto por inflação mais 10%; promoção de igualdade de oportunidades, fim das metas; e melhores condições de trabalho. As reivindicações foram aprovadas na plenária final da Conferência, no sábado (25), e serão encaminhadas paras as etapas interestadual e nacional.

O encontro aconteceu durante a programação da Conferência Estadual dos Bancários, realizada nos dias 24 e 25 de abril, no Hotel Praia Sol, em Nova Almeida, em Serra.

Bancários e bancárias do Bradesco, Itaú, Santander, Safra e Mercantil durante Encontro Estadual dos Bancários dos Bancos Privados. (Foto: Sérgio Cardoso)

Santander

A renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) do Santander é prioridade no primeiro semestre deste ano. “A Conferência Estadual dos Bancários é uma etapa importante que dá início a nossa organização para a Campanha Salarial. Com o fim da ultratividade da norma, que garantia os direitos já conquistados até a renovação do ACT, nós temos um limite de tempo para negociar os bancos. Nossa data base é 01 de setembro, mas nosso debate sobre as reivindicações que queremos e a elaboração da nossa pauta começa desde agora, nesta etapa estadual.

Nosso encontro foi fundamental para compreender melhor as dores dos trabalhadores bancários e , a partir desse debate, elaborar nossa proposta de minuta”, enfatiza o diretor do Sindibancários/ES, Cláudio Merçon (Cacau).

Bradesco

Durante o encontro, os bancários do Bradesco discutiram sobre os impactos da reestruturação promovida pelo banco, que tem provocado a demissão de centenas de funcionários.

“Para além do que já foi discutido sobre adoecimento, metas e assédio, nossa questão central no Bradesco é a reestruturação. As demissões e o fechamento de agências ocorrem em um processo muito mais acelerado no Bradesco, que tinha uma rede de agências e número de empregados proporcionalmente muito maior que os outros bancos. O Bradesco está implementando a meta anunciada desde antes da pandemia, que é demitir 20 mil pessoas e fechar quase 2 mil locais de trabalho. Uma das principais resoluções que tiramos nesse encontro foi, portanto, cobrar da COE um calendário nacional, com rodada de negociação e com uma periodicidade maior de manifestações contra essa perversidade do banco nesse sentido. Precisamos enfrentar com muita luta essa onda de demissões em massa”, enfatiza o diretor do Sindibancários/ES Fabricio Coelho.

Itaú

O desrespeito a direitos já consolidados, a pressão por metas e demissões sem justa causa também atinge bancários e bancárias do Itaú. “Em 2025, o Itaú fechou 250 agências. Até o dia 24 de abril deste ano, já foram 231 agências fechadas, sendo seis no Espírito Santo. O Itaú vem, portanto, aprofundando essa reestruturação cujas principais consequências são demissões de trabalhadores, fechamento de postos de trabalho, redução de atendimento aos clientes principalmente de baixa renda e aumento de pressão e sobrecarga de trabalho para os trabalhadores da ativa”, apontou o dirigente da Fetraf -RJ/ES e integrante da COE do Itaú, Felipe Souza.

Outra denúncia feita pelos bancários do Itaú é a perseguição aos bancários afastados por doença. “O banco vem desrespeitando nossa Convenção e Acordo Coletivo de Trabalho ao questionar os atestados médicos. Os bancários estão sendo submetidos a perícias do banco que tem por finalidade suspender a complementação salarial que deve ser paga aos bancários afastados, conforme prevê nossos acordos. Já estamos na luta contra essa arbitrariedade e nesta campanha precisamos seguir mobilizados para barrar qualquer tentativa de retrocesso nos direitos já conquistados”, aponta Souza.

Confira os eixos de reivindicações aprovados:

• Aumento real – índice de reajuste composto por inflação mais 10%;
• Aumento do piso da categoria;
• PLR linear a todos os bancários;
• Promoção de igualdade de oportunidades;
• Defesa da jornada de 6 horas;
• Redução da jornada de trabalho – adoção da escala 4X3 na categoria;
• Fim das metas;
• Constituição das Organizações no Local de Trabalho (OLT)
• Defesa do emprego bancário frente às novas tecnologias;
• Saúde e bem-estar do trabalhador (combate ao ado ecimento);
• Segurança bancária;
• Condições do trabalho (home office);
• Isonomia;
• Estatização do sistema financeiro;
• Manutenção das homologações no sindicato.